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E nos quartos de final, depois da epopeia de Turim e de uma fase de grupos assinalável, o FC Porto foi eliminado da Liga dos Campeões. Os dragões caíram de cabeça erguida, depois de uma vitória insuficiente contra o Chelsea, e saem das competições europeias na sequência de uma eliminatória em que foram muitas vezes superiores aos ingleses, em que foram muitas vezes mais fortes do que os ingleses e em que quase todas as vezes foram menos eficazes do que os ingleses.

Foram 180 minutos à Sérgio e só faltou o que não se compra: a fortuna (a crónica do Chelsea-FC Porto)

Assim, e com esta eliminação, o FC Porto sai da Liga dos Campeões nos quartos de final pela sétima vez em nove participações: as últimas quatro eliminações foram consecutivas, contra Manchester United (2009), Bayern Munique (2015), Liverpool (2019) e agora o Chelsea, e a última vez que os dragões prosseguiram para lá desta fase foi mesmo em 2004, no ano em que acabaram por conquistar a competição. A equipa de Sérgio Conceição termina a participação nesta edição da Champions com seis vitórias, três derrotas e um empate em 10 jogos, 15 golos marcados e nove sofridos, sendo que pelo meio bateu três equipas que também já ganharam a prova (Marselha, Juventus e Chelsea).

Além de tudo isto, e apesar da derrota, a verdade é que o FC Porto tem nesta terça-feira um dia histórico: à 22.ª tentativa, os dragões venceram pela primeira vez uma equipa inglesa na condição de visitantes, ainda que o jogo tenha decorrido em Espanha e não em Inglaterra. O jogo terminou com uma discussão entre os dois treinadores, Sérgio Conceição e Thomas Tuchel, que depois se alargou a vários jogadores: Pepe e Rüdiger trocaram palavras, Mendy colocou-se no meio para agarrar o central alemão e Marchesín também foi dos elementos mais inconformados. Na zona de entrevistas rápidas, o técnico dos dragões acabou por acusar o alemão dos blues de o insultar após o apito final.

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“Fui insultado por este senhor que está aqui ao lado. Estava a dizer ao árbitro que o quarto árbitro ouviu esses insultos. Só isso”, atirou Conceição, justificando que não abordou a equipa de arbitragem para falar do último lance do jogo, com Evanilson na grande área do Chelsea, mas sim para referir as palavras que ouviu de Tuchel — que, segundo as imagens, parecem ter sido “fuck off“. “Sinto um orgulho enorme no grupo de trabalho que tenho e no esforço que os jogadores fizeram para estar aqui presentes. Para não acabarmos a Liga dos Campeões em abril e acabá-la em maio é preciso mais de toda a gente, do país. Hoje voltámos a fazer um jogo muito acima da média. Não deixámos o adversário usar as suas armas mais fortes. Por vezes, entrámos no último terço com menor definição, mas criámos oportunidades. Estou desiludido, estou triste porque nós, FC Porto, merecíamos mais e merecíamos estar presentes nas meias-finais. Há que refletir sobre aquilo que não correu bem, porque se estamos fora é porque algo não correu bem. Foi um dos melhores jogos enquanto treinador”, garantiu o técnico.

Já Sérgio Oliveira, que foi titular depois de ter falhado a primeira mão por castigo, explicou que o Chelsea apareceu com a ideia de “gerir um pouco o tempo”. “Estava com dois golos de vantagem. Tentaram acalmar a nossa pressão alta e intensidade que metemos no jogo, houve momentos em que até conseguiram, mas nós conseguimos impor a nossa intensidade e foi pena aquele grande golo tão tarde no jogo, mas volto a frisar: temos de estar muito orgulhosos do percurso que fizemos nesta Champions. Tínhamos dois golos de desvantagem e claro que queríamos marcar o mais cedo possível, mas não deu. Não conseguimos o nosso objetivo e é isto o futebol. Sou adepto do FC Porto e se estivesse da parte de fora estaria orgulhoso desta equipa. Jogámos de igual para igual e mostrámos que somos fortes”, atirou o internacional português. Já Pepe, capitão de equipa, recusou falar na flash interview devido ao barulho que se fazia sentir naquela zona do estádio, defendendo que não conseguia “concentrar-se”.