A ADSE gastou menos 25% a 30% do que seria normal em 2020, por causa da pandemia, revelou Maria Manuela Faria, presidente da ADSE, em entrevista ao Público. O resultado líquido superou, por isso, os 100 milhões de euros.

O ano passado, no entanto, foi excecional. Para 2021, as contas “já estão muito próximas das médias de 2019”, a caminho da normalidade, e Maria Manuela Faria diz não ficar descansada. “É verdade que a ADSE acabou por ter um ano de 2020 muito favorável por causa da pandemia, mas se este imprevisto acabou por fazer com que as contas tivessem um saldo melhor, também nos leva a pensar que a qualquer momento uma imprevisibilidade pode acontecer em sentido contrário”, disse ao Público.

Apesar de garantir que não há, “nem de perto nem de longe”, problemas de sustentabilidade no sistema que dá assistência na doença a funcionários públicos, Maria Manuela Faria diz ser necessária muita atenção na gestão do dinheiro: “Temos de ter cautela e não podemos deixar que a ADSE gaste até ao seu último tostão”.

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A presidente da ADSE justifica ainda o aumento do co-pagamento das consultas, que passou de 3,99 euros para 5 euros. “Pedimos aos beneficiários um esforço de um euro, mas o esforço da ADSE é 5,5 vezes mais. Achamos que um euro em 20 anos é compreensível para os beneficiários”, que contam com mais benefícios, disse ainda Maria Manuela Faria ao Público.

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Em relação a uma possível redução dos descontos de 3,5% pagos pelos beneficiários, depois de o Tribunal de Contas ter referido que deveria incidir sobre 12 meses e não 14, a responsável diz não concordar, por entender que são os 14 meses que permitem à ADSE dar um serviço mais alargado. “Se querem uma ADSE para pagar umas consultas e umas armações de óculos é uma coisa, se querem uma ADSE que, além de tudo isso, numa situação grave de saúde está cá, é outra”, defende.

“Quando se diz que a ADSE é sustentável e podia ter ido mais além não onerando os beneficiários, temos de olhar para os que já cá estão, mas também para os que vão entrar e que, daqui a 20 anos, também querem ter os cuidados de saúde que estamos a proporcionar agora”, disse.