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Encontrado o campeão nacional, o FC Porto entrava para o campo de batalha do Rio Ave já sem o objetivo principal da época na mira. Mas nem por isso este deixava de ser um duelo importante para o exército de Sérgio Conceição, que continuava a apontar a um outro alvo: garantir o segundo posto da tabela classificativa e a entrada direta na cruzada que é a Liga dos Campeões (e com 38 milhões assegurados logo à cabeça). Missão cumprida com três tiros certeiros em Vila do Conde. Mas já lá vamos.

“Para nós ficar em segundo ou terceiro é pouco relevante. Sabemos que está muita coisa em jogo, é verdade: o dinheiro da Champions, a qualificação direta…”. As palavras são do treinador adjunto do FC Porto, Vítor Bruno. Remontam ao clássico com o Benfica na Luz, a 6 de maio. E ganham aqui nova vida porque, e apesar da desvalorização de Vítor Bruno, o que é certo é que os azuis e brancos carimbam mesmo a entrada na Liga dos Campeões da próxima temporada e atiram o outro rival – o Benfica – para o bronze do terceiro lugar. E recuperamos estas palavras também porque, desde aí, os azuis e brancos não voltaram a falar. Sérgio Conceição, recorde-se, não fala aos jornalistas desde que viu ser-lhe aplicada pelo Conselho de Disciplina uma suspensão de 21 dias, a qual foi entretanto suspensa em virtude de uma providência cautelar. E voltou a não falar no final deste encontro em Vila do Conde.

Do outro lado, o Rio Ave entrava em campo numa situação completamente diferente – da do FC Porto e daquela a que está habituado. Quem diria: os vila-condenses, equipa que no início da época esteve perto de eliminar o AC Milan da Liga Europa, procurava frente aos dragões fugir aos últimos lugares da tabela. “Não estava à espera de estar nesta posição”, admitia o técnico do Rio Ave, Miguel Cardoso, na antevisão desta partida.

Certo é que os da casa começavam o jogo em zona de play-off, com 31 pontos. E as vitórias do Boavista e Farense da tarde deste sábado deixaram o Rio Ave em ainda maiores dificuldades. O FC Porto era o próximo desafio. E logo com uma curiosidade: o duelo ditava o encontro entre as equipas com o melhor e pior ataque da liga. “Espero um FC Porto a jogar no limite das suas capacidades”, antevia também Miguel Cardoso. E assim foi.

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Em equipa que ganha, não mexe (quase): Sérgio Conceição substituiu apenas o castigado Mbemba por Diogo Leite. Já Miguel Cardoso alterou três peças no xadrez. E o jogo começou frio, mas depressa aqueceu com várias oportunidades para cada lado. Mais para os dragões, é certo. Logo ao início, Taremi tentou a sorte de longe, mas a bola saiu demasiado por cima da baliza de Kieszek (5′). Na resposta, Carlos Mané chegou à área adversária, mas permitiu o corte de Wilson Manafá. Pouco depois, e numa altura em que o Rio Ave tinha mais posse na partida, foi Gelson Dala a desperdiçar na área (20′). O avançado complicou e tentou um passe que foi prontamente cortado pela defesa azul e branca.

Seguiu-se uma fase eletrizante na partida, com o FC Porto a ser muito perigoso. Primeiro por intermédio de Manafá, que tentou um remate em jeito e de longe. A bola acabou por sair demasiado ao lado. Seria um golaço do lateral (24′). Depois, Taremi trocou as voltas a Kieszek e tentou o cruzamento, mas a bola acabou por bater na trave (26′). Poucos segundos depois, Uribe, só não levou perigo à baliza do Rio Ave por causa de um corte de Aderllan Santos. Ainda antes do final da primeira parte, Carlos Mané teve tudo para surpreender o FC Porto e fazer o primeiro da partida, mas desperdiçou na pequena área, após passe de Gelson Dala (37′).

Resultado ao intervalo: 0-0, com perigo, mas sem remates enquadrados.

O início da segunda parte parecia uma cópia da primeira. Um remate de longe de Tarantini aqui, uma tentativa de chegar ao golo de Mané ali. O 0-0 continuava. Mas tudo estava prestes a mudar: Toni Martínez deu início à rajada de golos portistas. O espanhol recebeu de João Mário e ganhou no frente a frente com Kieszek. Foi mesmo o primeiro remate enquadrado da partida (aos 58′, sublinhe-se).

Pouco depois, Luis Díaz não quis ficar atrás do espanhol e dilatou a vantagem para 2-0. Em três minutos o FC Porto fez o que não fez em toda a primeira parte. Nesta altura, Miguel Cardoso fazia alterações no sentido de tornar a equipa mais ofensiva. Mas não deu resultado. O Rio Ave continuava a não ser eficaz nas poucas oportunidades de que dispunha (como aos 61′, com a bola a voar sobre toda a área portista, mas com Mané a não conseguir chegar). E o golo foi mesmo (de novo) do FC Porto. Sérgio Oliveira entrou, viu e marcou. O médio, na primeira intervenção na partida, fez o 3-0 e arrumou a partida (67′).

Até ao final, o FC Porto tentou fazer o 4-0, o Rio Ave tentou responder. E com destaque para Meshino que, já depois dos 90′, obrigou Marchesín a fazer duas grandes defesas (foram mesmo as únicas da partida para os dragões).

Mas um dos grandes destaques da segunda parte (e de toda a partida) vai para o regresso à competição de Marcano. O central não jogava pela equipa principal dos dragões há mais de 400 dias. Curiosamente, a última vez tinha sido frente ao Rio Ave. O defesa tinha realizado, esta temporada, jogos pela equipa B, frente a Casa Pia e Vilafranquense.

Resumo final: o FC Porto consegue três golos, três pontos, o segundo lugar do campeonato e a entrada direta na fase de grupos da Champions. Os dragões foram mais perigosos e mais eficazes: em nove minutos, remataram três vezes à baliza e fizeram três golos. E reforçam o estatuto de melhor marcador do Campeonato, com 70 golos. É mesmo a 5.ª época consecutiva que o FC Porto chega aos 70 golos em 33 jornadas na liga.

Já o Rio Ave fica em grandes dificuldades. A equipa de Vila do Conde soma apenas 31 pontos, está em zona de play-off de descida e segue com quatro jogos consecutivos no campeonato sem marcar qualquer golo.

No fundo, esta partida serve como filme do que se tem passado para o Rio Ave estar entre os aflitos (algo que não acontecia na ponta final do campeonato desde 2011/2012): muitos golos sofridos e muita falta de eficácia nos momentos decisivos. Os vila-condenses atiram assim para a última jornada a derradeira luta pela manutenção: vão à Choupana defrontar o Nacional, num autêntico duelo de aflitos.