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“O Sérgio é cara do FC Porto, o FC Porto é a cara do Sérgio e é um casamento perfeito”. A renovação de contrato do treinador com os dragões por três temporadas, coincidindo com o final do mandato de Pinto da Costa no ano de 2024, motivou uma emissão especial do Porto Canal com alguns convidados que jogaram no clube e foram mesmo companheiros de Sérgio Conceição nas Antas. Secretário, antigo médio (e lateral), foi um deles, com a frase supracitada que acabou por definir aquele que seria o mote para a cerimónia prevista para as 12h. Outro foi Domingos, que recordou duas frases do presidente portista que nunca tinha ouvido antes.

Oficial: Sérgio Conceição renova com o FC Porto (afinal por três épocas) e faz história nos dragões

“Na minha primeira época apanhei o [Tomislav] Ivic, ganhámos o Campeonato, a Taça etc. e acabou por sair. Há essas duas ideias: a primeira de comparar o Sérgio ao José Maria Pedroto, a outra de dizer que seria o treinador enquanto estivesse na liderança do clube. Isso mostra também a relação entre eles”, destacou o ex-avançado, quase dando o mote para recuperar não só as declarações na apresentação, em 2017, mas também outras em momentos específicos como após a conquista dos cinco títulos ou da passagem aos quartos da Champions onde Pinto da Costa e Sérgio Conceição foram reforçando a forte ligação que existe entre ambos há vários anos.

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Este verão, a renovação foi feita a três tempos e este sábado teria o último capítulo: numa primeira fase, alguns clubes europeus foram sondando o técnico sem projetos desportivos capazes de convencer o técnico; depois, e num almoço com Pinto da Costa e Luciano D’Onofrio, as bases da renovação ficaram alinhavadas, incluindo dois pontos bem mais relevantes do que a questão salarial que passavam pela garantia de um plantel reforçado e mais equilibrado e também pelo reforço da estrutura; por fim, a renovação oficial até 2024, com Pinto da Costa a garantir mais uma vez que o novo contrato foi feito sem alterar nada a nível de vencimento do técnico.

O treinador chegou às instalações com a restante equipa técnica alguns minutos depois da hora, esteve depois no gabinete de Pinto da Costa e ficou depois a falar com os vários elementos da estrutura presentes além do número 1 do clube, como os administradores Vítor Baía e Luís Gonçalves, o diretor de comunicação Francisco J. Marques e o responsável de comunicação do futebol Rui Cerqueira. Tudo a ser acompanhado pelo Porto Canal, estação do clube que prolongou durante mais de uma hora e meia a emissão até ao momento da assinatura do vínculo numa sala especial do Dragão, a sala Viena com imagens da conquista da Taça dos Campeões em 1987, onde estavam apenas Pinto da Costa, Vítor Baía, Luís Gonçalves, Sérgio Conceição e o advogado Hugo Silva Nunes. A cerimónia acabou por começar quase às 13h, com uma frase do técnico como fundo no auditório.

Para representar o FC Porto não basta ter contrato, é preciso sentir o clube, sentir o que é a região, os adeptos, a nossa forma de estar”, uma frase dita em novembro de 2019, num contexto mais complicado antes de um dérbi com o Boavista com Uribe, Luis Díaz e Marchesín de fora das opções por castigo após uma festa até horas mais tardias que foi sancionada pelo clube azul e branco.

“É com uma alegria enorme que hoje selamos este novo contrato. Disse há meses já, no nosso balneário, que iria ser o meu treinador e do FC Porto. Foi bom não termos assinado antes, o Sérgio ficou a conhecer a Europa: esteve em Nápoles, em Roma, em Sevilha, em Madrid, mais não sei onde… E a 24 de maio houve outro senhor que disse que o Sérgio me ia dizer que não ficava… Bom, acertou se calhar na data, mas não no ano. Sérgio, há quatro anos disseste que não vinhas para aprender mas sim para ensinar. Estes foram quatro anos de êxitos, com alguns percalços, mas plenamente conseguidos. Depois li que ia receber mais do que o Jesus. Não sei quanto ganha o Jesus mas posso dizer que o Sérgio não vai receber nem mais um euro”, disse Pinto da Costa.

“É mentira que tenha ficado por exigências, não recebe mais um euro do que tinha. Nunca foi assunto, sempre disse que queria ficar pelo FC Porto e pelo projeto. Quando soube que seriam as mesmas condições, não colocou a mínima objeção. É por isso que é tão especial. Ele não é só treinador do FC Porto, é treinador do nosso clube. Tinha dito que o meu sonho era que ficasses até ao fim do mandato e anuíste. É uma grande responsabilidade mas tenho a certeza que juntos venceremos”, acrescentou de seguida o presidente portista.

“Começo por acreditar essa confiança em mim e na equipa técnica, à Direção e à nação portista. Também já não estou habituado a falar, não falo há muito tempo, mas li que exigia isto e aquilo. Não, eu não exijo nada, eu sou exigente por natureza. Se as pessoas são inteligentes, percebem o que estou a dizer. Estou num clube exigente, com o presidente mais titulado do mundo, num clube muito titulado, com sete títulos internacionais, um clube que me obriga a ser melhor todos os dias. Por isso, quando o presidente me falou sobre a renovação, há coisas muito mais importantes do que o dinheiro. Isso não conta, o que conta é a nossa ambição, a nossa dedicação ao clube e aquilo que nós queremos para sermos mais vencedores”, começou depois por referir Sérgio Conceição.

“Quero agradecer também à minha família porque não tem sido fácil, tem sido muita pressão. Eles também são portistas, também ficam contentes por isso, e cada comentário torna-nos mais fortes. Nós vivemos disso, nós nesta região Norte somos um povo que vive disso trabalho, desse orgulho em quem somos, desse trabalho, dessa dedicação e dessa ambição permanente. É assim que vamos continuar a ser: odiados por muitos mas mais fortes com aqueles que são verdadeiramente portistas. E aproveito para dizer já que uma das motivações é voltar a ganhar junto com os adeptos, com eles a serem uma mais valia para a equipa”, prosseguiu, aludindo também à claque dos azuis e brancos Super Dragões, representada no ato pelo seu líder, Fernando Madureira.

“Tenho um grande orgulho por estar aqui ao pé do presidente, por tudo o que fizemos mas sobretudo por tudo aquilo que queremos fazer. Prometo exatamente o mesmo do que sou: muitas vezes não é fácil lidar comigo, acredito que sim, mas no meu horizonte, na minha estrada está sempre o sucesso do FC Porto. É isso que vou procurar fazer nos próximos três anos e que estejamos aqui nesta altura, não pela renovação mas por mais um mandato do presidente que faz muita falta ao clube”, concluiu o treinador, que passará a ser o primeiro de sempre na história dos azuis e brancos a começar no mínimo cinco temporadas consecutivas.

“Ainda não falámos sobre o plantel, pois não presidente?”, começou por dizer Sérgio Conceição na fase aberta a perguntas e repostas, assegurando que foi apenas pensado o planeamento da época. “Passou-se a imagem de que o Sérgio exige tudo, quer tudo… Não houve nada disso, houve conversas sobre o futebol, a época, outras situações que acho que são importantes sobre a nossa dinâmica no clube para estarmos mais próximos das vitórias, não houve nada diferente do que se faz num clube vencedor”, destacou. “O outro contrato foi mais complicado, por causa do Nantes que não queria perder o treinador. Aqui foi fácil: disse que não queria só um ano ou daqui a três meses já o estavam a meter no Qatar, na Arábia Saudita, em Montevideu ou em Nápoles, disse que preferia três anos a dois porque coincidia com o final do meu mandato. Demorou cinco minutos”, frisou Pinto da Costa.