No dia 5 de julho, o ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, seguia num carro que segundo a TVI — que seguia e filmava o BMW Série 5 em causa — circulava quase a 200 km/h na A2 e, antes disso, a 160 km/h numa estrada nacional. Ambas as velocidades infringem o código da estrada. Questionado, Matos Fernandes diz não ter “qualquer memória de os factos relatados terem sucedido”.

Foi numa estrada nacional que dá acesso à Autoestrada 2, à saída de Beja, que o carro conduzido pelo motorista do ministro do Ambiente, onde este também seguia, acabou por atingir uma velocidade próxima dos 160 km/h, numa via que também se encontrava com o piso em mau estado. Nesta estrada, o limite máximo segundo o código da estrada é de 90 km/h — o carro circulava a quase o dobro, significando uma contraordenação grave, a perda de dois pontos na carta de condução e uma possível coima entre os 120 euros e os 600 euros.

O automóvel acabou por entrar depois na A2 e a aceleração foi progressiva até aos 200 km/h, velocidade que o motorista manteve durante alguns quilómetros. Também aqui se registaria uma infração muito grave que prevê a apreensão da carta entre dois meses a um máximo de dois anos, retirando também quatro pontos da carta e com coima aplicável entre os 300 e 1.500 euros.

O motorista acabou, apenas uma hora depois, a infringir o código da estrada, por ligar as luzes de marcha de emergência, cuja lei prevê em situações de serviços urgentes de interesse público. Porém, Matos Fernandes estava a regressar a Lisboa de um compromisso. O ministro seguia no carro já depois de ter marcado presença no evento que assinalou a reabilitação da Estação de Tratamento de Águas (ETA) do Roxo, em Aljustrel.

As luzes de marcha de emergência só foram ligadas uma hora depois ©TVI

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O ministro, contactado pela TVI, diz “não ter qualquer memória” do sucedido e que caso os factos sejam verdade “não deveriam ter acontecido”. “Reconheço que, por vezes, e com a sinalização de emergência ligada, sei que os limites de velocidade são ultrapassados, apenas por razões de trabalho e para não chegar tarde a compromissos profissionais (…). Comprometo-me a estar mais atento em situações futuras”, acrescentou nessa resposta.