Passar por uma ponte suspensa, caminhar três horas, carregar caixas às costas: é este o percurso por que as equipas de vacinação na Índia têm de passar para chegar a populações de zonas remotas. A BBC esteve num estado do extremo oeste do país, cujas vilas longínquas exigem um esforço enorme por parte dos profissionais de saúde para lá chegar.

O estado é Arunachal Pradesh. Após carregarem as doses no centro de saúde, as equipas têm uma viagem de cerca de uma hora numa carrinha, por estradas acidentados de terra e lama. O resto do caminho é a pé — a única forma de atingir as aldeias — em que o maior desafio, além de caminhar durante três horas, é manter as vacinas frias nas altas temperaturas da selva.

Um dos profissionais admite à BBC que há zonas “muito perigosas”, pelo que correm riscos para conseguir proteger as populações — fazem-no porque pertencem à comunidade e consideram-no um “dever”, explica Latgam Singpu. Têm mesmo que atravessar um rio, por meio de uma longa e instável ponte de madeira suspensa por cordas.

Reprodução do vídeo da reportagem da BBC em Changlang

Ao chegar à aldeia tribal, a função é vacinar rapidamente a comunidade que, de grande ceticismo, passou a formar filas para levar a primeira dose. Um aldeão que se encontrava na escola — local escolhido para centro de vacinação — explicou à BBC haver rumores e equívocos e admite que, não fosse o esforço dos funcionários de saúde na educação dos habitantes, ninguém se iria vacinar.

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Principalmente em aldeias que ficam em locais de difícil acesso, a descrença na vacinação é grande, mas um dos distritos deste estado, Changlang, já conseguiu imunizar 80% dos adultos com pelo menos uma dose — quando todo o país tem apenas 24%.