Um apelo à velha geringonça. Foi o que o PS decidiu fazer esta quarta-feira, dias depois de ter iniciado a primeira ronda de negociações para o próximo Orçamento do Estado, com uma pasta concreta em mente: o Trabalho pode, segundo os socialistas, ser um dossiê que ajude a aproximar os antigos parceiros da esquerda.

Foi esse o recado que José Luís Carneiro, secretário-geral adjunto do PS, destacou à saída de uma audiência com Marcelo Rebelo de Sousa. “Há um compromisso muito claro de António Costa, ainda hoje reiterado, de que pretende dignificar as condições do Trabalho. É um objetivo político que nos unifica a todos em relação ao futuro do país”, afirmou aos jornalistas.

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A garantia surge no mesmo dia em que o primeiro-ministro, a propósito da assinatura de um acordo assinado na concertação social sobre formação profissional, veio puxar pela necessidade de ir mais longe na área laboral: “É fundamental o reforço da dignidade do trabalho e o combate à precariedade laboral. Não há esforço e investimento que valham a pena em formação se houver precariedade, porque é um desperdício de recursos”, disse Costa, que também mencionou a vontade de aumentar o rendimento disponível das famílias e aumentar os salários dos jovens qualificados.

Recados orçamentais para a esquerda? Segundo Carneiro, “há razões bem claras” para que “as forças que constituíram grande suporte para as mudanças de 2015” possam “convergir” — e a vontade do Governo é que “o âmbito de convergência política seja tão alargado quanto possível”.

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A responsabilidade, insistiu o dirigente socialista, é partilhada: “Estamos todos investidos, pelo menos a avaliar pelas declarações públicas, de uma mesma responsabilidade”, que é preparar o país para os desafios do futuro. Fora as declarações públicas, há as conversas orçamentais privadas, mas essas estão ainda numa etapa inicial — e o PCP já avisou que nem quer ouvir falar de Orçamento (pelo menos de forma assumida) até depois das eleições autárquicas de 26 de setembro.

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Quanto ao Bloco de Esquerda, o pacote de leis laborais que quis incluir na negociação orçamental no ano passado foi precisamente um dos motivos que levaram socialistas e bloquistas a não se entenderem no OE2021. Por esclarecer fica se, por entre as promessas do PS, a situação pode ser diferente este ano.