É o mais recente capítulo na luta entre o circuito tradicional da distribuição cinematográfica e o streaming, que leva as produções diretamente à projeção privada do consumidor, onde quer que ele esteja. Scarlett Johansson processou a Disney, por alegado desrespeito dos compromissos contratuais relativos a “Viúva Negra”, o mais recente filme do universo Marvel, que é protagonizado pela atriz americana.

Alega Johansson que a Marvel, propriedade da Disney, não cumpriu a prometida “distribuição em sala”, ao estrear o filme em simultâneo na plataforma de streaming Disney+ (precisamente o que aconteceu em Portugal, onde a plataforma está disponível), ainda que seja necessário um acesso premium (ou seja, um pagamento extra assinatura). A questão está para lá da “experiência cinéfila”, como muitos têm defendido — o realizador Steven Spielberg é um deles, Dennis Villeneuve e Christopher Nolan têm apontado o dedo à HBO, que faz parte do grupo Warner e já admitiu que pretende fazer estreias em simultâneo. É que a receita particular de Scarlett Johansson é calculada a partir da receita geral de bilheteira do filme. Quanto mais “Viúva Negra” faturar em bilhetes nos cinemas, mais a atriz ganha.

[o trailer de “Viúva Negra”:]

O filme fez uma primeira semana com bons números nas salas americanas, faturando 80 milhões de dólares, mas na segunda semana registou uma quebra de 67% nas receitas, a maior descida entre primeira e segunda semanas na história do Universo Cinemático da Marvel. A Disney foi rapidamente criticada pelos distribuidores em sala e o modelo de estreia mista foi apontado como responsável desta descida.

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A queixa apresentada por Scralett Johansson baseia-se precisamente neste modelo e lembra que já em 2019 os advogados da atriz alertaram para as questões que este tipo de distribuição poderia levantar. Tentaram mesmo renegociar o contrato e entretanto lembraram que a Disney tem “a obrigação legal de honrar o contrato que assinou” e que “esta não será a última vez que uma estrela de Hollywood enfrenta” o gigante do entretenimento mundial.

Já em maio, o CEO da Disney, Bob Chapek, tinha defendido este modelo híbrido, lembrando que “a flexibilidade é uma coisa boa, estamos a tentar dar mais escolha ao consumidor”. “Jungle Cruise”, novo filme com The Rock e Emily Blunt, foi estreado precisamente no mesmo modelo e está nos cinemas bem como na Disney+. Como resposta à ação legal de Scralett Johansson, a Disney afirmou que a mesma “não tem mérito algum” e que é especialmente triste dado “o momento que vivemos” e as “consequências globais da Covid 19”.