A bola, aquela bola, não queria mesmo a entrar. De cabeça, de fora da área, de qualquer forma. De penálti, de livre, de todas as maneiras. Ainda assim, e mesmo depois de seis remates dos quais só dois conseguiram ser enquadrados com a baliza (o tal penálti no início e o tal livre no fim que Bazunu defendeu), Ronaldo teve o mérito de nunca desistir. Não desistiu de marcar, não desistiu de apoiar a equipa, não desistiu de levantar os braços e pedir apoio dos adeptos. Ao não desistir, encontrou o caminho para fazer história e ficar com a tal bola com quem estava de relações cortadas e com a qual se tornou o melhor marcador de seleções.

Com Ele, é o que quiserem. Até favas contadas (a crónica do Portugal-Rep. Irlanda)

“Esta equipa acredita até ao fim, eu acreditava até ao fim. Dez minutos antes do jogo acabar, pedi o apoio do nosso público. Quando a equipa não está a corresponder, a ajuda do público é fundamental. Deram-nos força. Estou muito contente pelos dois golos que deram a vitória e por bater o recorde. Estou muito feliz”, começou por dizer o capitão da Seleção na zona de entrevistas rápidas da RTP após o jogo.

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“Isto é a motivação e a vontade de continuar a jogar futebol e deste último contrato que fiz, de voltar a casa. Se nos levantarmos todos os dias com vontade de fazer melhor, de alegrar os adeptos, a família… Isso é a grande motivação. Tenho quatro filhos. O Cristianinho [filho mais velho] já entende tudo e sofre como eu. Eles vão crescendo e vendo o pai a marcar golos a ganhar títulos, que é o que eu mais gosto. Este recorde é meu e é único. Estou extremamente feliz e é mais um para o museu. Manchester United? Agora é voltar a casa, um clube que sempre me acarinhou. Tenho mais alguns anos de carreira, quero ainda brilhar mais. A Premier League é o melhor futebol do mundo”, acrescentou ainda o número 7 de Portugal.

Agora sim, não há como ele: Ronaldo isola-se como melhor marcador de sempre de seleções (e igualou outro recorde aos 36 anos)

Pouco depois, à SportTV, Ronaldo falou do cartão amarelo que viu por tirar a camisola nos festejos do golo que decidiu a vitória no último minuto dos descontos e… de mais recordes. “Qual vai ser o próximo? Não sei, não sei… Não sei o que é que há ainda para bater mas o que eu mais quero é continuar a jogar. Sinto-me motivado e ainda com forças para poder dar espetáculo mais uns três, quatro, cinco anos”, atirou. “O cartão? Esqueci-me… É a emoção do jogo. Se calhar o mister vai-me dar uma ‘dura’ mas não faz mal, o importante foi ajudar a equipa. Peço desculpa mas as emoções falam mais alto”, acrescentou, antes de dizer também à TNT Brasil que ficou “dez minutos um bocadinho triste” pelo penálti falhado mas que passou.

Mais tarde, passadas todas essas zonas de entrevistas rápidas no Estádio do Algarve, Ronaldo deixou ainda uma mensagem através da sua página oficial no Instagram, destacando a importância do recorde que obteve esta noite entre algumas dedicatórias e elogios aos 109 golos marcados antes pelo iraniano Ali Daei.

A passagem de coroa de Ali Daei como melhor marcador: “Ronaldo está tão preparado que pode chegar aos 120 ou aos 125 golos pela Seleção”

“De todos os recordes que bati na minha carreira – e felizmente foram uns quantos –, este aqui é muito especial para mim e certamente que está no topo daqueles de que mais me orgulho. Primeiro de tudo porque sempre que represento o meu país é um momento especial, por saber que estou a defender Portugal e estou a mostrar ao Mundo o que os portugueses são capazes. Depois, porque as competições de seleções sempre tiveram um forte impacto em mim, pois enquanto crescia via os meus ídolos a jogar pelas suas bandeiras a cada verão, nos Europeus e Mundiais. E por fim, e mais importante de tudo, porque marcar 111 golos por Portugal significa 111 momentos como aqueles que vivemos hoje no Algarve, momentos de união global e alegria para milhões e milhões de portugueses no mundo. Por eles todos os sacrifícios valem a pena”, começou por referir na longa mensagem que publicou nas suas redes sociais.

“Outra razão que me faz apreciar este registo desta forma é porque o Ali Daei colocou a fasquia tão elevada, a um ponto que até eu cheguei a duvidar que o conseguiria apanhar. Parabéns ao ‘Shariar’ por ter mantido o recorde durante tanto tempo e obrigado por sempre me ter demonstrado tanto respeito a cada vez que marcava e ficava mais perto do seu soberbo número. Obrigado Portugal. Obrigado aos meus colegas e adversários por terem tornado esta jornada em algo inesquecível. Vamos continuar a encontrar-nos dentro do campo por mais uns anos! Não vou fechar a conta por aqui…”, completou o avançado.