Foi quase no minuto 100 que o francês Lemar deu este domingo a vitória ao Atl. Madrid frente ao Espanyol, dando a vitória ao atual campeão espanhol no terreno da equipa catalã, por 2-1. Os colchoneros de El Cholo Simeone saíram então da cidade condal com mais três pontos, num encontro referente à jornada 4 da Liga espanhola e que marcou o regresso de Antoine Griezmann à equipa rojiblanca depois de ter saído em 2019. Por altura do golo que deu o triunfo à equipa madrilena, o francês já tinha sido substituído pelo português João Félix e foi do banco que viu a sua equipa recuperar de uma desvantagem de um golo.

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E por falar em recuperação, mesmo que 35 golos em duas épocas por uma equipa como o Barcelona (ainda com Lionel Messi) possa não ser um número de se deitar fora, a verdade é Griezmann, agora com 30 anos, nunca pareceu ter o mesmo à vontade e o mesmo nível exibicional que teve em Madrid. Com o agravar da saúde financeira dos culés, a saída do francês da Catalunha (recebia cerca de 20 milhões de euros líquidos) foi-se tornando cada vez mais provável, mesmo que os rumores não fossem apenas deste verão, mas apenas aconteceria uma transferência nos últimos minutos do último dia do mercado de transferências. Griezmann queria, o Barcelona agradecia e Simeone e o Atl. Madrid estavam de braços abertos – desde que não envolvesse João Félix. No final de contas, foi uma espécie de negócio ideal para todos.

E embora o regresso de Antoine à casa mãe colchonera, onde teve sem dúvida os seus melhores anos, pudesse ser óbvia aos olhos dos adeptos do futebol, esta podia não ter acontecido caso não fosse o próprio jogador a pedir “ajuda”. Conta o El Mundo que o pontapé de saída para a transferência (empréstimo com opção de compra) do Barcelona para o Atlético Madrid (o caminho inverso de há três anos) veio de um estágio da seleção francesa, através de uma mensagem escrita enviada por Griezmann para alguém do mundo da equipa da capital espanhola. Terá sido essa SMS que a despoletar todos os acontecimentos desse agitado último dia de mercado, em que a dada altura todo o mundo do futebol esperava um, dois, três negócios em simultâneo que dependiam uns dos outros: Griezmann para o Atlético Madrid se Saúl Ñíguez saísse para o Chelsea e Luuk de Jong do Sevilha para a Catalunha de maneira a colmatar o lugar do francês. Pelo final da noite de dia 31, todos estes negócios estariam feitos.

Tudo, ou quase tudo, à conta desse pedido de ajuda que chegou aos escritórios do Atl. Madrid e colocou todas as engrenagens a trabalhar, incluindo…  grupos de WhatsApp. Mal a notícia caiu, o treinador Diego Simeone caiu rapidamente nas mensagens de Miguel Ángel Gil, diretor executivo do clube, pedindo-lhe que conseguisse o jogador, marcador de 133 golos em pouco mais de 250 jogos ao seu serviço. Diz ainda o El Mundo que, de outra concentração de uma seleção, neste caso a espanhola, surgiu mais apoio, neste caso o do jogador e capitão Koke, peça influente do clube e amigo de Griezmann.

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A manhã já estava agitada no estádio Wanda Metropolitano e, por mais paradoxal que seja, ficou ainda mais quando o agente de Saúl sossegou os colchoneros com o desejo de o jogador sair para Inglaterra e para o Chelsea, vencedor da Liga dos Campeões da época passada. E mais sossegada e agitada ficou quando, por volta do almoço, a diretora geral dos londrinos, Marina Granovskaia, confirmou que o interesse do clube se mantinha.

Seguiu-se então uma chamada para Barcelona, mais concretamente para Mateu Alemany, diretor de futebol dos blaugrana que disparava para tudo o que era mercado em busca de um avançado que pudesse chegar sem encargos, para perceber a hipótese de um negócio com Griezmann. Detalhe: dias antes os catalães tinham oferecido o jogador ao Atlético por João Félix. Parecia tudo escrito, não nas estrelas, mas pelo menos entre as estrelas futebolísticas envolvidas em todos estes típicos movimentos do mercado.

Mas isso não fez com que não se tivesse tratado de um “sobe e desce, em que momentos houve em que parecia que seria possível e outros em que não”, referiram fontes próximas do jogador ao El Mundo. “Foi um dia muito enervante, mas Antoine sempre soube o que queria”, acrescentam.

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Faltava só os documentos chegarem a tempo aos clubes e a todas as instâncias e federações, o que aconteceu, mas não sem antes Griezmann, “doido” para deixar Barcelona, decidir que cortava o salário em 40% para mudar de clube, juntando-se assim ao clube de Oblak, Koke e Suárez na mesa dos jogadores dos madrilenos a receberem 10 milhões de euros por ano. De recordar que Suárez também deixou o Barcelona pelo Atlético e além de dezenas de golos conseguiu levantar o título espanhol. Estamos no início para dizer se vai acontecer o mesmo com Griezmann, mas ainda no mesmo início que indica que tal é possível. Mas o regresso da pessoa amada à casa querida não significa tudo de mão beijada, como disse o técnico Simeone: “Ele tinha muito desejo de regressar e imagino que as pessoas vão exigir dele tanto como nós”.

E isto sim é muito provável (a exigência), visto que a saída do francês par ao Barcelona não foi muito bem vista pelos adeptos do Atlético. Por isso, o francês espera agora “reencontrar” a relação que já teve com os fãs. “Isso passará por mim, pelos meus atos mais que pelas minhas palavras, provando que estou de novo aqui para dar tudo, em cada jogo, para agradecer o grande esforço pelo meu regresso. O Atlético está a fazer bem as coisas e o treinador sabe que tem mais um guerreiro para atingir os objetivos. Vou dar tudo, como sempre, é a minha maneira de estar no terreno. Quer estejam frente à televisão ou nas bancadas, os adeptos vão ver um jogador que deixa tudo no terreno e farei tudo para que fiquem orgulhosos”, garantiu o novo número 8 do clube da capital espanhola e atual vencedor da La Liga.