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As teorias são várias. Há quem diga que faz o último jogo como treinador do Barcelona na próxima quinta-feira, contra o Cádiz. Há quem diga que só aguenta as próximas duas jornadas do Campeonato, quinta-feira e domingo, e que já não estará contra o Benfica na Liga dos Campeões. E há quem diga que ainda defronta Cádiz, Levante, Benfica e Atl. Madrid e que só deixa o comando técnico na paragem para as seleções em outubro. Algo, porém, está praticamente certo: Ronald Koeman vai deixar de ser o treinador dos catalães.

A gota de água para Joan Laporta aconteceu esta segunda-feira, no empate contra o Granada em Camp Nou. O Barcelona começou a perder logo ao segundo minuto, graças a um golo do português Domingos Duarte, e teve de sofrer praticamente até aos descontos para ver Ronald Araújo tornar-se o herói e resgatar um ponto para os blaugrana. Pelo meio, Luís Maximiano, guarda-redes que o Granada contratou ao Sporting para substituir Rui Silva, foi dos melhores em campo e fez diversas intervenções cruciais.

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Ao longo da partida, o Barcelona fez 54 cruzamentos, 46 de bola corrida — um novo máximo nas cinco principais ligas europeias que pulverizou o anterior registo máximo, os 35 que o Burnley fez contra o Arsenal. Mais do que um dado estatístico, este número demonstra uma autêntica transfiguração do estilo de jogo dos catalães: o tiki-taka desapareceu, as jogadas rendilhadas desapareceram, a construção apoiada a partir de trás desapareceu e só restou um quase desespero que bombeia bolas para a área à procura de um desvio milagroso como o de Ronald Araújo. E prova disso, mais do que os 54 cruzamentos, é o facto de Gerard Piqué ter entrado no último quarto de hora diretamente para jogar a avançado quando Luuk De Jong nem sequer havia sido titular e só foi lançado ao intervalo.

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Na conferência de imprensa, Ronald Koeman tinha pouco para explicar. “Não tínhamos jogadores para o tiki-taka. Temos de jogar com o nosso estilo mas se o jogo pede uma mudança, temos de a fazer. Se temos de cruzar de fora, então… Acho que fizemos um bom jogo. Não existiam espaços para jogar curto nem rasteiro, eles defenderam com muita gente atrás. Só havia espaço nas alas para cruzar. Não é o jogo que queremos mas faltam-nos jogadores para o um contra um e para a profundidade. Coutinho e Demir são jogadores que vão por dentro, Ansu Fati e Dembélé é que procuram esse um contra um mas não estão e temos de encontrar outras formas de atacar, como jogar mais por fora e cruzar. O Barcelona de hoje em dia não é o Barcelona de há oito anos. As pessoas podem estar descontentes com o resultado mas não com a atitude que a equipa demonstrou”, disse o treinador holandês, num discurso que foi comparado ao polémico “isto é o que há” que Piqué atirou logo depois da derrota em Camp Nou contra o Bayern Munique na Liga dos Campeões e que continua a justificar resultados com as lesões de Pedri, Ansu Fati e Dembélé e as saídas de Messi e Griezmann.

Ainda que nas bancadas surgissem algumas tarjas onde se lia “Força, Koeman”, a verdade é que o empate contra o Granada também deixou claro que o Barcelona está completamente partido por dentro. Riqui Puig, médio de 22 anos da formação que não jogava desde maio e que estava riscado pelo treinador, foi lançado a 15 minutos do fim e recebeu uma enorme ovação dos adeptos presentes em Camp Nou — num claro recado ao holandês. Do outro lado, já depois do golo do empate e quando Carlos Bacca viu um cartão amarelo no banco de suplentes do Granada, o treinador Robert Moreno foi atingido com uma garrafa de plástico vinda da bancada. O pormenor? Moreno foi adjunto de Luis Enrique no Barcelona durante três anos e ganhou duas Ligas, três Taças do Rei, uma Supertaça espanhola, uma Liga dos Campeões, uma Supertaça Europeia e um Mundial de Clubes.

Praticamente fechada a decisão de que Ronald Koeman vai sair, timings à parte, abre-se a porta ao habitual carrossel de possibilidades. Excluídos Andrea Pirlo e Joachim Löw e até o financeiramente impossível Antonio Conte, Robert Martínez surge como o grande favorito de Joan Laporta. Segundo o AS, a ideia do Barcelona acaba por ser simples: esperar por outubro, aguentar Koeman durante mais quatro partidas, deixar que Martínez dispute a final four da Liga dos Nações com os belgas e mudar de técnico depois da paragem para as seleções. Até porque a ideia, pelo menos num patamar ideal, é encontrar uma solução duradoura e não apenas um nome que consiga fazer algum controlo de danos até ao final da temporada.