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A “viúva negra” foi condenada à morte em 2017 e o recurso para anular a decisão foi chumbado no passado mês de junho, naquele que foi um dos julgamentos mais longos do Japão. “Um crime cruel e fortemente planeado” foi a forma como o juiz do processo de Chisako Kakehi caracterizou as suas ações. Aos 75 anos já tinha assassinado três dos seus companheiros e agora está no corredor da morte.

Os homicídios terão começado em 2007, mas foi só com a morte da última vítima, em 2013, que as autoridades desconfiaram e começaram as investigações. De acordo com a CNN, as autópsias são raras no Japão e normalmente só são feitas quando há suspeitas de crime, mas com tantas mortes à sua volta, era inevitável a sua realização.

Quanto ao seu objetivo com estes homicídios, passava por ter direito a herdar seguros de vida milionários. Apesar de não terem sido revelados todos os valores, sabe-se que, com a sua primeira vítima, ganhou cerca de 373.261 euros e que no total terá juntado cerca de 3,5 milhões de euros.

Como atraía as vítimas para a sua ratoeira?

Nascida em Saga, no sudoeste do Japão, Kakehi trabalhava numa gráfica e casou-se com seu primeiro marido em 1969, quando tinha 23 anos, segundo o mesmo jornal. Este casamento durou 25 anos e, em 1994, ficou viúva pela primeira vez.

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Em 2007 começou a utilizar uma aplicação para relacionamentos entre idosos e conheceu Toshiaki Suehiro, de 78 anos, com quem iniciou um relacionamento. Contudo, neste mesmo ano, Kaheki elaborou o plano do seu primeiro homicídio. Aproveitando-se do facto do seu companheiro tomar medicação regular, disfarçou uma cápsula de cianeto num destes comprimidos.

Em menos de 15 minutos, o homem teve uma paragem cardíaca mas foi socorrido a tempo — tendo ficado com uma insuficiência respiratória e com uma deficiência visual. Foi o único sobrevivente às mãos de Kaheki, que desapareceu do mapa. Um ano e meio depois o homem acabaria por morrer sem nunca ter conseguido denunciar a “viúva negra” às autoridades, uma vez que, durante todo o relacionamento, esta utilizou um nome falso.

Alguns anos depois, estava de olho na sua próxima vítima. Utilizando o mesmo método, iniciou um relacionamento com Masanori Honda, de 71 anos. Introduziu também uma cápsula de cianeto na medicação do companheiro que acabou por ter um acidente de mota depois de ficar inanimado. Morreu no hospital, e Kaheki herdou mais uns largos milhares num seguro de vida.

Apenas dois meses depois, com a mesma aplicação, conheceu Minoru Hioki, de 74 anos. O casal já planeava o casamento mas, poucas semanas depois, o homem morreu após o jantar. A quarta vítima, Isao Kakehi, de 75 anos, também morreu depois de jantar e deu início a uma investigação em torno da idosa. Ambos deixaram grandes quantias em seguros de vida.

Descoberta dos homicídios

A autópsia realizada a esta última vítima revelou quantidades letais de cianeto no seu coração, sangue e estômago e as autoridades foram revistar a casa de Kaheki.

Acabaram por encontrar cápsulas vazias no seu apartamento provando que ela as esvaziava e recarregava com cianeto em pó. O cianeto, por sua vez, foi encontrado enterrado em vasos de plantas por toda a casa. A idosa obtinha o produto através da gráfica onde trabalhava.

A polícia deteve Kakehi, que acabou por confessar ter envenenado Honda, Hioki e Suehiro com cápsulas de cianeto para herdar os seus seguros de vida. Encontra-se agora condenada à pena de morte, no Japão.