Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

Morreu esta terça-feira aos 81 anos o escritor português Cristóvão de Aguiar, confirmou o filho, o economista Luís Aguiar Conraria.

Nascido a 8 de setembro de 1940 no Pico da Pedra, concelho da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, Açores, Cristóvão de Aguiar foi um dos mais aclamados escritores açorianos do século XX português.

Em 1965, com 24 anos de idade, foi mobilizado para a guerra colonial e enviado para a Guiné. A sua passagem pela frente de combate levou-o a escrever o livro Braço Tatuado, o segundo volume de uma trilogia composta ainda por Raiz ComovidaRelação de Bordo, que Luís Aguiar Conraria destaca de entre a sua vasta obra literária.

Traduziu ainda A Riqueza das Nações, de Adam Smith, numa edição da Fundação Calouste Gulbenkian.

Entre 2015 e 2020, por ocasião dos 50 anos de vida literária de Cristóvão de Aguiar, uma iniciativa promovida pela Universidade do Minho e pela Secretaria Regional da Cultura dos Açores levou à edição das suas obras completas pelas Edições Afrontamento.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Em 2001, foi condecorado pelo Presidente Jorge Sampaio com o grau de comendador da Ordem do Infante D. Henrique.

Ao longo da carreira, recebeu vários prémios literários (incluindo o Prémio Ricardo Malheiros da Academia das Ciências de Lisboa, o Grande Prémio de Literatura Biográfica da Associação Portuguesa de Escritores/Câmara Municipal do Porto e o Prémio Literário Miguel Torga/Cidade de Coimbra) e distinções públicas (como a insígnia Autonómica de Reconhecimento da Região Autónoma dos Açores e a medalha de mérito municipal do concelho da Ribeira Grande).

Numa nota enviada esta noite às redações, o presidente do Governo Regional dos Açores, José Manuel Bolieiro, lamentou a morte do escritor açoriano, reconhecendo que a Região “perde muito” com o seu falecimento, mas valorizando o “legado” que fica através da sua obra.

“A literatura portuguesa, a lusofonia e sobretudo os Açores perdem muito hoje com o seu falecimento”, sublinha José Manuel Bolieiro, citado na mesma nota.

O chefe do executivo açoriano defende que os Açores ficaram “mais ricos pela sua existência e legado”, mas hoje estão, naturalmente, “empobrecidos pelo seu falecimento”.