O Teatro Nacional São João, no Porto, reabre na sexta-feira, depois de dez meses de encerramento, preparado “para mais 25 anos de atividade” que arrancam com uma exposição, um colóquio internacional e a pré-apresentação de “Lear”.

Primeiro foi a pandemia de covid-19, que levou ao novo encerramento, em janeiro, dos teatros de todo o país. Depois seguiram-se sete meses de obras, no valor de 2,55 milhões de euros, e, ao fim de dez meses, o Teatro Nacional São João (TNSJ) reabre de “cara lavada”.

Em entrevista, por escrito, à agência Lusa, o presidente do Conselho de Administração do TNSJ, Pedro Sobrado, afirma que esta obra se revela essencial em dois planos: “Por um lado, garantimos a preservação de um Monumento Nacional de que somos zeladores e fiéis depositários; por outro lado, preparamos o São João para mais 25 anos de atividade, isto é, de produção e exibição teatral”.

As intervenções foram várias, mas a “mais expressiva ocorreu no coração do Teatro, a caixa de palco”.

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“Para além da substituição do próprio palco e do seu nivelamento, procedemos à modernização da arquitetura de cena, com a introdução de novas varas motorizadas e consolas de palco. No que toca à estrutura de palco, estamos especialmente bem equipados”, destacou.

O coração do São João prepara-se agora para a pré-apresentação de “Lear”, de William Shakespeare, com encenação do diretor artístico do TNSJ, Nuno Cardoso, que se estreia a 06 de novembro.

Na sexta-feira, bem como no sábado e no domingo, será possível ver, gratuitamente, os primeiros dois atos da peça, porque era importante “reabrir o São João também com teatro”, que Pedro Sobrado assume como uma “prioridade estatutária”.

Um espetáculo como “Lear”, refere o administrador, “retoma uma obra da grande herança dramática para desassossegar hoje e interrogar o devir”.

“É interessante que, num momento em que o São João estreia um novo palco e novos equipamentos de luz, som e maquinaria de cena, o Nuno Cardoso utilize na cenografia e figurinos velhos materiais do teatro. É uma forma de homenagear os últimos 25, 30 anos do São João, que coincidem com o período mais feliz da história deste Teatro, mas também uma afirmação de que o teatro é uma máquina fabulosa de circulação da memória cultural da humanidade”, observou.

A análise dessa “máquina fabulosa”, como “brilhantemente defende” o teatrólogo norte-americano Marvin Carlston, estará também em análise no colóquio internacional sobre Teatros Nacionais, cujas honras de abertura cabem, precisamente, a Carlston.

Pelo evento passam “quase duas dezenas de dirigentes e ex-dirigentes de Teatros Nacionais de vários pontos do mundo, da Escócia à África do Sul e da Alemanha à Argentina, passando pela Bélgica, Roménia, Tunísia”.

A programação da próxima temporada segue o mote “O Centenário acaba aqui”, mas a reabertura fica também marcada pela inauguração de uma exposição “10 atos 100 anos”, sobre o centenário daquele edifício, que foi adiada devido à pandemia de covid-19.

Findos os sete meses da intervenção, que se revelaram “escassos, porque a pandemia desregulou cadeias de fornecimentos de equipamentos e materiais”, o TNSJ reabre na data prevista, com as empreitadas de reabilitação do interior e de modernização da arquitetura de cena “cumpridas tal como estavam planeadas”.

Pedro Sobrado lembra que “a obra realizada não consistiu numa reabilitação cabal do edifício, até porque a verba disponível para as empreitadas não o permitiu, mas trata-se de uma intervenção expressiva e muito relevante”.

Entre as intervenções estão a “renovação de instalações elétricas e sistemas de climatização, o reforço dos mecanismos de segurança contra incêndios, a recuperação de espaços e elementos arquitetónicos, a correção de anomalias infraestruturais, como infiltrações de água e a melhoria ao nível da eficiência energética”.

No entanto, “o TNSJ é uma obra que não cessa que faz sempre apelo a mais construção”, destaca o administrador, ressalvando que não se refere, “evidentemente, a questões infraestruturais”, ainda que a reabilitação do Mosteiro de São Bento da Vitória seja um objetivo futuro.