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Sporting campeão, FC Porto e Benfica em mudança de ciclo. Ao contrário do que tem sido habitual nos últimos anos no hóquei em patins, os dois rivais que não conseguiram chegar ao triunfo no Campeonato optaram por mexer no comando técnico das suas equipas para o início de um novo ciclo. Os plantéis nem sofreram grandes alterações e era do banco que vinha a grande esperança de viragem no domínio recente dos leões com Paulo Freitas. No entanto, o arranque de época trouxe realidades bem distintas.

De um lado, a adaptação rápida e profícua. Ricardo Ares, antigo selecionador espanhol que substituiu o compatriota Guillem Cabestany, agarrou na equipa, tornou-a muito mais efetiva em termos ofensivos com uma média superior a sete golos por jogo nos seis primeiros encontros e somou por triunfos as partidas que fez até ao clássico. Do outro, a adaptação mais complicada. Nuno Resende, que depois das boas campanhas na Liga italiana rendeu Alejandro Domínguez, começou com dois triunfos mas averbou depois três desaires em quatro jogos contra Valongo, Oliveirense e na Luz com o Sp. Tomar.

Era por isso que os dragões partiam para o encontro da sétima jornada com um ligeiro favoritismo, ainda que nos três últimos jogos na Invicta o Benfica tivesse ganho por duas vezes, na série das meias-finais do último Campeonato. E mais favoritos ficaram depois de uma entrada demolidora que deu três golos de vantagem, antes de uma grande reação dos encarnados no segundo tempo e o momento decisivo assinado por Di Benedetto, que carimbou a sétima vitória consecutiva dos azuis e brancos, reforçou a liderança isolada e adensou a crise das águias, que levam quatro derrotas nos últimos cinco jogos.

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Os dragões tiveram uma entrada verdadeiramente fulgurante na partida, um pouco à semelhança do que tinha acontecido com as águias nos dois primeiros jogos da meia-final do último Campeonato no Dragão, chegando ao 3-0 em menos de cinco minutos: Carlo Di Benedetto inaugurou o marcador com apenas 49 segundos, o mesmo internacional francês aumentou aos quatro minutos e Gonçalo Alves, poucos segundos depois e na sequência de um azul a Diogo Rafael, marcou o 3-0 de livre direto. Os jogadores encarnados olhavam uns para os outros mas nem o desconto de tempo de Nuno Resende travou a enxurrada ofensiva dos azuis e brancos, empurrados também por um Dragão Arena que estava quase cheio.

O FC Porto dominava o jogo, o Benfica mostrava poucos argumentos ofensivos para reduzir a desvantagem e nem de grande penalidade Diogo Rafael conseguiu marcar, permitindo a defesa a Xavi Malián. Todavia, a determinada altura, os dragões perderam também a chama para criarem desequilíbrios e visarem a baliza de Pedro Henriques, num período que viria a sair caro no arranque do segundo tempo: Nicolia aproveitou a décima falta dos portistas para marcar o 3-1 (26′), voltou a marcar de livre direto no minuto seguinte após o cartão azul a Di Benedetto (27′) e empatou mesmo por Lucas Ordoñez num bom lance coletivo (34′).

O encontro voltava à estava zero e com os encarnados por cima, criando muito perigo junto da baliza de Xavi Malián aproveitando o pior período do FC Porto no jogo. Foi nesse momento que, mais uma vez, voltou a aparecer Di Benedetto, a completar o hat-trick e a recolocar a equipa da casa na frente do marcador (38′). O Benfica ainda tentou nova igualdade mas o resultado não mais iria mexer, apesar dos dois livres diretos desperdiçados por Gonçalo Alves nos derradeiros minutos e os protestos do banco das águias com uma decisão a 16 segundos do final que valeu mais uma bola parada aos dragões.