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O negócio feito entre FC Porto e V. Guimarães num total de 30 milhões de euros (cada um dos clubes pagou 15 milhões e recebeu outros 15 milhões) já tinha levantado o véu sobre a possibilidade de valores em causa na saída de Rodrigo Fernandes para o Dragão e na chegada de Marco Cruz à Academia de Alcochete, mas os valores que estavam em causa estiveram muito acima dos cinco milhões ventilados pela imprensa desportiva. Contas feitas, ficou por mais do dobro. E os dois rivais acabaram por gastar… zero.

V. Guimarães comprou dois médios da formação ao FC Porto por 15 milhões de euros (e dragões também ficaram com dois defesas dos minhotos)

De acordo com o comunicado enviado pela Sporting SAD, o defesa/médio esquerdino da formação azul e branca de 17anos chegou aos leões por 11 milhões de euros, o mesmo valor que será pago pelo FC Porto para assegurar o médio de 20 anos que há duas épocas se estreou no conjunto principal dos lisboetas mas que não era agora opção para Rúben Amorim. Desta forma, Marco Cruz tornou-se o terceiro jogador mais caro de sempre do conjunto verde e branco, apenas superado por Paulinho e Bas Dost. A nível de vendas, a saída de Rodrigo Fernandes foi a 19.ª maior, a par dos 11 milhões de João Moutinho.

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Ainda assim, e em termos de valores, este será um negócio com custo nulo mas benefício contabilístico a breve prazo: as duas sociedades poderão colocar a totalidade do valor que recebem no exercício 2021/22 (a “troca” aconteceu já depois de 30 de junho, quando fecharam as contas do ano 2020/21) e diluir o valor que foi investido na contratação dos atletas pelas épocas correspondentes aos anos de contrato. Na última Assembleia Geral da SAD, e perante as questões dos acionistas presentes, Frederico Varandas, presidente dos leões, tinha apenas confirmado que o negócio envolvera valores, sem especificar quanto.

Como o Observador explicou na altura, o agente Jorge Mendes acabou por ser a chave do negócio. Ao saber da vida difícil que Rodrigo Fernandes teria na Academia em termos de afirmação e percebendo que Marco Cruz não estaria disponível a prolongar o contrato profissional com os dragões depois de 2023, o agente propôs aos dois rivais uma troca que pudesse resolver ambos os problemas, havendo da parte dos azuis e brancos interesse em contar com o médio esquerdino dos leões e também interesse da parte dos lisboetas interesse em ficar com um jogador considerado o melhor da geração 2004 no Olival.

Desde que chegou ao Sporting, Marco Cruz fez já seis encontros pelos leões (cinco pela equipa de juniores, um nos Sub-23) com um total de 193 minutos, ao passo que Rodrigo Fernandes leva três jogos pela formação B do FC Porto num total de 94 minutos depois de ter chegado a jogar nos Sub-23 leoninos.

Empréstimo de Sarabia por uma época sem opção custou dois milhões

Olhando para os restantes valores apresentados em relação a entradas e saídas de jogadores, existiu apenas mais uma “novidade” em relação a Pablo Sarabia, internacional espanhol que chegou por empréstimo de uma temporada sem opção de compra do PSG e que custou dois milhões por essa cedência. Ainda a nível de chegadas a Alvalade, Ugarte levou a um investimento de 6,5 milhões, com um bónus até um milhão, e com o Famalicão a ficar com de uma futura venda após deduzir a comissão e o mecanismo de solidariedade, ao passo que Ricardo Esgaio chegou de Braga por 5,5 milhões, ficando o clube agora com 100% do passe.

As restantes chegadas, a título definitivo ou por empréstimo, tiveram valores residuais abaixo dos 100 mil euros. No caso de Rúben Vinagre, “o Sporting tem opção de compra por 50% do passe que se pode tornar obrigatória consoante determinados objetivos individuais ou coletivos”, não sendo revelado o valor dessa mesma opção a pagar ao Wolverhampton, à semelhança de João Virgínia, que chegou do Everton.

A nível de vendas, e além do supracitado caso de Rodrigo Fernandes, o empréstimo de Nuno Mendes ao PSG rendeu sete milhões de euros com os franceses a terem direito de opção de compra. Já o lateral direito Rosier foi vendido ao Besiktas por 5,1 milhões de euros (mais bónus até 500 mil euros), ficando os leões com 20% de uma futura venda e com o direito de preferência, ao passo que o médio Misic saiu para o Dínamo Zagreb por dois milhões e 20% da mais-valia de uma futura venda. Nota ainda para os 400 mil dólares recebidos pelo empréstimo do médio Eduardo Henrique aos sauditas do Al Raed Club.