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Uma nova teoria afirma que o Sistema Solar e outras estrelas vizinhas estão engolidos num túnel magnético com mil anos-luz de comprimento — ou seja, demoraria mil anos a percorrer mesmo que se pudesse viajar à velocidade da luz, que é de quase 300 milhões de metros por segundo.

Jennifer West, astrónoma na Universidade de Toronto, descreveu a estrutura como um longo corredor de finos tentáculos invisíveis aos nossos olhos, mas que se revelam no espetro das ondas de rádio, feitos de partículas com carga elétrica e envoltos num campo magnético.

A especialista chegou a este modelo depois de ter observado de duas das mais brilhantes estruturas gasosas que emitem ondas rádio — a Espora Polar Norte e a Região do Leque. Embora estejam em zonas diferentes do céu, Jennifer West descobriu que este túnel pode uni-las. E que a Terra estará dentro dele.

Os cientistas já descobriram estruturas semelhantes, por exemplo, junto a supernovas, as coloridas e poderosas explosões de estrelas muito maciças. Chegaram mesmo a ser apelidadas de “ossos do universo” por funcionarem como um esqueleto que une diferentes regiões do espaço.

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Jennifer West procurou um túnel desses na vizinhança do Sistema Solar porque, ainda estudante universitária, durante uma observação de um mapa do espaço no espetro das ondas rádio, reparou naquilo que pareciam umas cordas que se espalhavam pelo céu.

A astrónoma comparou as estruturas que detetou à forma como um condutor perceciona as luzes de um túnel quando o percorre a grande velocidade — linhas que parecem vir de todas as direções em seu redor, mas que dão a ilusão de convergirem em profundidade.

Num comunicado da universidade, Jennifer West acrescentou que, anos depois, soube de um estudo de 1965 que fazia referências a uns misteriosos sinais de rádio com características semelhantes aos observados por ela. O estudo conjeturava que do interior do braço da Via Láctea em que o Sistema Solar se encontra.

Decidiu então retomar a investigação, desta vez com recurso a tecnologia mais avançada, para cruzar os dados recolhidos nos anos 60 com os que ela mesma tinha guardado dos tempos de estudante. Depois prosseguiu os estudos com recurso a modelos computacionais. Agora vai observar o céu com recurso a radiotelescópios para aprimorar a teoria.

O estudo em que a cientista relata este processo foi publicado no Astrophysical Journal, mas ainda não passa de uma hipótese — até porque a interpretação que Jennifer West fez dos dados ainda não foi escrutinada por outros astrónomos, uma condição essencial para que o estudo seja cientificamente validado.