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“Caça-Fantasmas: O Legado”

Desengane-se quem pensa que este terceiro “Caça-Fantasmas” é uma nova aventura sobrenatural do grupo original (menos Harold Ramis, que já morreu). Os heróis de “Caça-Fantasmas: O Legado”, de Jason Reitman, filho de Ivan Reitman, o realizador dos dois primeiros filmes,  são adolescentes, os dois netos de Egon Spengler, a personagem de Ramis, que juntamente com a mãe, herdam a quinta arruinada nos confins dos EUA onde aquele se tinha encafuado, e descobrem que há poderosas forças do Além a ameaçar a humanidade mais uma vez. A história decalca, basicamente, em tom menor e repetindo muitas situações, o enredo do filme de 1984, com um ou dois elementos do segundo, “ressuscitando” Gozer o Gozeriano. No final, há a pequena recompensa do aparecimento do trio de Caça-Fantasmas sobreviventes, mais uma surpresa digital e um “gag” na ficha técnica protagonizado por Bill Murray e Sigourney Weaver. Mas sabe a muito pouco.

“Encanto”

Na sua nova animação de longa-metragem, uma fantasia passada na Colômbia, a Disney tenta imitar a sua subsidiária Pixar, e falha redondamente. A heroína de “Encanto” é a pequena Mirabel, que vive numa casa mágica com a avó e toda a família, cujos membros têm cada um um poder mágico (força invulgar, enorme capacidade auditiva,  etc), exceto ela. Quando a casa começa a ameaçar ruir e os poderes dos seus parentes a falhar, Mirabel vai tentar salvar o dia e descobrir a razão de ser a única que não tem um dote especial. A história de “Encanto”, que pretende celebrar a normalidade e a excecionalidade que pode haver nela, é complicada até para um adulto, a animação uma apoteose de “kitsch” em rajada, as canções (do ubíquo e  sobrevalorizado Lin-Manuel Miranda)  e os números musicais medíocres e redundantes. Tudo o que o brilhante “Coco”, da Pixar, faz bem, “Encanto” emula muito mal.

“Benedetta”

O subgénero da “nunsploitation” (freiras num convento com envolvência lésbico-erótica e elementos sobrenaturais) já nos deu filmes de qualidade tão variada como “Os Diabos”, de Ken Russell, “Freiras Perversas”, de Walerian Borowczyk, ou o famigerado “Cartas de Amor de uma Freira Portuguesa”, de Jesús Franco. É agora a vez de Paul Verhoeven entrar na dança com este “Benedetta”, inspirado na história de uma freira italiana do século XVII, Benedetta Carlini (Virginie Efira) que tinha visões e apresentava estigmas e foi vista como santa, mas foi depois acusada de ter relações lésbicas com uma noviça, e de blasfémia. Tirando uma sequência “softcore” com pretensões a chocar pelo uso de uma imagem religiosa, e uma visão pouco ortodoxa e muito sanguinolenta, “Benedetta” é um filme banal e surpreendentemente brando no gesto cinematográfico provocador e no discurso anti-religioso, para um realizador com a reputação iconoclasta de Verhoeven.

“Casa Gucci”

Ridley Scott adapta no seu novo filme o livro de Sara Gay Forden “The House of Gucci: A Sensational Story of Murder, Madness, Glamour, and Greed”, que conta a ascensão e queda da família Gucci e desta marca de luxo, centrando-se na figura da ambiciosa Patrizia Reggiani, a mulher de origens humildes que casou com Maurizio Gucci, o herdeiro da casa, e cuja ambição sem limites deu origem a uma história de discórdia, traição, vingança e assassínio, e à alcunha de “Viúva Negra” para aquela por parte dos media italianos. Lady Gaga interpreta Patrizia, acompanhada por Adam Driver, Jeremy Irons, Al Pacino, Salma Hayek e Jared Leto. “Casa Gucci” foi escolhido como filme da semana pelo Observador e pode ler a crítica aqui.

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