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José Urbina, militante do Partido Comunista da Venezuela (PCV) e conhecido ativista do estado de Apure, que nos últimos meses tem sido uma das vozes mais audíveis contra as violações dos direitos humanos que ali se têm sucedido, desde que no início do ano passado a guerra de narcotráfico entre o Exército de Libertação Nacional (ELN) e dissidentes das FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) passou para aquele lado da fronteira, foi assassinado horas depois de publicar um vídeo a exigir justiça e a interpelar o presidente Nicolás Maduro.

“Denuncio o Tenente Coronel Ramón Sánchez, comandante do destacamento da Guarda Nacional Bolivariana, estacionado em Puerto Páez, Estado de Apure, onde acaba de me ameaçar diretamente perante um grande número de pessoas porque estamos a fazer um protesto pacífico porque estão a retirar pessoas da nossa cidade. Ele é absolutamente responsável por tudo o que está a acontecer nesta cidade e eu considero-o responsável por tudo o que me acontecer e à minha integridade física ou a qualquer pessoa nesta cidade”, começou por dizer Urbina, que era também o responsável pela estação de rádio comunitária Frontera 92,5 FM, no vídeo entretanto partilhado nas redes sociais e descrito pelo El Mundo. “Este apelo vai para o Presidente Nicolás Maduro Moros, para o Procurador-Geral e para o Provedor de Justiça. É esta a união cívico-militar que querem?”

Horas depois, o militante comunista seria assassinado na sua própria casa, em frente à mulher e às filhas, que foram obrigadas a assistir à execução, com dez tiros. Outros ativistas dos direitos humanos, bem como vários elementos do PCV, têm identificado os agressores como membros do ELN, aliados do chavismo e do atual presidente: “Exigimos justiça para José Urbina, militante comunista e comunicador popular que foi vilmente assassinado. O camarada foi um participante ativo nas lutas populares em Apure. Chega de impunidade!”.

Óscar Figuera, secretário-geral do partido, reclamou publicamente justiça não apenas para José Urbina mas para todos os dirigentes comunistas assassinados nos últimos quatro anos junto àquela fronteira com a Colômbia. “Nenhum destes casos, tal como o assassinato de mais de 300 líderes camponeses em 22 anos, deve ficar impune”, acrescentou ainda, referindo-se ao tempo decorrido desde a chamada “revolução bolivariana” imposta por Hugo Chávez em 1999.

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