Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países da NATO reúnem-se este fim de semana em Berlim, na Alemanha, com a possibilidade de adesão da Finlândia e da Suécia a marcar a agenda do encontro — para o qual estão, aliás, convidados os ministros dos Negócios Estrangeiros daqueles dois países nórdicos, que poderão aderir à aliança militar nos próximos dias.

De acordo com o programa oficial divulgado pela NATO, o início do encontro está agendado para as 17h de Berlim (16h em Lisboa), altura em que deverão começar a chegar ao local do encontro os ministros da aliança. Para as 19h de Berlim (18h em Lisboa) está marcado um jantar de trabalho informal entre os ministros da aliança e os ministros da Finlândia e da Suécia.

A reunião de trabalho propriamente dita decorre durante a manhã de domingo, estando agendada para as 14h30 de domingo em Berlim (13h30 em Lisboa) uma conferência de imprensa conjunta do secretário-geral da NATO, Jens Stoltenberg, e do ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, anfitrião da cimeira.

Em cima da mesa durante este fim de semana estará a possibilidade, já praticamente dada como certa, de Suécia e Finlândia romperem com a sua histórica política de neutralidade e aderirem à NATO.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Como lembra a agência Reuters, é necessário recuar até ao século XVII para entender as relações complexas entre a Rússia e aqueles dois países. Nessa época, a Finlândia era uma região do reino sueco que o Império Russo tentou várias vezes conquistar, embora sem sucesso durante várias décadas — o que aumentou a tensão entre Suécia e Rússia.

NATO diz que adesão da Finlândia vai ser rápida e tranquila

Foi só mais tarde, em 1809, que o Império Russo conquistou a Finlândia à Suécia, anexando-a ao império como região autónoma. O então chamado Grão-Ducado da Finlândia manteve-se no Império Russo até à Revolução de 1917, ano em que se declarou independente da nova União Soviética — contra quem a Finlândia lutou durante a II Guerra Mundial, ao lado da Alemanha Nazi.

Depois da guerra, a Finlândia serenou as relações com a União Soviética através de um acordo de cooperação em 1948 que tornou o país bastante dependente de Moscovo e isolou Helsínquia do resto da Europa — e a Finlândia manteve-se militarmente neutra. Com o fim da Guerra Fria e o colapso da União Soviética, a Finlândia juntou-se à União Europeia, mas ficou de fora da NATO, para poder manter o não-alinhamento militar num país cuja manutenção da paz era garantida por relações estáveis com a Rússia.

Por outro lado, a Suécia manteve um estatuto de neutralidade durante a II Guerra Mundial e a Guerra Fria — e, até hoje, apesar de ser membro da União Europeia, também não pertencia à NATO, mantendo-se neutra em termos militares entre a Rússia e o Ocidente.

Finlândia vai avançar “sem demora” com pedido de adesão à NATO. Suécia deve fazer o mesmo na próxima semana. Kremlin já reagiu

A invasão da Ucrânia por parte da Rússia fez, contudo, mudar a opinião pública naqueles países, sobretudo na Finlândia, que partilha uma fronteira terrestre de mais de 1.300 quilómetros com a Rússia. Naquele país, onde até 2020 só 20% dos finlandeses queriam aderir à NATO, esta percentagem subiu agora para 76% na sequência da guerra na Ucrânia.

Na quinta-feira, a Finlândia anunciou o plano de pedir a adesão à NATO e a Suécia confirmou que vai discutir o assunto esta semana, devendo fazer o mesmo nos próximos dias. A Rússia reagiu dizendo que há o risco de uma guerra nuclear caso a NATO use a Finlândia e a Suécia para colocar armas nucleares perto da fronteira russa. Dentro da aliança, há um apoio generalizado à adesão dos dois países, embora a Turquia já tenha dito ser contra.

Presidente da Turquia opõe-se à entrada de Finlândia e Suécia na NATO