Chegou de manhã como na véspera, desta vez sozinho. Segundo soube o Observador, alguma coisa mudou nas reuniões que existiram entre Ronaldo e o empresário Jorge Mendes com elementos do Manchester United, do novo treinador Erik ten Hag ao CEO Richard Arnold, passando mesmo pelo ex-técnico e mentor Alex Ferguson. No entanto, e para já, não existem sinais visíveis do que poderá ter sido alterado na “novela de verão”, como já é apelidada em Espanha, algo que apenas se irá perceber em agosto. Assim, e conforme previsto, o avançado apresentou-se aos trabalhos em Carrington sem a presença do agente e de Ricardo Regufe, um dos melhores amigos do jogador e com ligações profissionais em várias vertentes como na representação da Nike, para um dia diferente daquele que teve no regresso, esta terça-feira de manhã.

Chegada com Mendes, presença de Ferguson, treino, reunião e uma mensagem enigmática: o dia de Ronaldo e as hipóteses em cima da mesa

O dia do Manchester United ficou marcado por jogo particular de preparação à porta fechada frente ao modesto Wrexham, das ligas não profissionais inglesas. Ronaldo, tal como outras referências da equipa como Bruno Fernandes, Marcus Rashford e Harry Maguire, viu os companheiros da bancada depois de ter feito um treino à parte com os restantes não utilizados. Os red devils ganharam por 4-1, depois do empate a um ao intervalo, e o primeiro golo foi marcado por Christian Eriksen, médio dinamarquês que esteve nos últimos seis meses no Brentford e que foi apresentado esta semana tal como Lisandro Martinez, central que chegou do Ajax e que teve também oportunidade de cumprir os minutos iniciais com a equipa.

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De Inglaterra, as notícias resumiram-se a isso; de outras partes da Europa, Ronaldo continuou a ser muito falado. E, na perspetiva de quem quer sair já este verão da formação inglesa, pelas piores razões.

Na Alemanha, Oliver Kahn, antigo guarda-redes e capitão que ascendeu a CEO do Bayern, explicou ao jornal Bild as razões que levaram o clube bávaro a deixar cair a hipótese de contratar o português. “Foi um tema discutido. Se não fosse assim, não estaríamos a fazer bem o nosso trabalho. Pessoalmente creio que o Cristiano Ronaldo é um dos melhores jogadores de sempre que houve no planeta mas chegámos à conclusão que, apesar de todo o apreço que sentimos por ele, não iria encaixar na nossa filosofia na situação atual”, justificou o ex-internacional germânico, fechando mais uma possível porta.

Em Espanha, as imagens que surgiram também não foram muito melhores. Logo de manhã, a União Internacional de Casas do Atl. Madrid emitiu um comunicado onde manifestou a discordância perante a possibilidade de contratação do avançado. ” “Dada a possibilidade da contratação de Cristiano Ronaldo ser algo mais do que um simples boato sem qualquer fundamento, manifestamos o nosso absoluto repúdio relativamente a uma hipotética incorporação do jogador no nosso clube, como já tínhamos declarado publicamente no dia 19 de julho”, começou por dizer no texto tornado público.

“O jogador mencionado representa a antítese dos valores que constituem a marca do Atl. Madrid, como o esforço, generosidade, simplicidade e humildade de quem quer defender os nossos valores. Mesmo partindo do princípio, apesar de não ser provável, que um jogador em franca decadência como Cristiano Ronaldo nos pudesse garantir um título, não aceitaríamos a sua contratação. O sentimento de pertença ao Atl. Madrid não é algo que esteja ao seu alcance, e jamais poderia alcançar reconhecimento no nosso clube. Por estes motivos, pedimos ao clube que rejeite a sua possível contratação, se é que em algum momento a tenham planeado”, completou a associação do clube de Madrid no mesmo comunicado.

Mais tarde, no jogo particular frente ao Numancia que terminou com a vitória dos colchoneros por 4-0 com golos de Lemar, Correa, Kondogbia e Matheus Cunha (e que teve uma situação anormal de um guarda-redes da equipa B, Antonio Gomis, estrear-se no conjunto principal como jogador de campo por lesão do central Mario Hermoso), vários adeptos fizeram questão de se manifestar também contra uma possível contratação do português, com um cartaz em inglês atrás de uma baliza com “Ronaldo is not welcome” (“Ronaldo não é bem-vindo”) e mais uma pequena tarja com o sinal de proibido em cima de CR7.

Ainda assim, a imprensa espanhola continua a manter em cima da mesa a possibilidade de Ronaldo poder reforçar o Atl. Madrid, variando nas soluções para poder colocar o jogador no plantel: para uns, a chave é mesmo a saída de Griezmann, pelo vencimento que tem e por ser avançado; para outros, a intenção será vender Morata e um outro jogador para poder equilibrar o plantel no plano desportivo e financeiro.

No entanto, as quatro hipóteses de saída levantadas pelo As são cada vez menores e menos prováveis – o Bayern desistiu oficialmente da possibilidade; o Chelsea já se manifestou interessado noutros alvos por decisão do técnico Thomas Tuchel; o Nápoles não fez qualquer oferta pelo avançado; e o Atl. Madrid, que teve o seu presidente Enrique Cerezo falar em algo “quase impossível”. É neste cenário que ganha força um de dois cenários: ficar em Manchester, o que voltou a repetir que não quer e por questões pessoais acima da possibilidade de jogar a Liga dos Campeões, ou ruma a outro clube. É aqui que entronca a hipótese de um regresso antecipado ao Sporting (pensado pelo jogador mas num momento final da carreira), algo que, neste contexto, daria outras possibilidades aos leões estando sempre dependentes da vontade de Ronaldo.