“Esta biblioteca seria uma casa aberta ao mundo, como só Eduardo Lourenço conseguiu articular os três planos e três escalas portuguesa, europeia e mundial”, lê-se na proposta apresentada pelo vereador do Livre, Rui Tavares, que foi subscrita pelo presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas (PSD).

Discutida na reunião pública da câmara, a proposta foi também subscrita pelo vereador da Cultura, Diogo Moura (CDS-PP), bem como pelos vereadores do PS e do Cidadãos Por Lisboa (eleitos pela coligação PS/Livre).

“Portugal não tem uma grande biblioteca pública de dimensão europeia e internacional, que, por exemplo, esteja aberta a toda a gente a todas as horas, prestando o serviço público que uma grande biblioteca pública hoje deve desempenhar”, refere a proposta, indicando que, no ano em que se assinala o centenário do nascimento de Eduardo Lourenço, em 23 de maio de 1923, “não haveria designação mais adequada para esse espaço que o de ‘Biblioteca Eduardo Lourenço'”.

A ideia desta biblioteca em homenagem a Eduardo Lourenço foi tornada pública em dezembro de 2020, subscrita por Rui Tavares, fundador do partido Livre, João Constâncio, diretor do Instituto de Filosofia da Universidade Nova de Lisboa, e Carlos Moedas, então administrador da Fundação Calouste Gulbenkian e atual presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

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Na proposta aprovada, a Câmara de Lisboa compromete-se a “apoiar publicamente” esta ideia e a “realizar os contactos necessários e adequados junto do Governo e de outras instituições, tendo em vista delinear o projeto desta biblioteca e o seu possível cofinanciamento pela União Europeia”.

Professor, filósofo, escritor, crítico literário, ensaísta e interventor cívico, Eduardo Lourenço nasceu em São Pedro de Rio Seco, concelho de Almeida, distrito da Guarda, em 23 de maio de 1923, e morreu em Lisboa, no dia 01 de dezembro de 2020.

Na reunião do executivo camarário, foram aprovadas, também por unanimidade, a proposta do Livre para a criação de um regulamento do bem-estar animal da cidade de Lisboa, a iniciativa do PCP para a prevenção estrutural do risco de catástrofes, inclusive de cheias.

A câmara viabilizou ainda o reconhecimento e distinção como Loja com História de seis estabelecimentos, designadamente a Cervejaria Portugália, em Arroios, a ferragens Fortunato e Antunes, em Alcântara, a aprestos Luis Godinho, na freguesia da Misericórdia, a Eletromelcar, Lda. – Barbearia Oliveira, em Campo de Ourique, a Pastelaria Aloma, também em Campo de Ourique, e a loja de material elétrico Silétrica, em Santa Maria Maior.

Por não preencher os critérios regulamentares necessários e correspetiva pontuação, a Drogaria Celeiro, em Santa Maria Maior, vê o seu pedido de reconhecimento e distinção como Loja com História indeferido, mas poderá recorrer da decisão.

O executivo aprovou também, com os votos contra do PCP e uma abstenção da vereadora Floresbela Pinto, do Cidadãos Por Lisboa, uma proposta do presidente da câmara para submeter à Assembleia Municipal a cessação do Protocolo de Amizade e Cooperação entre a cidade de Lisboa e a cidade de Moscovo até à retirada do exercito da Federação Russa do território ucraniano, que seja reconhecida pela Federação Russa a independência do território ucraniano e o julgamento da Federação Russa e dos seus agentes pela prática de crimes de guerra no Tribunal Internacional de Justiça.

Antes da ordem do dia, a câmara aprovou um voto de saudação apresentado pela liderança PSD/CDS-PP sobre a gratuitidade do transporte coletivo no município de Lisboa para residentes jovens e maiores de 65 anos, que teve a abstenção de todos os vereadores da oposição por considerarem um “autoelogio”.

Foi rejeitado um voto de solidariedade do BE e subscrito pelo Livre, para com o Centro Comercial STOP, um polo cultural da cidade do Porto, em que o presidente da Câmara de Lisboa exerceu o voto de qualidade após o empate na votação, que teve sete votos contra de PSD/CDS-PP, três abstenções do PS e seis votos a favor, nomeadamente três do Cidadãos Por Lisboa, dois do PCP, um do BE e um do Livre.

“É impensável, para mim, abrir este precedente de imiscuir-nos de temas que são de outras autarquias”, justificou Carlos Moedas.