O momento do Sporting dificilmente poderia ser melhor. À entrada para a última semana de fevereiro, os leões levam cinco vitórias consecutivas em todas as competições, estão na liderança do Campeonato em igualdade pontual com o Benfica e com menos um jogo do que os encarnados e têm quebrado recordes de pontos, golos marcados e séries positivas. Tudo parece correr bem em Alvalade — e tudo ficaria ainda melhor se o apuramento para os oitavos de final da Liga Europa ficasse confirmado esta quinta-feira.

Os leões recebiam o Young Boys depois da vitória da semana passada em Berna e do triunfo do fim de semana em Moreira de Cónegos e procuravam voltar a ganhar para não deixar a qualificação em causa e seguir em velocidade-cruzeiro para a próxima jornada do Campeonato. Mas Rúben Amorim não permitia que a equipa ficasse demasiado confortável e alertava para as exibições que os suíços fizeram na fase de grupos da Liga dos Campeões, particularmente contra o Manchester City.

Ficha de jogo

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Sporting-Young Boys, 1-1 (4-2 no conjunto das duas mãos)

Playoff de acesso aos oitavos de final da Liga Europa

Estádio José Alvalade, em Lisboa

Árbitro: Ivan Kružliak (Eslováquia)

Sporting: Adán, Eduardo Quaresma (Luís Neto, 80′), Diomande, Gonçalo Inácio (Nuno Santos, 45′), Ricardo Esgaio, Hjulmand (Koba Koindredi, 63′), Daniel Bragança, Matheus Reis, Marcus Edwards, Trincão (Pedro Gonçalves, 63′), Gyökeres

Suplentes não utilizados: Franco Israel, Jeremiah St. Juste, Coates, Morita, Geny Catamo, Iván Fresneda, Rafael Pontelo, Rafael Nel

Treinador: Rúben Amorim

Young Boys: David von Ballmoos, Saidy Janko (Lewin Blum, 61′), Fabian Lustenberger, Aurèle Amenda, Jaouen Hadjam (Noah Persson, 61′), Darian Males, Sandro Lauper (Łukasz Łakomy, 78′), Cheikh Niasse, Joël Monteiro, Cedric Itten (Silvère Ganvoula, 61′), Meschak Elia (Joel Mvuka, 67′)

Suplentes não utilizados: Dario Marzino, Anthony Racioppi, Mats Seiler, Malík Deme, Ebrima Colley

Treinador: Raphaël Wicky

Golos: Gyökeres (13′), Silvère Ganvoula (84′, gp)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Aurèle Amenda (86′)

“Espero vencer. Mas também espero um jogo muito difícil. Não apostamos nas transições ou no ataque organizado, aproveitamos o que o adversário nos dá. Olhando para o Young Boys, se eles pressionaram o Manchester City, também vão pressionar o Sporting. Têm de marcar golos, assim como nós. Marcando um golo, ajuda muito no desenrolar do jogo. Acho que vão mudar algumas peças e isso vai mudar a forma de atacar do adversário. Teremos também de fazer alguma rotação. É um jogo perigoso, porque não há a vantagem dos golos fora. Está tudo em aberto, mas estamos em vantagem pelo que mostrámos na Suíça, por jogarmos com os nossos adeptos e no nosso relvado. Vamos ter de sofrer e correr muito”, disse o treinador leonino na antevisão da partida.

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Assim, neste contexto e tal como antecipou, Amorim fazia mesmo alguma gestão e deixava Coates, Morita, Pedro Gonçalves, Nuno Santos e Geny Catamo no banco de suplentes, apostando em Diomande (que jogava pela primeira vez depois da CAN), Daniel Bragança, Marcus Edwards, Matheus Reis e Ricardo Esgaio. St. Juste estava recuperado e era opção, enquanto que Paulinho voltava a ser baixa por lesão. Do outro lado, depois de também ganhar para o Campeonato no fim de semana e sem contar com o lesionado Filip Ugrinic, Raphaël Wicky lançava Elia, Itten e Joël Monteiro no trio ofensivo do Young Boys.

Os 10 minutos iniciais deram o mote para a partida, com o Sporting a demonstrar-se totalmente superior a um adversário que não demonstrava capacidade para contrariar a pressão alta e eficaz do conjunto português. Ainda dentro do primeiro quarto de hora, na primeira oportunidade do jogo, Gyökeres voltou a deixar claro que é quase inevitável: Bragança combinou com Edwards, o inglês deixou em Trincão e o avançado soltou o sueco, que aguentou a carga de dois adversários e atirou de pé esquerdo já na área para abrir o marcador (13′).

O encontro abriu ligeiramente depois do golo, com o Young Boys a subir as linhas e a assumir algum risco, mas o Sporting não tremia. A equipa de Rúben Amorim aproveitava a apatia dos suíços para controlar as ocorrências com bola e sem precisar de acelerar muito, gerindo o esforço físico e embarcando num entusiasmo das bancadas que confirmava que a eliminatória estava praticamente decidida.

A primeira aproximação do Young Boys à baliza de Adán surgiu já perto da meia-hora, com Itten a rematar para o guarda-redes espanhol defender junto ao poste (27′), e Gonçalo Inácio anulou outra eventual oportunidade dos suíços ao antecipar-se a Monteiro (38′). Os leões voltaram a ficar perto do golo já na ponta final da primeira parte, com um desvio de Gyökeres que Von Ballmoos encaixou (40′), um remate ao lado de Bragança (45′) e um falhanço de Edwards com a baliza aberta (45+1′) e já pouco mais aconteceu.

Ao intervalo, o Sporting estava a vencer o Young Boys com muita tranquilidade e tinha o apuramento praticamente garantindo, abrindo até a porta à possibilidade de Rúben Amorim fazer mais poupanças na segunda parte. Os leões dominavam com bola, não permitiam quase nada ao adversário e nem precisavam de ser particularmente acutilantes ou agressivos para ameaçar o segundo golo.

Rúben Amorim mexeu logo ao intervalo e poupou Gonçalo Inácio para lançar Nuno Santos, com Matheus Reis a integrar o trio de centrais e o ala português a ficar responsável pelo corredor esquerdo. A toada do jogo mantinha-se, sem grandes aproximações às balizas ou acelerações de parte a parte, ainda que o Young Boys parecesse ligeiramente mais solto e subido no relvado.

O Sporting teve uma grande oportunidade para aumentar a vantagem já perto da hora de jogo, quando Trincão foi carregado em falta por Lustenberger na grande área suíça, mas Gyökeres permitiu a defesa de Von Ballmoos e desperdiçou a grande penalidade (57′). Raphaël Wicky mexeu pela primeira vez nesta fase, lançando três jogadores de uma vez, e Rúben Amorim tentou responder a uma fase menos consistente dos leões com a entrada de Koindredi e Pedro Gonçalves.

Daniel Bragança teve uma enorme ocasião para marcar pouco depois, ao surgir na cara de Von Ballmoos a permitir a defesa do guarda-redes depois de um grande lance de Edwards na direita (64′), e Males colocou a bola no fundo da baliza de Adán de cabeça mas viu o golo ser anulado por fora de jogo (66′). O Sporting conseguiu recuperar o domínio absoluto do jogo nos últimos 20 minutos, com Nuno Santos a rematar por cima (75′) e Gyökeres a cabecear também sobre a trave (76′) e a ser travado pelo guarda-redes quando estava isolado (82′), mas acabou por deixar que as oportunidades desperdiçadas abrissem a porta ao empate.

Já nos últimos minutos, Edwards tocou com a mão na bola na área leonina e Ganvoula bateu Adán na conversão da grande penalidade (84′), empatando o jogo. Já pouco aconteceu até ao fim e o Sporting acabou por não conseguir ir além da igualdade contra o Young Boys, carimbando o apuramento para os oitavos de final da Liga Europa. Num dia em que os leões foram perdulários e poderiam ter goleado, Gyökeres falhou uma grande penalidade e várias oportunidades e mostrou que até ele tem dias assim: de muita parra e pouca uva.