Luís Montenegro considera que as eleições europeias, que em Portugal se realizam a 9 de junho, acontecem no “pior dia” do calendário, porque coincidem com “uma semana propícia para o descanso e para as férias”. Esse será um dos principais desafios para o próximo mês e que vai exigir “sensibilização” junto dos eleitores para a importância de participarem numas eleições que — avisou também o primeiro-ministro, no dia em que apresentou a lista da Aliança Democrática às europeias — “não são a desforra das legislativas”.

Em Aveiro, Montenegro apresentou-se com um conjunto de recados para o PS e para o Chega. O primeiro-ministro desafia os dois partidos a clarificar os portugueses sobre se querem “legislar em conjunto”. Com uma maioria relativa no Parlamento, Montenegro disse a Pedro Nuno Santos e a André Ventura que a oposição “tem a responsabilidade de deixar governar e de não adulterar” o trabalho do Executivo. Se pretendem unir esforços e ditar a agenda legislativa, desafia o líder social-democrata, então que “aproveitem agora” para assumir essa vontade.

No final desta semana, os deputados aprovaram várias propostas de revisão dos escalões do IRS (e permitiram que a proposta do governo baixasse à especialidade sem votação). Com esse processo em mente, Montenegro avisou os líderes do PS e Chega de que, se “querem recomendar ao Governo, podem recomendar”. Mas se o objetivo é impor as suas propostas de revisão do IRS, então “isso é governar” e, como tal, “têm de apresentar um Governo alternativo”.

De qualquer forma, atirou o primeiro-ministro, as europeias não serão uma espécie de segunda volta das legislativas de 10 de março. Nessa eleição, Montenegro diz estar pronto para ser um “soldado” no terreno e “correr o país” a defender a lista e as propostas da Aliança Democrática para o Parlamento Europeu. Criticado por ter lançado Sebastião Bugalho como cabeça de lista, o social-democrata devolve a crítica. Coloca-se ao lado dos que, “mesmo não tendo militância partidária, aceitam representar Portugal no Parlamento Europeu” — caso do até agora comentador e ex-jornalista que é número um da lista da AD — e atira a quem escolheu candidatos que já tinham sido afastados do Governo. “Não fomos buscar alguém que despedimos lá atrás”, disse Montenegro, numa alusão a Marta Temido (que, na verdade, saiu do Governo por iniciativa própria em agosto de 2022).

Ainda num misto de planos políticos — entre o país e a Europa —, e em nome da “coerência política”, Montenegro entende que o PSD é “o único [partido] que não tem problemas de coerência. Podemos dizer na campanha o que dissemos na passado. E vamos poder dizer em Portugal o que dizemos na Europa, mas há muitos que não vão poder fazer o mesmo”.

A crítica ia dirigida, primeiro, aos socialistas: “O PS vai ter muita dificuldade em dizer porque é que em Portugal aceita ter visão de Governo e partilha de Governo com partidos que não confiam na União Europeia, nem no euro, nem na NATO. O PS tem essa dificuldade.” E, depois, ao Chega: “Vai ter de explicar em Portugal porque anda de mão dada, de braço dado na Europa, com partidos italianos, franceses, alemães, que defendem o regime russo de Putin.”

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