A Finlândia acusou a tripulação a bordo de um petroleiro acusado de sabotar cabos submarinos de energia e comunicações no Mar Báltico de estar pronta para cortar outras comunicações e oleodutos, sendo apenas impedida pelas autoridades finlandesas que abordaram o navio.

A acusação, feita por Risto Lohi, da Agência Nacional de Investigação da Finlândia, surge no contexto de um alegado ato de sabotagem perpetrado pelo petroleiro Eagle S no final de dezembro, suspeito de danificar o Estlink 2 — a infraestrutura elétrica que liga a Finlândia à Estónia — e de fazer parte de uma “frota fantasma” de navios ao serviço da Rússia.

Rasto com quase 100 quilómetros encontrado junto a cabo elétrico submarino da Estónia que se suspeita ter sido sabotado pela Rússia

O Eagle S é suspeito de ter danificado o Estlink 2 e outros quatro cabos de telecomunicações ao ter arrastado uma âncora pelo leito marinho ao longo de cerca de 100 quilómetros. No entanto, Lohi afirmou à agência Reuters que o navio ameaçava cortar um segundo cabo elétrico, o Estlink1, e o gasoduto BalticConnector, entre a Finlândia e a Estónia, no momento em que foi apreendido.

O navio continua retido na Finlândia no decurso das investigações ao incidente, tendo o inspetor adiantado também que subiu para nove o número de membros da tripulação numa lista de pessoas a ser tratadas como suspeitas e impedidas de viajar. Os suspeitos são tripulantes responsáveis pela navegação do navio ou pela utilização das suas âncoras.

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A maioria dos 24 tripulantes do Eagle S são cidadãos da Índia e da Geórgia, sendo que o capitão é também georgiano. Apesar de estar registado nas Ilhas Cook e de ser propriedade de uma empresa de navegação com sede no Dubai, o petroleiro encontra-se sob suspeita de fazer parte da “frota fantasma” russa, utilizada para o transporte de produtos petrolíferos russos sujeitos a embargos após a invasão da Ucrânia.

Este incidente faz parte de uma sequência de cortes nas ligações elétricas, de telecomunicações e nos gasodutos do mar Báltico desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em 2022. Em novembro, por exemplo, dois cabos de fibra ótica foram danificados nas águas entre a Suécia e a Dinamarca, num aparente ato de sabotagem atribuído ao Yi Peng 3, um cargueiro chinês.

NATO vai enviar dois navios para o Mar Báltico para evitar ações de sabotagem

Como resultado destes atos, a NATO anunciou no dia 10 o envio de dois navios para o Mar Báltico para vigiar potenciais novas tentativas de sabotagem. Além disso, a Finlândia vai acolher uma cimeira dos países da NATO que fazem fronteira com o Mar Báltico esta terça-feira para discutir a segurança na região, especialmente as medidas necessárias para proteger as infraestruturas subaquáticas críticas após os recentes incidentes.

Durante esta cimeira, a ser co-presidida pelo Presidente da Finlândia, Alexander Stubb, e pelo primeiro-ministro da Estónia, Kristen Michal, será discutido o reforço da presença da NATO no Mar Báltico e a resposta à ameaça da “frota fantasma russa”.