Os comissários e altos funcionários da Comissão Europeia receberam diretrizes para levarem telemóveis descartáveis quando viajarem para os Estados Unidos — na próxima semana — no âmbito das reuniões do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, que ocorrerão de 21 a 26 de abril. O objetivo é evitar o risco de espionagem.
Nas reuniões, que decorrerão em Washington, vão estar presentes, segundo o Financial Times, Valdis Dombrovskis, responsável pela pasta da Economia, Maria Luís Albuquerque, comissária dos Serviços Financeiros, e Jozef Síkela, comissário para a Ajuda ao Desenvolvimento.
Os três funcionários foram, ainda, aconselhados a garantir que os vistos de entrada nos Estados Unidos estão associados aos seus documentos diplomáticos (os chamados laissez-passer) e não aos passaportes pessoais.
As medidas recomendadas são idênticas às utilizadas nas viagens à Ucrânia e à China, onde não é possível entrar com equipamento informático normal por receio de espionagem russa ou chinesa. “Eles estão preocupados com o facto de os Estados Unidos entrarem nos sistemas da Comissão Europeia”, afirmou um funcionário ao mesmo jornal.
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Para Luuk van Middelaar, diretor do Instituto de Geopolítica de Bruxelas, a ideia adotada pela Comissão Europeia é compreensível, uma vez que os profissionais norte-americanos que trabalham no controlo de fronteiras têm o direito de inspecionar os dispositivos eletrónicos dos visitantes. “Washington não é Pequim nem Moscovo, mas é um adversário propenso a utilizar métodos extralegais para proteger os seus interesses e reforçar o seu poder”, afirmou.
Van Middelaar recordou, ainda, que a administração de Barack Obama foi acusada de espiar, em 2013, o telemóvel da então chanceler alemã, Angela Merkel. “Mesmo administrações democráticas recorrem a estas táticas. A Comissão Europeia está apenas a aceitar a realidade”, rematou.
A decisão surge no contexto do regresso de Donald Trump à Casa Branca e na consequente guerra comercial entre os Estados Unidos e a Europa. Maroš Šefčovič, comissário europeu do Comércio, encontra-se, inclusive, em Washington para negociar com o secretário do Comércio norte-americano, Howard Lutnick, uma form de atenuar a guerra de tarifas em curso.