O candidato presidencial João Cotrim de Figueiredo considera que o seu adversário Luís Marques Mendes deu uma “prova de fraqueza” por recorrer a Luís Montenegro logo no início da campanha. E sugeriu que o presidente do PSD “se calhar está arrependido da escolha do candidato que fez”, por Marques Mendes não conseguir mobilizar todo o eleitorado da AD.
“Apenas respondi a um apelo ao voto útil. Registo que pessoas com responsabilidades democráticas fazem um apelo bastante precoce ao voto numa segunda ou terceira escolha”, atira Cotrim de Figueiredo, em resposta ao pedido de Luís Montenegro para que os liberais votem em Marques Mendes para evitar o risco de uma segunda volta entre André Ventura e Gouveia e Melo.
“Isto agora parece estar a preocupar tanto o PSD que vem o presidente do partido tentar apelar ao voto útil no seu candidato. Não seria necessário, se o candidato fosse capaz de mobilizar todo o eleitorado da AD”, acrescentou o eurodeputado e ex-líder da Iniciativa Liberal.
“Um candidato sentir necessidade de ir buscar tão precocemente o apoio de um peso pesado, que é o presidente do partido com mais assentos no parlamento, é uma prova de fraqueza de facto”, respondeu ainda Cotrim de Figueiredo.
Daria a ordem no lugar de Trump? “É o tipo de resposta que eu não vou dar assim em pé”
O candidato falava aos jornalistas no fim da visita a um lar em Santarém, onde tentou captar eleitorado mais sénior, para mostrar que não se preocupa apenas com o voto dos mais jovens.
Voltando ao tema da Venezuela, manifestou “agrado pela deposição de um ditador”, mas também preocupação com o precedente da violação de direito internacional, “para fazer uma operação que até nos pode agradar quanto ao desfecho final e amanhã pode resultar noutra coisa completamente diferente”.
Cotrim de Figueiredo lamentou que não haja relato de libertação de presos políticos, por exemplo. E considerou “perigosíssimo” que sejam os EUA a gerir a Venezuela durante um período de transição: “Ninguém sabe o que quer dizer gerir, ninguém sabe quanto tempo é que isso significa, nem ninguém sabe que interesses políticos e económicos vão ser servidos durante esse período de transição”.
“O dia seguinte não foi planeado, não foi previsto, havia um objetivo de capturar e julgar Nicolás Maduro, não vou aqui chorar lágrimas de crocodilo sobre esse tema, mas tudo o resto do que diz respeito à política internacional preocupa-me muitíssimo, porque voltamos a um mundo em que impera a lei do mais forte, e nesse mundo da lei do mais forte Portugal não está particularmente bem apetrechado”, admitiu.
Questionado sobre se teria dado ordem para o ataque se estivesse no lugar de Trump, evitou responder: “Não me consigo imaginar no lugar de Trump. Essas perguntas retóricas sobre uma realidade que é muito diferente da nossa, com poderes muito diferentes dos nossos, com conhecimento da situação no terreno da Venezuela muito diferente da nossa, é o tipo de resposta que eu não vou dar assim em pé. Se quiserem uma resposta completa a isso daqui a 72 horas eu dou, mas é um tratadozinho de política internacional.”