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O líder do Chega revelou nesta terça-feira que falou com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, sobre as Lajes e indicou que deu a sua concordância à utilização da base para abastecimento ou apoio e não para ataque ao Irão.

“Tive a oportunidade de falar com o primeiro-ministro sobre a questão do uso da Base das Lajes e concordámos previamente nesta formulação que foi apresentada no sentido de garantir que a base das Lajes será utilizada, não para operações de ataque direto, mas para operações de abastecimento, operações de apoio, de cooperação e tudo aquilo que veio no comunicado formal do Governo”, afirmou.

Em conferência de imprensa na sede do Chega, em Lisboa, André Ventura explicou que foi contactado pelo Governo e discutiu com o primeiro-ministro a uma formulação que considerou ser “equilibrada e ajustada“.

O líder do Chega alertou para o “impacto que teria, não só no conflito diretamente, mas sobretudo nas relações transatlânticas, a rejeição ou a proibição do uso da Base das Lajes às forças norte-americanas”.

Ventura considerou que “Portugal deve ser exigente com o uso da Base das Lajes”, mas defendeu que “a mera proibição, como alguma esquerda quer fazer crer, a sua mera obstaculização política, sem nenhum motivo de base jurídica ou de tratado, seria visto, simplesmente, como um corte mais ou menos permanente nas relações com os aliados“.

“É nos momentos em que há conflitos que Portugal se deve assumir ao lado dos seus aliados e não contra os seus aliados”, sustentou.

O presidente do Chega defendeu que a “utilização da base das Lajes deve cumprir determinados requisitos e determinadas exigências, mas não é exclusiva para o quadro da NATO, nem é exclusiva para operações de natureza multiforme no quadro quer da NATO, quer da Organização das Nações Unidas”.

Ventura disse que, segundo a informação dada ao partido, os “deveres de informação têm sido cumpridos por parte dos Estados Unidos da América em relação ao uso da base para efeitos do transporte de determinados e variados materiais, para operações de reabastecimento e também para operações de apoio”.

“Tanto quanto se sabe também até este momento, nenhuma operação de ataque direto partiu das Lajes com base na nossa própria base militar”, afirmou.

Sobre o conflito, o presidente do Chega considerou que Portugal deve “estar do lado das democracias e não do lado dos movimentos terroristas e das ditaduras” e desejou que o Irão possa agora evoluir “no sentido democrático”.

André Ventura considerou que “o que é desejável no mundo é que a diplomacia funcione” e apontou “uma falha do Irão muito significativa, com a ambição descontrolada de ter armas nucleares”.

E defendeu que Portugal deve “salvaguardar os seus interesses e garantir a presença, se necessário, nas forças que forem necessárias para salvaguardar a defesa coletiva, para cumprir os acordos internacionais e, sobretudo, para garantir os interesses económicos, financeiros e políticos do país”.

Israel e Estados Unidos lançaram no sábado um ataque militar contra o Irão, para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.

O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visa “eliminar ameaças iminentes” do Irão e o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justifica a ação conjunta contra o que classificou como uma “ameaça existencial”.

O Irão já confirmou a morte do ayatollah Ali Khamenei, o líder supremo do país desde 1989 e decretou um período de luto de 40 dias.

Segundo o Crescente Vermelho iraniano, os ataques de Israel e dos Estados Unidos já fizeram 787 mortos desde sábado. O Exército dos Estados Unidos confirmou a morte de seis militares norte-americanos.

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