Parabéns, Seinfeld. A série de televisão que pôs os norte-americanos (e não só) a rir na década de 1990 faz esta sexta-feira 25 anos. Foram 180 episódios em nove temporadas de riso, com Jerry, George, Kramer e Elaine a retratarem a mítica cidade de Nova Iorque, a partir de um pequeno apartamento em Manhattan.
Criada por Jerome “Jerry” Seinfeld, inspirada em Seinfeld e protagonizada por Seinfeld, a série de comédia que precedeu sucessos como o de Friends, Sex and the city, ou êxitos mais recentes como a How I met your mother e Modern family ainda não teve quem lhe seguisse o género.
A Fox vai tentar, em breve, com Mulaney, a série que Reilly, responsável pelo entretenimento do canal norte-americano, adiantou ter “os ingredientes para ser a Seinfeld da nova geração”. Conseguirá o protagonista de Mulaney cativar os jovens de hoje tal como Seinfeld cativou os da década de 90?
As relações de Jerry com as mulheres eram um dos temas recorrentes em Seinfeld. (Getty Images)
O buraco de uma geração existe, diz a revista norte-americana Time. Se quem tem hoje mais de 30 anos consegue ter memória da série e ver em Seinfeld e nos amigos uma referência, quem nasceu na década de 1990 pode nunca ter rido com o estilo inconfundível de Jerry, o comediante, George, o melhor amigo, Kramer, o vizinho e Elaine, a ex-namorada, e não saber que expressões como “No soup for you”, “Master of your domain” ou a mítica “yada, yada, yada” têm na série a sua génese.
Para James Poniewozik, crítico de televisão da Time, a série que nos últimos 25 anos pode ter chegado mais perto do estilo “mercenário e alegre” de Seinfeld foi a Always Sunny in Philadelphia. Mas não chegou a continuar com o legado deixado pelos quatro amigos. “No final destes 25 anos, a série encontra-se como o quarteto de personagens se encontrava no final – sozinhos no seu próprio mundo, auto-suficientes”, diz Poniewozik, para quem o facto de Seinfeld ser inimitável é uma forma de medir o seu sucesso.
“Existirão sempre muitos poetas desvairados, mas só existe exatamente um William Blake”, adianta Poniewozik, para ilustrar a autenticidade de Seinfeld.
E porque é que a série, que é uma versão ficcional do próprio autor, continua a ser diferente de outras comédias televisivas? “Porque tem a pureza de um comediante que se foca na santidade da piada, acima de qualquer outro sentimento, com a qualidade de ser relacionável, de ter um sentido social maior – que ainda faz parecer, com vigor, que nos ‘estamos a borrifar’”, refere.
Para o crítico, a série que faz esta sexta-feira 25 anos transcede gerações e o próprio tempo. É por isso que não acredita que seja possível imitá-la. Acerca da Mulaney, confessa que já viu o episódio piloto e que tem algumas semelhanças com Seinfeld, mas que ainda precisa de tempo para “se encontrar a si própria”.
Se será a próxima Seinfeld ou se vai brilhar pela sua autenticidade não se sabe, mas como escreveu Poniewozik: “como é que uma série se torna na próxima Seinfeld? Não a sendo”.