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MIGUEL A. LOPES/LUSA

MIGUEL A. LOPES/LUSA

24 meses de Marcelo, em 24 frases

Faz hoje dois anos que Marcelo Rebelo de Sousa tomou posse como Presidente da República. Do namoro com o Governo, debaixo de um guarda guarda-chuva em Paris, à tragédia dos incêndios.

Dois anos de Marcelo Rebelo de Sousa em Belém e de muitas declarações de um Presidente da República que se diz hiperativo e que quem fala por Belém é ele mesmo. O resultado tem sido uma catadupa de declarações que, por si só, permitem retratar aquele que tem sido o seu mandato. Marcelo começou firme ao lado do Governo, elogioso do sucesso da solução governativa engendrada por António Costa, mas duro com o primeiro-ministro quando o país viveu a tragédia imensa dos incêndios, em junho e outubro do último ano. E até desencadeou uma demissão. O último ano foi marcante para o Presidente dos afectos.

"Há um clima mais descrispado, mais sereno, mais calmo na vida portuguesa e é este viver de uma forma habitual naquilo que eu chamo estabilidade política, económica, social e financeira é bom para o país."
Poucos dias depois da tomada de posse, a avaliar o estado anímico do país
"As pessoas estavam com um certo défice de esperança, é preciso preencher o défice. Fala-se de défice de tudo, de défice do orçamento, e não se fala do défice de esperança, que existiu durante uns anos em Portugal e é bom que esse défice seja vencido rapidamente."
Numa visita a Beja, em abril de 2016
"Desiludam-se aqueles que pensam que o Presidente da República vai dar um passo sequer para provocar instabilidade neste ciclo que vai até às autárquicas. Depois das autárquicas, veremos o que é que se passa."
Em maio de 2016, a defender que os governos são para durar uma legislatura mas a apontar para um ciclo político a terminar nas autárquicas
"Eu veria do outro lado da História, um pouco com o espírito habitual do senhor primeiro-ministro, aquele seu otimismo crónico e às vezes ligeiramente irritante."
A junho de 2016, a avaliar o estado de espírito do primeiro-ministro
"Estão a ver o que é a colaboração entre os dois poderes? Vejam bem: quem tem o guarda-chuva é um primeiro-ministro de esquerda, e quem é apoiado é um presidente que vem da direita. É solidariedade.”
Em Paris, numa visita com o primeiro-ministro à comunidade portuguesa, enquanto Costa lhe segurava o chapéu de chuva durante um discurso
"Foi o povo quem, nos momentos de crise, soube compreender os sacrifícios e privações em favor de um futuro mais digno e mais justo. O povo, sempre o povo, a lutar por Portugal. Mesmo quando algumas elites - ou melhor, as que como tal se julgavam - nos falharam."
No 10 de junho de 2016
"Sofremos muito, mas mostramos aquilo que somos, resistentes, unidos, capazes de aguentar tudo. Aquela contrariedade do Cristiano Ronaldo, as dificuldades enormes em relação a cargas aos nossos jogadores, o cansaço enorme e depois a capacidade de mudar a tática, refazer o jogo, dominar o prolongamento, nomeadamente a segunda parte, com uma inteligência, que é Portugal no seu melhor."
Sobre a final do Euro 2016 ganha pela seleção portuguesa em julho
"O bom senso imporia que não se aplicasse sanção nenhuma ao Governo de Passos Coelho, que não merece, e não aplicar sanção nenhuma ao Governo de António Costa que, na pior das hipóteses, ainda não merece, e na melhor das hipóteses nunca merecerá."
Em julho de 2016, sobre a possibilidade de Portugal ter sanções europeias por violação do limite de défice
"Já imaginou o que é consenso entre biliões de neurónios? Se é possível esse consenso há de ser possível o consenso entre meia dúzia de partidos."
Na Suíça, em outubro de 2016, a aproveitar uma visita a um campus de biotecnologia para enviar um recado político
"A coligação de esquerdas superou as expectativas."
Em entrevista ao El País, em fevereiro de 2017, sobre a coligação em Portugal
"É obra, há que reconhecer, do Governo anterior, mas é em larga medida obra deste Governo."
Sobre a reduão do défice, em fevereiro de 2017
"Está de pedra e cal, é cimento armado."
Sobre a solução de Governo, ao Expresso, em março de 2017
"Eu às vezes digo: não, o senhor primeiro-ministro irrita-me um bocadinho, porque é evidente que há problema e está a tentar explicar-me que não há esse problema, e não me entra na cabeça. E depois recorro a um argumento de autoridade, a que não se deve recorrer: é que eu ando a analisar a política portuguesa há 50 anos."
Em abril de 2017, sobre as conversas com o primeiro-ministro
"Não era possível fazer mais, há situações que são situações imprevisíveis e quando ocorrem não há capacidade de prevenção que possa ocorrer, a capacidade de resposta tem sido indómita."
Em junho de 2017, a primeira reação sobre o incêndio de Pedrógão Grande
"Pensando no prestígio de Portugal, no prestígio das Forças Armadas, pensando na autoridade do Estado e na segurança das pessoas, é muito simples: tem de se apurar tudo, de alto a baixo, até ao fim, doa a quem doer."
Em junho, depois do roubo de material militar em Tantos
"É justificável que se peça desculpa. Quem não entenda isto, humildade cívica e rutura com o que não provou ou não convenceu, não entende nada do essencial que se passou no nosso país."
Em julho de 2017, o discurso sobre a tragédia já era mais grave
"Eu quando viro à direita em Portugal, a direita está distraída a bater na esquerda, não nota. Em vez de aproveitar, não nota."
Em setembro de 2017, mais um recado político, desta vez à direita
"Por muito que a frieza destes tempos cheia de números e chavões políticos convidem a banalizar, estes 100 mortos não mais sairão do meu pensamento, com o peso enorme na minha consciência como no meu mandato presidencial. Estas mortes representam a fragilização dos portugueses. A fragilidade existe e exige uma resposta rápida e convincente."
Em outubro de 2017, perante nova tragédia com incêndios, agrava o discurso numa declaração ao país
"Quem não entenda isto, humildade cívica e rutura com o que não provou ou não convenceu, não entende nada do essencial que se passou no nosso país."
Ainda a mesma declaração ao país, dirigindo-se de forma indireta ao primeiro-ministro
"Abrir um novo ciclo obrigará o Governo a ponderar o quê, quem, quando e como melhor serve este ciclo.”
Mais uma frase da mesma declaração ao país. A ministra da Administração Interna demitiu-se no dia seguinte.
"A existência de duas eleições em 2019 não pode, nem deve, significar cedência a eleitoralismos, que, além do mais, acabem por alimentar surtos sociais inorgânicos, depois difíceis de enquadrar e satisfazer.”
Em dezembro de 2017, quando promulgou o Orçamento do Estado para 2018
"Quando olham agora para Portugal olham para o país que tem o presidente do Eurogrupo. Não é exatamente a mesma coisa. Era um patinho feio, para muitos, muito feio, há dois anos, e agora, de repente, é um cisne resplandecente.”
Em dezembro de 2017, sobre a candidatura do ministro das Finanças português para o Eurogrupo
"Nesses nossos compatriotas que merecem ser, neste Natal, ainda mais lembrados, estão os que viram as suas vidas paradas, adiadas, desfeitas pelas tragédias de Junho e de Outubro."
Numa mensagem de Natal, publicada no Jornal de Notícias
"Estranho e contraditório ano esse, que ontem terminou, e que exigiu tudo de todos nós (...) O passado – bem recente – serve para apelar a que, naquilo que falhou em 2017, se demonstre o mesmo empenho revelado naquilo que nele conheceu êxito. Exigindo a coragem de reinventarmos o futuro. O ano que hoje começa tem de ser, portanto, o ano dessa reinvenção."
Na mensagem de Ano Novo, a 1 de janeiro de 2018

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