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Pedro Nuno Santos tem evitado responder em demasia a críticas do adversário
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Pedro Nuno Santos tem evitado responder em demasia a críticas do adversário

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Pedro Nuno Santos tem evitado responder em demasia a críticas do adversário

JOÃO PORFÍRIO/OBSERVADOR

Apoiado por Beleza, Pedro Nuno fez "política à antiga" e evitou meter-se em "gavetas"

À porta do Hospital de Santa Maria, candidato ao PS defendeu imagem de moderação e recusou debater com adversário para não dar argumentos à direita. Beleza concordou e explicou apoios moderados.

Pedro Nuno Santos estava na tarde desta quinta-feira em frente ao Hospital de Santa Maria, pronto a fazer declarações junto ao seu mais recente apoiante, Álvaro Beleza, quando a logística começou a atrapalhar. Com sol de início de tarde a bater nos olhos do socialista e dos jornalistas, estes pediram ao candidato que mudasse de posição antes de falar às televisões. Seguir-se-ia o diálogo, gravado pelos microfones, que acidentalmente ilustra o tema que marca este arranque de campanha interna:

— Eu vou… Estavam a puxar-me e eu fico sem saber onde é que me tenho que posicionar, queixou-se o candidato.

— Tem que ser mais ao centro neste caso. Ao centro, ao centro.

— Eu coloco-me sem qualquer problema.

O diálogo não passava de um arranjo prático, mas o posicionamento político de Pedro Nuno Santos — mais ao centro ou mais à esquerda — tem sido trazido para a discussão interna de forma recorrente pelo maior adversário, José Luís Carneiro. E se o candidato nega estar a pôr em marcha uma espécie de PMEC — Processo de Moderação Em Curso –, os sinais que tem dado são de que quer fazer uma campanha mais virada para o centro político, que Carneiro o acusa de “demonizar” para se “enclausurar” à esquerda.

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No arranque da campanha, desde logo, Pedro Nuno teve ao seu lado o crítico da geringonça Francisco Assis, com quem subiu as escadas do Largo do Rato, para espanto de muitos socialistas; esta quinta-feira deu novo passo neste sentido e almoçou com o “moderado” Álvaro Beleza, enquanto resistia a reagir às provocações de José Luís Carneiro e assegurava que na sua campanha não há “sectarismo” nem “gavetas”, até porque acredita que “os cidadãos não se organizem nem se definem como sendo de esquerda ou de direita”.

Política “à antiga” e os apoios de Francisco e Álvaro

Depois do almoço na cantina do Santa Maria, onde Álvaro Beleza trabalha como médico, o socialista associado à tal ala moderada do partido saiu e deu explicações sobre este apoio. Em várias frentes: primeiro, explicou que tentou que não houvesse uma disputa interna e falou com Carneiro para que se entendessem, dado o risco de que a direita possa depois “usar o argumentário daquele que perder as eleições”. Mas “a candidatura já estava em andamento” e não conseguiu fazer mais nada para a travar.

Para Beleza, o PS precisa de fazer política “à antiga” e “entre cavalheiros”, e, tal como a candidatura de Pedro Nuno Santos já assumiu (contra a vontade de José Luís Carneiro), sem debates públicos, para evitar que a campanha se transforme num “espetáculo televisivo”. “Tratamos dos assuntos do Partido Socialista à moda antiga, como sempre se tratou”, rematou.

Depois, o socialista passou a explicar, em seu nome e do amigo Francisco Assis (com quem entrou “no mesmo dia” para o partido), porque é que estes rostos da ala moderada se colocam agora ao lado do homem que sempre foi associado à ala esquerda do PS: “Nós, eu e o Francisco, somos da chamada esquerda liberal. Entendemos que estar com o Pedro é também participar naquilo que o PS sempre foi. É o PS das várias sensibilidades. É o PS das várias correntes. E achamos que o Pedro tem energia, ambição, tem muita alma, tem muita coragem, é um homem de coragem“.

Álvaro Beleza diz que Pedro Nuno "decide", apesar de terem algumas divergências

HUGO AMARAL/OBSERVADOR

Dali prosseguiu nos elogios a Pedro Nuno: Portugal precisa de “esperança”, de “reformas” e de “gente que decida”, tudo qualidades que lhe reconhece.

Mesmo que haja divergências no plano político entre socialistas que chegaram a criticar a solução da geringonça e o seu maior adepto (e artífice): “O que eu defendo, e o Francisco, todo o país sabe, toda a gente sabe, e não muda, e o Pedro também sabe. Vamos dizer algumas coisas, vamos continuar a discordar e concordamos noutras. A saúde é daquelas em que a gente concorda”.

De resto, Beleza defende agora que nem sequer foi propriamente um crítico acérrimo da solução à esquerda, embora também não tenha começado por ser um entusiasta: “Quando estive na direção, há 10 anos, sempre defendi que o Partido Socialista devia ser como o Partido Socialista francês, a casa das esquerdas”, explicou.

A estratégia de Pedro Nuno para “entusiasmar”

Feito o elogio de Beleza, o moderado que foi assegurando que no PS também tem funções semelhantes às que pratica enquanto médico — “sarar feridas” –, estava o caminho aberto para Pedro Nuno. É o tal caminho que vai percorrendo ao centro, sem se desviar demasiado para a esquerda: aos jornalistas, o candidato à liderança do PS foi garantindo que a sua candidatura é de “pluralidade”; não é “sectária”; é “transversal”; onde “cabem todos”, tanto o PS inteiro como “Portugal inteiro” (o seu slogan de candidatura).

Críticas, só à direita que quer “desistir do SNS”, por oposição ao PS que tenta agora “reformá-lo” e “protegê-lo” em diálogo com os profissionais de Saúde (com quem o Governo continua a não chegar a acordo). Já contra o adversário, nada: Pedro Nuno não saiu do guião e foi reafirmando que é “social-democrata”, que “nasceu e cresceu” no PS e que nomes como Beleza não entram nesta campanha como simples “bandeiras”.

“Nós, quando digo nós, estou a falar de políticos, de jornalistas, de comentadores, queremos organizar o debate político em gavetas. E por isso temos essa necessidade de definir alguém como sendo de esquerda, mais à esquerda, menos à esquerda, mais ao centro, menos ao centro, mais à direita, menos à direita. Não é assim que o povo português vê a política. E nós continuamos completamente afastados da forma como o cidadão vê o seu país e vê a política”, atirou.

Assim, segundo Pedro Nuno Santos, o eleitorado olha, na hora de votar, “para uma liderança, para um partido, para um projeto, para uma pessoa e para ideias. Essas ideias, esse partido, essa pessoa, entusiasma-as, dá-lhes confiança ou não”.

A candidatura está satisfeita com a estratégia e não planeia mudar de rumo: como dizia um elemento da campanha de Pedro Nuno Santos ao Observador, na primeira entrevista extensa enquanto candidato, esta semana na CNN, “ninguém conseguiu ver ali o irresponsável, o esquerdista, os defeitos que lhe querem apontar”. E é nesse plano que o candidato, há muito conhecido como o principal rosto da ala esquerda do partido, precisa de trabalhar. Sobretudo, de olhos postos num desafio maior do que ganhar o partido — ganhar o país.

Para já, a ideia é só mesmo pensar em vencer, evitando dar gás à ideia de uma possível geringonça e tentando dirigir-se ao eleitorado do centro, onde Carneiro garante recolher mais simpatia. “Se eu vou para um campeonato da Europa a pensar que só quero jogar para estar nos quartos de final, não chego aos oitavos”, resumiu Beleza, defendendo que o PS deve partir para as eleições com a ambição de reconquistar a maioria absoluta na cabeça. Se não chegar lá, logo se verá.

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