As 12 histórias da vida de Lula (mais uma que ele não queria que você soubesse)

16 Março 2016154

O pai deixou-o antes de nascer. Cresceu na miséria e foi obrigado a vender laranjas para fugir à pobreza. Foi Presidente do Brasil e um dos mais amados - mas os escândalos não o largam.

Luiz Inácio Lula da Silva. Ex-metalúrgico, sindicalista, revolucionário. Fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) e antigo Presidente do Brasil. Autor do milagre económico que colocou o Brasil no restrito clube dos BRIC, ao lado das potências Rússia, Índia e China. Aclamado pelo povo, lembrado por algumas das mais importantes revoluções sociais de que há memória no país. De herói a candidato a vilão num piscar de olhos chamado “Lava-Jato” – antes o “Mensalão” já tinha feito tremer a popularidade do mentor de Dilma Rousseff. Agora, vai ser Chefe da Casa Civil da Presidente do Brasil. Manobra desesperada para fugir à Justiça, diz a oposição. Para devolver ao país a pujança económica de outros tempos, garante o Governo brasileiro. Mas, afinal, quem é Lula da Silva?

Abandonado pelo pai ainda antes de nascer

“O sertanejo é antes de tudo um forte. Cunhada pelo escritor Euclides da Cunha, a frase parece se ajustar à personalidade de Lula desde seu nascimento”. Assim começa a biografia de Lula da Silva disponível na página oficial do Instituto que ajudou a fundar.

Nascido a 27 de outubro de 1945, em Caetés, uma pequena cidade localizada no interior de Pernambuco, com pouco mais de 26.386 habitantes, Luiz Inácio da Silva – a alcunha “Lula” colar-se-ia depois, como uma segunda pele – cresceu numa casa com apenas duas divisões e chão de terra batida. Luz, água canalizada e saneamento eram uma miragem que os pais – um casal de lavradores analfabetos – não podiam comportar. O pai, Aristides Inácio da Silva, acabaria por deixar a família a poucos dias de Lula nascer. Rumou ao litoral de São Paulo, à procura de uma nova sorte, com a prima da mulher – com quem acabaria por formar uma nova família.

Com sete anos, o pequeno Lula deixa o Pernambuco em direção ao litoral de São Paulo, acompanhado pela mãe e pelos irmãos. À boleia de um “pau-de-arara”, uma carrinha de caixa aberta usada, muitas vezes, para transportar emigrantes do nordeste brasileiro, esperavam reencontrar-se com o pai.

Numa entrevista ao Hoje em Dia, um jornal diário de Minas Gerais, Lula chegou a descrever o “pau-de-arara”: “É uma tábua atravessada na carroçaria do caminhão. Não tem nem encosto atrás. Não é um banquinho de madeira. É uma tábua grudada na carroçaria. Você senta e não tem encosto. A gente pode cair. Tinha umas 30, 40 pessoas dentro do camião. A gente dormia na calçada. Se esticava e começava a dormir ali. Às vezes, com um cobertorzinho. E, de repente, a gente acordava debaixo da chuva e tinha de correr para debaixo do camião. Não cabia todo mundo. Ficava todo mundo amontoado debaixo do camião.”

De facto, Lula reencontrou o pai. A ele e à nova família de Aristides. As duas famílias chegariam a coexistir, mas a convivência, contudo, não seria fácil: Eurídice, ou Dona Lindu, a mãe de Lula, e o resto da família eram vítimas fáceis e constantes da fúria de Aristides. Acabariam por se afastar do chefe de família. Lula da Silva chegou a descrever assim a separação dos pais: “Nós ficamos em liberdade? A gente passou a viver melhor. Era uma pobreza com liberdade. Então, a separação dos meus pais, no fundo, no fundo, foi uma grande liberdade.”

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Lula em criança. Crédito: Instituto Lula

A fábrica de parafusos que lhe roubou o mindinho

Lula da Silva foi obrigado a trabalhar desde muito novo. Ainda frequentou a escola, para desprezo do pai, durante a curta convivência entre os dois. Vendeu laranjas, trabalhou no cais, foi engraxador. Tudo isto e mais uns quantos biscates desde os oitos anos.

Acabaria por ter de deixar a escola aos 14 anos, quando a mãe – solteira e com uns quantos filhos a seu cargo – já não conseguia suportar a família numerosa. Começou a trabalhar numa fábrica de parafusos de má memória: certo dia, acabou com o dedo mindinho esmagado por um torno mecânico. No hospital, depois de horas sem assistência médica, decidiram cortar o dedo.

Tinha 17 anos quando isso aconteceu. São Paulo brotava e tornava-se uma das regiões mais industrializadas do país, onde cresciam marcas como a Scania e a Volkswagen. Um ano depois, o golpe militar de 1964 roubava a liberdade ao Brasil. E Lula da Silva voltava-se para o sindicalismo.

Os primeiros passos no sindicalismo

A descrição consta no perfil disponibilizado pelo Instituto Lula. No virar da adolescência, a política e o sindicalismo ainda não era uma paixão – era a redondinha que preenchia os sonhos do futuro Presidente do Brasil.

Seria o irmão de Lula, José Ferreira da Silva – ou Frei Chico -, então militante do Partido Comunista Brasileiro – votado à clandestinidade, a convencê-lo a frequentar as reuniões sindicais.

Cinco anos depois do golpe militar, em 1969, é convidado a ocupar uma vaga de suplente na direção do sindicato. E começava aí a carreira de sindicalista de Lula da Silva. Ao mesmo tempo, sofria um golpe duro na vida pessoal.

A morte da primeira mulher e do filho por nascer

24 de maio de 1969. Lula da Silva casava com Maria de Lourdes, uma “morena de cabelos compridos, muito bonita, conservadora, sem nenhuma formação política, muito trabalhadora”, como chegou a descrever o ex-Presidente do Brasil.

Eram vizinhos no bairro operário da Ponte Preta, onde a miséria era generalizada. Conheceram-se, apaixonaram-se e casaram, como em tantas outras histórias. No entanto, Lourdes acabaria por morrer, quando estava grávida de oito meses do primeiro filho do casal, em 1971, depois de ter contraído hepatite. Os médicos ainda tentaram salvar mãe e filho através de uma cesariana. Em vão. Para Lula da Silva, no entanto, Lourdes morreu por negligência.

“A Lourdes tinha ficado grávida e, no sétimo mês da gravidez, ela pegou hepatite. Ninguém me tira da cabeça que ela morreu por negligência da rede hospitalar do Brasil, por problemas de relaxamento médico. Porque ela estava com anemia profunda e uma hepatite crónica. Ela poderia ter sido melhor tratada. Morreu sem que houvesse nenhuma assistência para ela. Eu fui ao hospital e vi. Ela gritava, ela gritava, ela gritava. Não tinha um médico para atender, não tinha ninguém. Sinceramente, eu tenho muitas restrições a esses médicos que estavam no hospital. Hoje, eu tenho consciência de quanto um desgraçado de um pobre passa nos hospitais”, revela na biografia autorizada Lula, o Filho do Brasil.

A prisão às mãos da Ditadura militar

Em 1974, teve uma filha chamada Lurian com a enfermeira Miram Cordeiro, uma das muitas namoradas que foi somando quando a vida era uma correria entre a fábrica, as festas e os bares.

No mesmo ano, no entanto, acabaria por casar-se novamente, agora com Marisa Letícia Rocco Casa – teria três filhos desse casamento. Um ano depois, em 1975, chegava à liderança do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema. Três anos mais tarde, acabou a liderar a primeira grande greve de operários do ABC paulista, a região industrial do estado de São Paulo. Lula da Silva começava a tornar-se um incómodo para a Ditadura militar, cada vez mais repressora.

Entre 1978 e 1980, Lula da Silva vai liderando greves gerais que abalam o regime. Tinha de ser parado. A 19 de abril de 1980, acaba preso e passa 31 dias na cadeia. Sairia com um objetivo claro: fundar um partido para dar nova força à luta.

Em 1981, porém, foi condenado pela Justiça Militar a três anos e meio de prisão. Acusado de incitação à desordem coletiva, recorreu e foi absolvido um ano depois.

PT – Um partido para lá dos trabalhadores

A ideia começara a fervilhar anos antes, mesmo antes de ter sido preso pelo regime. O objetivo era dar à classe trabalhadora uma forma mais ativa de intervenção política. Em 1980, uma massa indistinta de intelectuais, líderes religiosos, artistas, estudantes e, claro, operários juntava-se num caldeirão heterogéneo para formar o Partido dos Trabalhadores (PT).

Nasceu híbrido: não era uma extensão tradicional das organizações sindicalistas, nem um herdeiro dos regimes comunistas da União Soviética ou da China. Apolônio de Carvalho, militar e ex-preso político, Mário Pedrosa, crítico de arte e literatura brasileiro, e Sérgio Buarque de Holanda, jornalista, historiador e pai de Chico Buarque, foram os três primeiros militantes do partidos. Uma amostra do caldeirão em que foi cozinhado o PT.

Paradoxalmente ou não, a primeira reunião do PT aconteceu no colégio Sion, um reduto aburguesado. O partido foi crescendo exponencialmente até se tornar, primeiro, no maior partido da oposição e, depois, no maior partido do Brasil. E Lula crescia com ele.

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Prisão de Lula da Silva. Crédito: Instituto Lula

As três grandes derrotas de Lula

Nove anos depois de fundar o Partido dos Trabalhadores, Lula da Silva concorria às primeiras eleições presidenciais diretas. O Brasil respirava liberdade depois de 21 anos de ditadura. O petista acabaria derrotado por Fernando Collor de Mello, candidato do Partido da Reconstrução Nacional (PRN). Entre ataques políticos de parte a parte e manobras mais ou menos obscuras, o fantasma do comunismo acabaria por minar a candidatura de Lula da Silva.

Para contar melhor história, fica um documentário britânico Beyond Citizen Kane, onde são revelados alguns detalhes sobre as ligações dos media ao poder político, que, alegadamente, terão favorecido a candidatura de Collor de Mello.

O filme repetir-se-ia não uma, mas duas vezes. Em 1994, Lula da Silva entra novamente na corrida presidencial e acaba derrotado pelo social-democrata Fernando Henrique Cardoso. Quatro anos depois, em 1998, nova derrota, outra vez na primeira volta.

Só chegaria a Presidente do Brasil a 27 de outubro de 2002, quando o Brasil caminhava a passos largos para a estagnação económica. No caminho até ao Palácio do Planalto, derrotou o ex-ministro da Saúde e então senador José Serra (PSDB). No discurso de tomada de posse, desabafou, em lágrimas: “E eu, que durante tantas vezes fui acusado de não ter um diploma superior, ganho o meu primeiro diploma, o diploma de Presidente da República do meu país.”

O Mensalão que não lhe impediu a reeleição

Estava a meio do primeiro mandato como Presidente. Era junho de 2005 quando Roberto Jefferson, então deputado federal, deu uma entrevista ao Folha de São Paulo. Da boca saíram-lhe informações que seriam a base do escândalo que marcaria a década seguinte: havia deputados no Congresso brasileiro, muitos, que nos últimos dois anos tinham recebido subornos (pagos com dinheiro público) a troco de votos favoráveis às intenções do governo do país. Um escândalo de corrupção.

Os meses e anos de investigações provaram que era sobretudo o Partido Trabalhista — o de Lula da Silva, portanto — que estavam os deputados prevaricadores. O Presidente, disse-o depois e na altura, sentiu-se traído. “O tempo vai-se encarregar de provar que, no Mensalão, houve praticamente 80% de decisão política e 20% de decisão jurídica. Acho que não houve Mensalão. Essa história vai ser recontada, é uma questão de tempo, para se saber o que, na verdade, aconteceu. Esse processo foi um massacre para destruir o PT. E não conseguiram”, disse Lula, em abril de 2014, numa entrevista à RTP.

O escândalo não o impediu de ser reeleito, em 2006, para um segundo mandato. O ex-presidente sempre negou qualquer envolvimento no caso. Em 2015, o Ministério Público brasileiro pediu o arquivamento do último inquérito que ainda investigava suspeitas de ligação de Lula da Silva ao Mensalão – alegados pagamentos, a rondar os dois milhões de euros, feito pela Portugal Telecom ao Partido Trabalhista.

“Estamos todos no mesmo saco, o Lula, a Dilma e eu”, terá dito José Dirceu, o então ministro da Casa Civil e um dos principais suspeitos do caso, a fontes próximas, segundo uma reportagem que o Estadão publicou, o ano passado. Dirceu, que entretanto já foi condenado a uma pena de sete anos e 11 meses de prisão por corrupção ativa, terá igualmente frisado que Lula da Silva nem chegou a fazer “a defesa dele mesmo”.

A luta contra o cancro da laringe

Poucos meses depois de deixar a Presidência do Brasil, em 2011, Lula enfrentava uma das batalhas mais difíceis da sua vida: um tumor maligno de tamanho médio na laringe.

As sessões de quimioterapia acabariam por provocar uma alteração drástica no visual do ex-Presidente do Brasil. Foi a mulher, Marisa, que o ajudou a raspar a cabeça e a barba. Desapareceu o cabelo e a barba que sempre o caracterizou. Foi um mal menor. Um ano depois, não havia sinais do tumor.

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Marisa a cortar a barba de Lula. Crédito: Instituto Lula

A fase que puxou Lula para o Lava Jato

“Em busca da verdade”. Traduzido do grego, eis o significado de Aletheia, nome com que a Polícia Federal do Brasil batizou a 24.ª fase da Operação Lava Jato. A fase que tem Lula da Silva como principal visado no esquema de corrupção que começou a ser investigado em março de 2014. Ao contrário da investigação ao Mensalão, em que as autoridades visaram uma acusação alargada, esta investigação dividiu-se por várias fases. E a fase que envolve o ex-Presidente teve efeito na passada semana.

A polícia tocou à porta de Lula, em São Bernardo do Campo, arredores de São Paulo, para o deter. Foi levado para interrogatório porque o Supremo Tribunal Federal considerou válidas as denúncias de Delcídio do Amaral, um senador do PT, que implicaram Lula da Silva (e Dilma Rousseff, também) no escândalo da Petrobras.

Aos 70 anos, é alvo de um “mandado de busca e apreensão e de condução coercitiva” — leia-se, está obrigado a depor por ser suspeito de ter cometido crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Ou estaria, porque, entretanto, Dilma convidou-o para liderar a Casa Civil do Brasil, algo como ser primeiro-ministro do país. Lula disse que sim, e nem esta concordância o livrará de ter que prestar depoimento perante a justiça brasileira. Nem mesmo o “foro especial por prerrogativa de função” do qual gozam certos cargos políticos no Brasil, como o Observador explica aqui.

O Triplex

Em janeiro de 2016, os novos desenvolvimentos no caso Lava Jato acabariam por fazer manchete: o Ministério Público de São Paulo tinha começado a investigar se o ex-Presidente do Brasil tinha ou não ocultado a posse de um apartamento triplex em Guarujá, no litoral de São Paulo. Um imóvel que foi, alegadamente, cedido à família de Lula pela construtora OAS, investigada na Operação Lava Jato.

Em março, a revista Veja divulgava novos detalhes sobre o suposto apartamento de Lula: eram 297 metros quadrados, três quartos, uma suíte, cinco casas de banho, um quarto para a empregada, uma sala de estar, uma área de para festas com sauna e piscina na cobertura, entre outras coisas.

De acordo com a investigação, o triplex terá sido amplamente reformado por ordem de Lula da Silva – uma reforma que incluía, inclusivamente, um elevador privado.

O ex-Presidente do Brasil, no entanto, sempre negou ser o proprietário do apartamento. A 14 de março, o jornal Estado de Minas trazia novos detalhes sobre o depoimento de Lula à Polícia Federal, em que o antecessor de Dilma Rousseff admitia ter ido visitar o apartamento, mas reafirmava que não era dono do imóvel.

…e o Aleijadinho de Lula

As más notícias, no entanto, parecem não largar o ex-Presidente do Brasil. A 12 de março, no decorrer das buscas à casa de Lula da Silva e no âmbito da Operação Lava Jato, a polícia brasileira encontrava um cofre com 23 caixas lacradas e depositadas no Banco do Brasil desde 2011, altura em que Lula saiu da Presidência do país.

Entre os bens encontrados estavam joias, esculturas, canetas e outros objetos que Lula terá recebido enquanto liderou os destinos do país.

E, aí, a revista Veja – que foi anti-Governo Lula durante muito tempo – dava especial detalhe a um objeto em particular: um crucifixo barroco, obra de António Francisco Lisboa, mais precisamente o “Aleijadinho“, cujo rasto desapareceu no final do mandato de Presidente de Lula da Silva, em 2011.

O jornal Globo, no entanto, acabaria por contar uma versão diferente do mesmo episódio: o “Aleijadinho”, afinal, pertence mesmo a Lula da Silva e foi-lhe dado por José Alberto de Camargo, que era conselheiro do Instituto da Cidadania e conselheiro do antigo Presidente.

E o que Lula não quer que se recorde

“No Brasil é assim: quando um pobre rouba, ele vai para a cadeia; quando um rico rouba, ele vira ministro”. A frase foi repescada e usada vezes sem conta desde o momento em que foi anunciada a hipótese de Lula da Silva vir a ser integrado no Governo liderado por Dilma Rousseff.

O ex-Presidente do Brasil disse estas mesmas palavras quando era ainda deputado federal do PT por São Paulo, em entrevista ao jornal “O Globo!”, a 14 de fevereiro de 1988.

Lula referia-se, assim, àquilo que acreditava ser a impunidade dos membros do Governo brasileiro. O petista dava os primeiros passos na muito disputada corrida presidencial de 1989. José Sarney era o Presidente, mas as acusações de corrupção em várias esferas do governo e de nepotismo, porque favoreceria os amigos que trabalham nos meios de comunicação social (rádios e televisões, nomeadamente), colaram-se-lhe à pele.

Sarney acabaria por não se candidatar, mas, mesmo assim, Lula perderia essas eleições. 27 anos depois, o mentor de Dilma Rousseff não esperaria certamente que a sua frase se voltasse contra ele.

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