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Entrevista ao neto de Nelson Mandela. "Este não é o mundo pelo qual o meu avô lutou" /premium

Ndaba conheceu o avô Mandela na prisão e aprendeu com ele a ser um líder. Hoje, viaja pelo mundo a falar de Nelson Mandela às novas gerações. Em entrevista ao Observador, compara Trump ao apartheid.

O peso de um apelido pode ser esmagador. Ndaba Mandela, um dos 17 netos de Nelson Mandela, sabe-o bem. Nunca se distanciou do nome do avô — pelo contrário, agarrou o testemunho, criou a fundação Africa Rising e dedica-se a manter vivo o legado do homem que derrotou o apartheid. Hoje, viaja pelo mundo para falar aos mais novos sobre ele. Foi, aliás, o próprio Nelson Mandela quem o avisou, desde tenra idade, para que se preparasse para o que aí viria. “Lembro-me de que uma vez ele disse-me mesmo: ‘Ndaba, és meu neto, por isso as pessoas vão olhar para ti como um líder. Por isso, tens de ter as melhores notas da turma'”, diz Ndaba Mandela, 36 anos, numa entrevista ao Observador durante uma passagem por Portugal.

A visita a Portugal deveu-se à inauguração do Bosque Madiba, um projeto ambiental desenvolvido pela Associação Patrulheiros na Mata do Buçaco, que alia uma homenagem a Nelson Mandela — são 100 árvores, plantadas por 100 personalidades, para contar 100 episódios da vida do primeiro presidente democraticamente eleito da África do Sul — à sustentabilidade, já que inclui um parque para educar as crianças no uso da bicicleta. Um dos principais objetivos da Associação Patrulheiros, como explicou o líder, José Nuno Amaro, ao Observador, é promover a utilização da bicicleta desde a infância.

Em entrevista na redação do Observador, após aterrar em Lisboa e antes de seguir para o concelho da Mealhada para a inauguração, Ndaba Mandela lembrou como conheceu o avô na prisão que não parecia uma prisão, recordou a vida com Nelson Mandela — incluindo quando o avô o mandava arrumar o quarto — e lamentou que o mundo de hoje não seja aquele pelo qual Madiba lutou. O neto de Mandela compara a atuação de Donald Trump na fronteira entre os EUA e o México a um novo apartheid e diz que os líderes europeus têm de reconhecer que estão na origem da crise dos refugiados. E lembra um dos maiores momentos de orgulho da sua vida: aquele em que levou pela primeira vez com gás lacrimogéneo e se sentiu plenamente parte da luta anti-racismo.

Ndaba Mandela com o avô (DR)

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A maioria das pessoas que são conhecidas por serem o filho ou o neto de alguém importante arriscam sempre que o apelido se sobreponha à sua própria identidade — e nem sempre gostam. O Ndaba, pelo contrário, tem dedicado a sua vida a lutar para manter vivo o legado do seu avô Nelson Mandela. Tenho de lhe perguntar: como é levar consigo o apelido Mandela?
Ter o apelido Mandela implica uma grande responsabilidade e, claro, as pessoas têm grandes expectativas sobre o tipo de vida que nós devemos levar. Muitas pessoas no meu país querem que nós sigamos as pegadas do nosso avô e nos candidatemos a cargos públicos ou a algum tipo de cargos de liderança no Governo.

Já pensou nisso?
Já pensei em assumir cargos públicos e acredito que, se a necessidade surgir, faremos o que é necessário para representar o nosso país da melhor forma que conseguirmos.

Sente-se maior do que si próprio, maior do que apenas o Ndaba?
Não. Sou o Ndaba. Sou um produto de Nelson Mandela, fui criado por ele desde os 11 anos de idade, e por isso os valores e os princípios dele tornaram-se os meus.

Quando o Ndaba nasceu, o seu avô ainda estava na prisão. Quais são as primeiras memórias que tem dele?
Na primeira vez que fui conhecer o meu avô, os meus pais disseram-me que nos íamos encontrar com ele na prisão. Com 8 anos de idade, tinha uma imagem típica do que seria uma prisão: barras de cimento, segurança por todo o lado, guardas-prisionais, cães. Mas, quando lá cheguei, não era nada como tinha imaginado. Era, na verdade, uma casa.

Dentro da prisão.
Eu não percebia que eles o tinham tirado de Robben Island [prisão onde Nelson Mandela esteve preso 18 anos] e o tinham posto naquela casa [prisão de Victor-Verster] sozinho. Eles estavam a tentar quebrá-lo mentalmente. Para lhe dizerem: ‘Nelson Mandela, agora és um homem velho, vive o resto dos teus dias no meio do luxo, denuncia o movimento do ANC [Congresso Nacional Africano, partido anti-apartheid no poder desde 1994], denuncia a luta contra o apartheid, denuncia os teus próprios camaradas, a quem dedicaste a luta contra o apartheid.

Cinco anos antes de ter sido libertado, ofereceram-lhe a possibilidade de ser libertado e ele recusou, disse que só saía se também saíssem os companheiros. O que é preciso para que alguém que esteve preso mais de 20 anos recuse uma oferta destas?
É porque Nelson Mandela era muito focado no seu objetivo. Nunca perdeu o foco no objetivo. O objetivo era ter a oportunidade de serem reconhecidos como cidadãos iguais perante a lei. Como pessoas negras, como pessoas brancas, como indígenas, como pessoas de raça mista. Que todos tenham as mesmas oportunidades, independentemente da cor da pele. Ele dedicou a vida dele, sacrificou a sua própria família, pelos direitos da família maior da África do Sul.

"Foi a primeira vez que senti o gás lacrimogéneo e senti-me tão orgulhoso de ter a primeira memória do gás lacrimogéneo. A partir daquele momento, eu senti que era um camarada a marchar e a tentar fazer ouvir a minha posição contra os racistas, o Governo e a polícia"

Fale-me da sua infância enquanto criança negra sob o regime do apartheid.
Ao viver durante o apartheid, experienciei e testemunhei a polícia a prender o nosso povo todos os dias. Prendiam-nos nas casas, nas ruas, e fiquei muito perturbado com isto. Por isso, queria tornar-me um soldado, queria ripostar contra os mesmos criminosos que estavam a atingir o nosso povo, sem qualquer razão para nos estarem a tratar assim. Lembro-me de que quando era criança houve uma marcha na rua, e juntei-me à parte de trás da marcha com os meus amigos. Quando chegámos ao topo da rua, estava lá um enorme carro da polícia, a que costumávamos chamar os “hippos“, e no topo do carro apareceu um polícia e disparou gás lacrimogéneo contra a multidão. A multidão dispersou e, claro, nós voltámos para trás a correr, para a nossa rua. Foi a primeira vez que senti o gás lacrimogéneo e senti-me tão orgulhoso de ter a primeira memória do gás lacrimogéneo. A partir daquele momento, senti que era um camarada a marchar e a tentar fazer ouvir a minha posição contra os racistas, o Governo e a polícia.

E a sua família estava particularmente exposta por causa do seu avô?
Sim. O nome do nosso avô era uma fonte de dor e de assédio. Por isso, nunca falávamos do nosso avô. Só ouvi falar do meu avô quando o fomos visitar à prisão, pouco antes de ele sair.

Era um tabu na sua família?
Era tabu. Tem de entender que, a dada altura, antes de ir para a prisão, Nelson Mandela era o inimigo público número um.

Um líder revolucionário.
Percebe? E, por isso, a família dele estava em risco. A nossa família sofreu muito com o assédio e a subjugação da polícia. Percebe o que estou a dizer?

Lembra-se do dia em que ele foi libertado da prisão?
Foi um dia glorioso. Foi um dia de celebração, um dia de triunfo. Lembro-me de que toda a gente estava nas ruas. Crianças, tias, tios, primos. Até os gatos e os cães estavam aos saltos nas ruas, a celebrar a libertação deste homem.

Quantos anos tinha?
Tinha oito anos.

E o que sentiu?
Senti-me muito orgulhoso. Também estava no desfile, a fazer assim [agita o punho no ar], porque vi o meu avô a fazê-lo e estava a fazer a mesma coisa, com o punho direito no ar. Foi um momento de muito orgulho para nós e para todo o país.

Depois disso viveu com ele diariamente?
Desde o momento em que ele foi libertado, passaram três anos até o ver de novo.

Ndaba Mandela conheceu o avô na prisão, quando tinha oito anos (KIMMY SIMÕES/OBSERVADOR)

KIMMY SIMÕES/OBSERVADOR

O que aconteceu nesses três anos?
Voltei à minha vida normal e ele, claro, andou por todo o mundo a angariar dinheiro e a chamar a atenção para a luta contra o apartheid e para eles trabalharem no sentido de se fazerem as primeiras eleições democráticas na África do Sul.

E a partir daí como foi a vida diária com ele? Nós conhecemos a imagem pública de Nelson Mandela e a sua luta contra o apartheid. Mas como era viver com ele, estar com ele em casa?
O meu avô era muito rigoroso. Lembro-me de que ele passava pelo meu quarto, olhava e via que as minhas coisas estavam desarrumadas, e chamava-me sempre para garantir que ficava tudo arrumado. O principal objetivo dele era garantir que eu tinha boas notas na escola. Lembro-me de que uma vez ele disse-me mesmo: “Ndaba, és meu neto, por isso as pessoas vão olhar para ti como um líder. Por isso, tens de ter as melhores notas da turma”. E fiquei: “Wow, avô, pressão, pressão, wow, wow! Não estou pronto para fazer isso. Não quero ser um líder”. Mas ele dizia-me, desde uma tenra idade, que tinha de me preparar para ser um líder. “Porque esse é o teu destino, meu filho.” Penso que ele pegou em mim, me criou, para me ensinar estas lições, porque acreditava que o trabalho tinha de ser continuado e que alguém teria de continuar este trabalho.

Agora, dedica a vida a manter o legado dele vivo. Como é que aprendeu mais sobre o seu avô? Através da interação diária com ele ou pelo que lia sobre ele fora de casa?
Não. Cresci com o meu avô a partir dos 11 anos. Ao viver com ele, percebi exatamente o tipo de homem que ele era.

Hoje, o Ndaba anda por todo o mundo a falar às novas gerações sobre o seu avô. O que é que os mais novos sabem sobre Nelson Mandela?
Penso que a maioria dos mais jovens apenas sabe que Nelson Mandela foi o primeiro presidente democraticamente eleito na África do Sul, que era negro, que representa o país e que passou 27 anos na prisão. Acho que não sabem muito mais do que isso.

E como explicaria às novas gerações quem ele foi?
Diria que Nelson Mandela é um homem que dedicou a sua vida a criar uma sociedade que trata as suas pessoas de forma igual. Diria que Nelson Mandela foi à escola pela primeira vez sem sapatos, a usar as calças do pai, e cresceu para se tornar um dos maiores, mais amados e mais respeitados líderes, porque se dedicou a garantir que todas as pessoas da África do Sul tinham oportunidades iguais. Diria que Nelson Mandela acredita que nos devemos dedicar a garantir que os jovens têm uma voz, que os jovens têm as oportunidades e têm acesso às ferramentas para serem capazes de quebrar o ciclo da pobreza. Em última análise, que os jovens tenham espaço para sonhar e para perseguir os seus sonhos até se tornarem uma realidade.

Começou por dizer que carregar o apelido Mandela traz uma responsabilidade. Esta responsabilidade é sentida por todos os membros da vossa família?
Não sei, não posso falar em nome dos membros da minha família. Posso falar em nome de mim próprio. Mas claro que a nossa família tem um maior motivação para fazer o bem, para contribuir para o desenvolvimento da nossa comunidade.

O que é este projeto do Bosque Madiba, que o traz a Portugal?
A nossa organização, Africa Rising, fez uma parceria com a associação Patrulheiros, que é uma organização dedicada a garantir que temos um bom ambiente e mobilidade, usam bicicletas de maneira a usarem a energia de uma forma consciente, que não degrade o ambiente, que proteja o ambiente. Sinto que é muito importante fazê-lo, porque não há muitas pessoas conscientes da forma como usamos a energia de forma segura, consciente, que não impacte negativamente a Terra. Também é uma parte do mundo em que ainda não tinha estado, é a minha primeira vez em Portugal, mas tive muita sorte em conhecer o líder da Patrulheiros no Mónaco, há uns anos atrás. Temos trabalhado neste projeto desde essa altura. Estou muito feliz por finalmente acontecer.

Acha que, se Nelson Mandela fosse vivo hoje, nos seus dias de juventude, as alterações climáticas seriam uma prioridade para ele?
Não me parece que as alterações climáticas fossem uma prioridade para ele. Porque a nossa prioridade era o bem-estar do nosso povo. Essa é a primeira prioridade. Depois, em segundo lugar, essas pessoas teriam acesso à educação e seriam capazes de desenhar e viver a vida que quiserem. Temos de entender que temos causas diferentes. Eu quero cuidar das pessoas, você quer cuidar do ambiente, ela quer tratar dos animais. Ao trabalharmos juntos, criamos um mundo melhor. É importante que também tenhamos causas diferentes e afinidades diferentes a causas diferentes.

O que vai acontecer no Bosque Madiba, qual vai ser o objetivo do projeto?
Bom, cheguei esta manhã e ainda estou a perceber tudo o que vai acontecer no bosque, mas penso que haverá uma pequena cerimónia que envolve as árvores. Como sabe, as árvores representam a vida, são uma grande fonte de recursos para a comunidade, por isso vai ser uma cerimónia simbólica em que usamos árvores para representar a vida de Nelson Mandela, os diferentes momentos da vida dele.

"Este não é o mundo pelo qual o nosso avô lutou. O nosso avô lutou contra o preconceito e vemos preconceito, aqui, hoje"

Quando alguém com o apelido Mandela olha para o mundo de hoje, parece-lhe que este foi o mundo pelo qual o seu avô lutou?
Não. Este não é o mundo pelo qual o nosso avô lutou. O nosso avô lutou contra o preconceito e vemos preconceito, aqui, hoje.

Há novos apartheids no mundo?
apartheids. Quando olhamos para o Brasil, as pessoas negras são marginalizadas. Quando olhamos para um país como o Saara Ocidental, que tem sido dominado por Marrocos. Quando olhamos para a discriminação que acontece na América contra os jovens negros, contra os mexicanos, por um líder muito egoísta que não tem visão.

Compara Donald Trump ao regime do apartheid na África do Sul?
Definitivamente. Ele é algo como um Pieter Botha, como um de Klerk, [presidentes sul-africanos do tempo do apartheid] e às vezes até como um Zuma [presidente sul-africano que renunciou em 2018, investigado por crimes relacionados com a compra de armas na década de 1990].

E quando olha para a crise dos refugiados na Europa, qual deve ser a solução para acabar com esta crise?
Os europeus têm de entender que foram eles que criaram este problema. Não foram os africanos que criaram este problema. Foram os europeus que colonizaram África, foram os europeus que roubaram os recursos de África, foram os europeus que usaram os recursos que foram buscar a África para construir os seus próprios países. Não deixaram nada para trás. Por isso, quando estas pessoas procuram melhores oportunidades para os seus filhos, vão para a Europa. Para a Europa ser capaz de matar este problema, tem de investir e garantir que há escolas de alta qualidade em África, que há instituições que construam a economia. Só aí vão ver este problema desaparecer. Mas até a Europa assumir responsabilidade por este assunto, ele não vai desaparecer.

Por exemplo, quando olha para alguns líderes europeus mais ativos na campanha anti-refugiados…
Isso é ser anti-humano. Ser anti-refugiados é não reconhecer outros seres humanos. E, por conseguinte, não reconhecer a própria humanidade. Tenho uma responsabilidade, enquanto africano, de lembrar a Europa exatamente de onde é que ela vem. Exatamente o que são. Têm de entender que o Ubuntu é um valor ancestral em que nós, africanos, dizemos: “Eu sou, porque tu és, porque nós somos”. Não há nenhum homem que exista numa ilha, em isolamento. Percebe o que digo?

Vivemos em relação uns com os outros.
A sociedade, esta comunidade em que vivemos, em que estamos agora, foi construída por seres humanos a trabalhar em conjunto.

O trabalho do seu avô na África do Sul pode ser uma inspiração para resolver estes problemas no resto do mundo?
A 100%. Acredito que a razão pela qual Nelson Mandela é tão amado e admirado por todo o mundo é porque eles vêm o exemplo de liderança, que é uma liderança de serviço. Temos de encontrar uma forma de inspirar os jovens a liderar com os valores e à luz de Nelson Mandela.

Queria voltar à sua juventude na África do Sul. Quando foi para a universidade, já foi depois do fim do apartheid
Sim.

"Os europeus têm de entender que foram eles que criaram este problema. Não foram os africanos que criaram este problema. Foram os europeus que colonizaram África, foram os europeus que roubaram os recursos de África"

Quando estava na universidade, como era a sua relação com os seus colegas? Sabiam que era neto de Nelson Mandela? Como reagiam a isso?
Alguns sabiam, outros não sabiam. Os que sabiam tinham reações diferentes. Uns gravitavam à minha volta, queriam conhecer-me. Os outros tinham simplesmente inveja de mim, viam-me como alguém mimado e que não queria saber de nada.

Até que idade viveu com o seu avô?
Fiquei com o meu avô desde os 11 anos até ao fim dos dias dele.

Qual foi a maior lição que aprendeu com ele a nível pessoal?
Ele ensinou-me muitas grandes lições. Mas uma das que se destacam é que ninguém nasce a odiar outra pessoa por causa da cor da sua pele. Uma pessoa pode ser ensinada a odiar e pode ser ensinada a amar. O amor aparece muito mais naturalmente na condição humana do que o ódio.

Depois do fim do apartheid, ainda sentiu preconceito na sociedade sul-africana?
Ainda há preconceito, dos sul-africanos brancos contra os sul-africanos negros. Ainda há preconceito em todo o mundo. As chamadas sociedades avançadas, a América, a Europa, ainda mostram muito preconceito. Portanto, na minha opinião, não são assim tão avançadas.

Diz que temos de nos entender uns aos outros, de entender de onde viemos. Como é que conseguimos fazer isso concretamente? O que sugeriria em concreto se tivesse uma reunião com Donald Trump ou com outros líderes?
Lembrar-lhes-ia que o país deles foi construído por países de todo o mundo, e que é uma posição vergonhosa aquela em que estão. Construíram este grande país, usando as mãos de imigrantes de todo o mundo, e agora que construíram um grande país, dizem-lhes para voltarem para o país deles. É uma vergonha.

Ndaba Mandela na redação do Observador (KIMMY SIMÕES/OBSERVADOR)

KIMMY SIMÕES/OBSERVADOR

Calculo que devido ao seu trabalho nos dias de hoje já se tenha encontrado com vários líderes mundiais, e tenho a certeza de que muitos dizem que o admiram por ser o neto de Nelson Mandela. Sente uma contradição nos líderes que dizem admirar Nelson Mandela e depois praticam este preconceito?
Claro que há uma contradição. Eles não admiram verdadeiramente Nelson Mandela, apenas gostam da imagem deles ao lado de Nelson Mandela, porque sabem o quão amado e respeitado ele é. Só o fazem por causa da forma como o mundo se sente em relação a Nelson Mandela. Mas eles não olham para Nelson Mandela da mesma forma.

É uma forma de chegar às pessoas.
É uma forma de chegar às pessoas. Estão a usá-lo como um veículo, como uma ferramenta. Mas não se preocupam sinceramente com as pessoas e não entendem qual é a posição e a responsabilidade de um líder.

Lembra alguma conversa com um líder mundial em que isto tenha sido um tema?
Conheci muitos líderes em África e em diferentes partes do mundo. Mas é como digo: os que são sinceros vão seguir os passos de Nelson Mandela cuidando do seu povo. É a melhor coisa de Nelson Mandela. Ele tinha compaixão. Consegue imaginar na minha casa. Fui visitado pelo Michael Jackson. Fidel Castro, conheci-o na minha própria casa. Mike Tyson, o príncipe Alberto… É dizer os nomes.

Iam a sua casa.
Iam conhecer o meu avô e eu estava lá para os conhecer também. Nelson Mandela, por causa da grande compaixão que tinha, tratava estas super-estrelas, estes líderes do mundo, da mesma forma que tratava a cozinheira. Nelson Mandela entendia que, independentemente da agenda, da idade, de toda a sociedade e a demografia, todos temos a capacidade de alcançar a grandeza.

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