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Já não nos vestimos a rigor para o Natal?

Voltámos a reunir alguns convidados para uma conversa do projeto “A Moda Desconstruída”. E falámos de tradição e modernidade no Natal, ugly sweaters e consumo consciente.

A tradição já não é o que era. Quantas vezes não ouviu esta frase nos últimos tempos aplicada a quase tudo? O saudosismo faz parte da nossa condição emocional de humanos. À luz da distância, tendemos a fantasiar o passado e a atribuir-lhe qualidades. Mesmo que, na verdade, e na sua altura, não o tenhamos vivido com tanta intensidade assim. E quando chegamos ao Natal, será que as tradições já não são o que eram?

Este foi o desafio que lançámos aos nossos convidados na nossa segunda talk do projecto “A Moda Desconstruída”, em parceria com o Freeport Lisboa Fashion Outlet e o Vila do Conde Porto Fashion Outlet. Ao contrário do que foi anunciado, a atriz Joana Barrios e a maquilhadora Inês Mocho não puderam comparecer para debater o tema “A Tradição ainda Brilha no Natal?”, devido a imprevistos pessoais. Nélia Vítor, maquilhadora do Observador, e Pureza Fleming, jornalista de moda, tomaram, assim, o lugar das convidadas ausentes, juntando-se ao restante painel: Yolanda Lobo, ex-modelo e atriz, e Vera Deus, consultora de moda do Freeport Lisboa Fashion Outlet e Vila do Conde Porto Fashion Outlet.

O Natal agora é para “ugly sweaters” e fotografias do Instagram?

O imaginário dos jantares de Natal cheios de folhos e rendas não passa mesmo disso e dos filmes natalícios que vemos na televisão? Ou só nas nossas casas é que já ninguém se veste a rigor? Este foi o tema de abertura da nossa conversa, que procurou saber se estamos a perder o encanto do Natal no que toca à moda. “Quando há crianças, tendemos a ser práticos, essa é que é a verdade”, partilhou Yolanda Lobo. “Acho que temos de nos sentir confortáveis para não estarmos toda a noite preocupados. Queremos criar boas memórias. E não precisamos de andar de saltos altos para estar bem. Usar uma ugly sweater? Se é divertido e vai criar boas memórias, porque não?”

Em casas onde vamos estar sentados no chão, jogar jogos, fazer brincadeiras típicas em família, o conforto é tudo. “E podemos estar elegantes, mas chiques e confortáveis”, reforçou Pureza Fleming, jornalista de moda – um vestido com uns botins rasos cria um visual elegante e, ao mesmo tempo, confortável e prático. Porque, no final da noite, queremos ter na memória as emoções e não o desconforto das horas que passámos com uma roupa apertada, pesada ou uns saltos altos dolorosos.

"temos de nos sentir confortáveis para não estarmos toda a noite preocupados. Queremos criar boas memórias. E não precisamos de andar de saltos altos para estar bem. Usar uma ugly sweater? Se é divertido e vai criar boas memórias, porque não?”
Yolanda Lobo, ex-modelo e atriz

Mas na vida de Instagram em que todos vivemos, se dá por si a criar um dress code com a sua família para tirar fotografias divertidas para mostrar nas redes, tire partido das tecnologias para criar novas tradições. “Temos de usufruir dos dias. O Natal é uma época íntima”, lembrou Nélia Vítor, e a verdade é que as tradições são criadas e mantidas dentro de cada família. Há quem se vista de igual, há quem passe a noite da consoada em pijama, há quem passe o Natal fora e se vista a rigor, há quem faça noites temáticas… O importante é criar memórias.

Não se vista como uma árvore de Natal

O Natal é a época dos brilhos e vale quase tudo, mas lembre-se de ter calma. “Muitas pessoas tendem a ficar iguais à sua árvore de Natal, porque querem usar tudo. Misturam brilhos com veludos. Devemos ser mais equilibrados”, partilhou Pureza Fleming. Hoje há tanta informação que, se não soubermos mesmo muito bem aquilo que queremos ser, podemos cair no exagero de querer usar todas as tendências.

"Muitas pessoas tendem a ficar iguais à sua árvore de Natal, porque querem usar tudo. Misturam brilhos com veludos. Devemos ser mais equilibrados”

E por falar em tendências… quais as que se vão ver nestas festas? Vera Deus destacou duas: por um lado, os visuais mais aristocratas com laços, rendas, veludo, vestidos; por outro, os visuais mais punk, inspiração dos anos 80. E como é que encaixamos as tendências na nossa própria personalidade? “Brilhos, plumas, penas, tudo o que seja ostentação e aristocracia está na moda. Mas misturar o formal com o informal é o mote para este ano. Misturar brilhos com básicos”, esclareceu.

Nova tradição: o consumo consciente

Há muitas tradições de que temos saudades, mas, felizmente, muitas outras desapareceram. E no pico do consumo consciente, a ideia de se comprar roupas só para o Natal desapareceu. A reutilização e o mix and match vieram para ficar. “Eu gosto de pegar em materiais mais nobres, como o veludo, e desconstruí-los para o dia-a-dia. A ideia de ter roupa para uma ocasião especial como antigamente já não existe”, clarificou Vera Deus.

“Eu gosto de pegar em materiais mais nobres, como o veludo, e desconstruí-los para o dia-a-dia. A ideia de ter roupa para uma ocasião especial como antigamente já não existe”
Vera Deus, consultora de moda

Mas o consumo consciente vem tentar equilibrar os anos de consumo desenfreado que têm tido um impacto tão negativo no mundo. “Hoje, a roupa é muito barata, mas as pessoas não compram com inteligência”, partilhou Yolanda Lobo. “As pessoas adotaram um consumo compulsivo, mas que se esgota logo ali”, lembrou. Mais vale comprarmos peças úteis e duradouras que vamos reutilizar e misturar e voltar a usar durante vários anos. “E nos outlets, podemos comprar peças muito boas a preços mais acessíveis que vão ser intemporais”, esclareceu Vera Deus.

Natal ou passagem de ano?

Da sua experiência no Freeport Lisboa Fashion Outlet e o Vila do Conde Porto Fashion Outlet, Vera Deus constata que os portugueses tendem a preocupar-se mais com a passagem de ano, principalmente se vão passar fora de casa. “As pessoas querem saber o que devem vestir. Fato? Blazer? E o smoking obriga a um vestido comprido? Hoje já há poucos protocolos e já não ligamos muito às regras, mas, em certas ocasiões, noto que as pessoas ainda ficam baralhadas.” O receio não é de não cumprir com um dress code, mas de cumprir demasiado. Não será esta evolução também boa nos dias de hoje?  “A moda evoluiu e isso é mesmo muito bom. Antigamente, a moda ditava padrões muito rígidos que todos copiávamos. Agora, tudo é mais ou menos permitido. Reina o bom senso, o budget e a ocasião. Umas calças de ganga hoje são transversais, quer elegantes, quer confortáveis quando conjugadas com os acessórios certos”, disse Yolanda Lobo.

Lembra-se da última vez que se vestiu realmente a rigor sem ser para um casamento? Provavelmente não. Porque, na verdade, não temos assim tantas ocasiões no ano para nos vestirmos de forma mais sofisticada. Pelo que o desfecho desta talk acabou por ser o incentivo a que as famílias criem novas tradições. Hoje, podemos misturar praticamente tudo e criar novos visuais práticos que, com uma peça mais sofisticada, se tornam imediatamente elegantes e formais. Ou então, podemos simplesmente desconstruir a moda. As camisolas feias – as ugly sweaters – são brincadeiras que unem as pessoas. E a união é o que mais importa no Natal.

A próxima talk do Observador em parceria com o Freeport Lisboa Fashion Outlet e Vila do Conde Porto Fashion Outlet vai ser no dia 22 de Janeiro, a partir das 18h30, e vamos trazer ao nosso auditório mais convidados para trocar ideias sobre a forma confortável como hoje nos vestimos no trabalho e quais os seus limites. Deixamos aqui o convite para que se junte a nós nesse final de tarde.

“A Moda Desconstruída” é uma iniciativa do Observador e do Freeport Lisboa Fashion Outlet e o Vila do Conde Porto Fashion Outlet. 

Saiba mais em https://observador.pt/seccao/a-moda-desconstruida/

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