Enviado especial ao Vaticano

A expectativa era alta. Pela primeira vez nos 2 mil anos de história da Igreja Católica, o Papa tinha decidido chamar ao Vaticano os presidentes de todas as conferências episcopais do mundo e mais uma série de líderes católicos, incluindo os superiores das congregações religiosas e os bispos das Igrejas orientais, para resolver um problema grave. Era toda a liderança da Igreja Católica, todos os pesos pesados da instituição, reunidos num encontro magno à volta do Papa Francisco, para discutir de uma vez por todas o que fazer para lidar com o escândalo dos abusos sexuais de menores, que há mais de duas décadas tem manchado publicamente a imagem da Igreja.

Ainda assim, o sentimento que imperava em Roma na quarta-feira, o dia anterior ao arranque da cimeira, não era o mais otimista. A esperança nos resultados da reunião confundia-se com a quase certeza de uma desilusão antecipada. Para muitos, era difícil acreditar que aqueles 190 líderes católicos fossem capazes de chegar ao fim de quatro dias com respostas concretas para dar aos fiéis católicos e, em especial, a quem sofreu abusos sexuais cometidos por membros do clero. Os sobreviventes não aceitariam nada menos do que tolerância zero — e muitos deles aproveitaram a semana para se dirigirem a Roma e exigir isso mesmo, enquanto contavam publicamente as suas histórias de sofrimento.

Entrevista a vítima de abusos. “O Papa promete tolerância zero há 6 anos. Está na altura de cumprir”

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