Nick Sabine, fundador do Resident Advisor: “O dinheiro não é a razão pela qual saio da cama todas as manhãs” /premium

09 Julho 2019

Como é que um pequeno site australiano se tornou uma referência mundial na música eletrónica? O fundador Nick Sabine, que entretanto se apaixonou por Lisboa, diz que a independência é fundamental.

Veste T-shirt e calças de ganga, não usa a linguagem cifrada dos negócios e dá a entender que não tem nada de especial para dizer. Aos 38 anos, o australiano Nick Sabine é um poderoso empresário da indústria dos média e fala como se não o fosse. Não revela quanto ganha, mas garante que nunca sonhou com uma boa conta bancária.

Com a ajuda do amigo Paul Clement, criou em 2001 o site Resident Adivsor, onde ambos começaram a escrever textos sobre a cena musical eletrónica de Sidney, a cidade australiana em que viviam. Tratava-se mais de um blogue do que de uma plataforma profissional de informação. Em 2004, Sabine estabeleceu-se no Reino Unido, onde ainda vive, e a pouco e pouco o Resident Advisor transformou-se num site global.

É hoje considerado uma referência para profissionais e consumidores de eletrónica, com sede na capital britânica, zona de Hackney, e escritórios em Berlim, Los Angeles, Nova Iorque, Tóquio e Sidney. O site terá cerca de cinco milhões de visitantes únicos todos os meses, para uma média de 500 artigos publicados. Tem uma versão em japonês e outra em inglês, que é aquela a que os leitores portugueses acedem. A hipótese de ser escrito em diversos idiomas é para já muito longínqua.

A componente informativa inclui reportagens de fundo, crítica musical, entrevistas e uma célebre lista atualizada com “Classificações de DJs” de todo o mundo. Ao mesmo tempo, funciona como sítio de divulgação de sons e vídeos e plataforma de venda de bilhetes em 50 países – é daí quem vêm as receitas principais.

Há concorrentes, claro, Ministry of Sound e Pulse, por exemplo, mas Nick Sabine garante que a independência dos conteúdos informativos é aquilo que distingue o Resident Advisor, tanto mais importante quanto o mercado editorial funciona sob permanente conflito de interesses e na dependência de pagamentos da indústria musical a troco de visibilidade ou conteúdos favoráveis, diz o empresário.

Em junho, deu uma conferência em Lisboa, no espaço Second Home, no Mercado da Ribeira, sobre cultura e ecossistemas digitais – uma das conferências da série Great Speaker, que aquele espaço tem vindo a promover com o apoio da embaixada do Reino Unido em Portugal e que prossegue já nesta terça-feira, dia 9, com a astrofísica Carole Mundell.

Depois de confessar que se sente em casa em Lisboa, Nick Sabine contou ao Observador como vê o futuro da indústria dos média e qual o lugar do Resident Advisor num mundo tão diferente daquele em que o site começou a operar há quase duas décadas.

Nick Sabine durante a conferência que deu em Lisboa

Sempre que vem a Lisboa fica a trabalhar aqui no Mercado da Ribeira?
Sim, temos aqui um espaço. Aliás, até há poucos meses, o nosso responsável de eventos viveu em Lisboa. Isto começou tudo com as minhas vindas a Lisboa. Visitei a cidade pela primeira vez em 2004 e nessa ocasião conheci o Lux. Cinco anos depois voltei e agora venho com muita frequência. Fisiologicamente, é uma cidade que me diz bastante. Quando saio do aeroporto sinto uma tranquilidade como em nenhuma outra parte do mundo. Talvez tenha vivido aqui numa vida anterior ou talvez já tenha vivido aqui no futuro. Há como que uma mudança energética em mim de cada vez que venho a Lisboa, como se estivesse a chegar a casa.

Sentiu isso desde a primeira visita?
Da primeira vez, não. Também era mais novo, talvez não estivesse tão alerta para a minha própria energia. Neste momento, tento passar mais ou menos uma semana por mês em Lisboa. Às vezes, fico duas semanas e depois passo um mês ou dois sem vir. Já agora, deixe-me acrescentar: o nosso responsável de eventos esteve cá a tempo inteiro durante dois anos, por vontade dele. Falou connosco, disse que queria experimentar viver em Lisboa e nós dissemos que sim, claro. Temos uma política que permite a qualquer empregado trabalhar em Lisboa. Somos uma empresa global e é bom que os nossos empregados viajem e contactem com diferentes culturas.

Quem virá a seguir?
Não tenho a certeza, depende de haver alguém que peça. Mas, por exemplo, se estivermos em período de Web Summit [em novembro], a equipa de desenvolvimento de software viaja até Lisboa, para participar.

Os vossos redatores também viajam muito ou passam muito tempo fechados num escritório?
Não, não, viajam bastante. Os principais objetivos do Resident Advisor são os de ajudar à divulgação de eventos em cada cidade [“local scenes”] e criar um sentido de comunidade entre apreciadores de música eletrónica. É a nossa razão de existir. A equipa editorial, que é a maior dentro da empresa, tem um papel decisivo na concretização desses objetivos. Temos um historial de divulgação de música, o que tem dado visibilidade global e algum sucesso a nomes e projetos que de outra forma ninguém conheceria. No caso de Lisboa, temos um bom exemplo: escrevemos um artigo sobre o coletivo e editora Príncipe. Um dos nossos editores tinha cá estado durante uma semana de propósito para conhecer de perto a equipa da Príncipe.

Nídia Minaj, um dos nomes do catálogo da Príncipe Discos

Quando fala para outros empreendedores, e foi isso que lhe pediram na conferência aqui no Mercado da Ribeira, o que é que costuma dizer?
Conto precisamente a nossa história, como chegámos a marca global, qual o modelo de negócio que seguimos. Sempre quisemos ser independentes, porque o que fazemos é apresentar com espírito crítico uma forma de arte que é a nossa paixão. A hipótese de o fazermos sob influência de interesses comerciais não faria sentido. Tivemos de criar um modelo de negócio que nos permitisse uma separação total entre a componente editorial e a componente comercial, o que é hoje uma raridade na indústria dos média e sobretudo nos média dedicados à música. Ou seja, quando falo sobre nós, falo sobre como se pode construir um modelo de negócio sustentável nos dias de hoje. A independência e a integridade são fundamentais em todos os negócios e sobretudo na indústria dos média. Outro aspeto que gosto de destacar é o facto de o Resident Advisor ser um negócio com uma missão e não um negócio que apenas pensa no lucro. À medida que a consciência global se aprofunda, as pessoas cada vez mais irão tomar decisões de consumo conforme os valores que as empresas defendem e não necessariamente com base no preço dos produtos ou serviços.

Costuma-se dizer que sem lucro não há empresas nem empregos, logo, não há prosperidade.
Claro que precisamos de gerar receitas, para podermos existir, para crescermos, para continuarmos a nossa missão, mas o dinheiro não é a razão pela qual saio da cama todas as manhãs.

Qual é a razão?
Apoiar a música eletrónica em cada cidade e conectar as pessoas, sejam elas os artistas, o público, os promotores de eventos, os próprios espaços, as editoras, o que seja. A nossa abordagem é, antes do mais, cada cidade, cada cena local.

Ao longo destes quase 20 anos de Resident Advisor, acha que alguns eventos ou criadores de música surgiram apenas porque vocês existiam?
As cenas existiam ou estavam a despontar, nós demos-lhes uma plataforma global. Por exemplo, um festival e coletivo chamado Nyege Nyege, no Uganda. Não tinha qualquer visibilidade mediática, os artistas não tinham estatura internacional, mas, quando enviámos os nossos redatores para fazerem a cobertura do festival, o projeto ganhou de repente outra dimensão. Aquele grupo de pessoas fazia um festival no Uganda, à beira do rio Nilo, no meio do nada, para sete mil pessoas. Fora dali, ninguém sabia nada. No fundo, internacionalizámos o projeto, através da cobertura que lhe demos, e a partir daí outras pessoas se associaram ao festival, o coletivo passou a ser programado noutros festivais, o festival no Uganda passou a ter facilidade em convidar artistas internacionais. É um exemplo de uma realidade musical que já existia e que nós elevámos.

[o festival Nyege Nyege:]

Quem tem poder de fomentar também terá poder de destruir.
Não é nossa vontade fazer uma coisa dessas. Não procuramos ativamente destruir algo ou alguém.

A cobertura negativa ou o silenciamento pode destruir um projeto e aqueles que têm menos cobertura queixam-se sempre. Como é que se lida com isto?
Não é fácil, mas se retirarmos o fator económico torna-se mais fácil. Cada tema escolhido pela redação, cada tema da parte editorial, aparece no Resident Advisor por mérito próprio. Temos justificação para cada história que publicamos. Se está lá é porque interessa ao nosso público.

Os vossos redatores assumem-se como fãs de música eletrónica?
Claro. Não só os redatores, todas as pessoas que trabalham na empresa. Começa por mim, passa pelo estagiário do escritório e pelos responsáveis técnicos, vai até diretor financeiro.

Quando escolhem empregados, perguntam isso aos candidatos: “é fã de música eletrónica”?
Não de forma tão direta, mas, sim. Torna-se claro ao longo das entrevistas de seleção se as pessoas têm uma paixão sedimentada por eletrónica.

Seria importante que outras empresas de média adotassem o mesmo tipo de critério?
No nosso caso, é útil que assim seja. É uma questão de paixão. Quem está realmente comprometido com a eletrónica, porque despende tempo e dinheiro para fruir de eletrónica, em concertos, discos, conversas, etc., é porque está mesmo próximo desta realidade. Logo, a ideia de trabalhar connosco vai trazer à pessoa maior realização pessoal e profissional. É parte integrante da cultura da empresa, torna a equipa mais coesa. Noutros negócios, admito que nem todos tenham de estar tão próximos dos temas. Quem trabalha numa revista sobre barcos terá a mesma paixão? Será que os temas náuticos se prestam ao mesmo tipo de ligação, será que oferecem tanto em termos de experiência? A música tem esse papel, é uma experiência que toca os seres humanos, o corpo, a mente, mais do que outros temas. Para nós, é um fator determinante, mas não vou estabelecer uma receita para outros.

"Recebemos contactos frequentes por parte dessas marcas e partilhamos com elas um conjunto de regras que estabelecemos. Temos controlo total sobre aquilo que é publicado, temos a última palavra sobre o que vai sair, não fazemos 'product placement', etc"

Essa paixão é uma das chaves do vosso sucesso?
Penso que sim. Somos 75 empregados a tempo inteiro e cada um tem genuíno interesse pela comunidade eletrónica. Estamos ao serviço dessa comunidade.

A separação entre conteúdo editorial e conteúdo comercial permite ao Resident Advisor publicar conteúdos patrocinados?
Temos conteúdos patrocinados, sim. O site é visitado por cinco milhões de pessoas todos os meses, ou seja, tem enorme audiência e isso interessa às marcas. Recebemos contactos frequentes por parte dessas marcas e partilhamos com elas um conjunto de regras que estabelecemos. Temos controlo total sobre aquilo que é publicado, temos a última palavra sobre o que vai sair, não fazemos “product placement”, etc. São aspetos importantes para nós e para muitas marcas. Se uma marca tem um contributo relevante a dar à comunidade eletrónica, e se sentirmos que podemos trabalhar juntos para criar um conteúdo criativo e interessante, ou se pudermos ter uma parceria que nos permita dar aos leitores algo que de outra forma, devido a restrições orçamentais, não poderíamos dar, então avançamos. Mas é sempre claro aos olhos dos leitores que se trata de um conteúdo patrocinado. Utilizamos a frase “patrocinado por x ou y”.

O Resident Advisor é uma plataforma de média que faz jornalismo e que, além disso, presta serviços, como a venda de bilhetes para concertos ou festivais. Certo?
Exatamente.

Como é que em 2019 se consegue manter um projeto jornalístico na internet que seja sustentável?
Não temos “paywall”, mas temos fontes alternativas de receita, por exemplo.

Portanto, um dos conselhos seria: apostar noutras áreas de negócio além do negócio principal.
Sem isso, o negócio principal não é rentável. Não se pode seguir o modelo tradicional dos jornais, que sempre foi o de escrever palavras e vender anúncios. O preço dos anúncios na internet é hoje tão baixo que esse modelo deixou de fazer sentido. Portanto, é preciso encontrar fontes complementares de receita. O Resident Advisor tem um sistema de venda de bilhetes em 50 países. Se no próximo fim de semana aterrar em Lisboa, Porto, Oslo ou Londres, não importa, e quiser ir a uma festa de eletrónica vou à nossa aplicação, ou ao nosso site, e posso ver que DJs atuam na cidade. Em muitos casos, a melhor forma de encontrar bilhetes para uma festa, e às vezes a única, é através do Resident Advisor.

Recebem uma parte do preço que a pessoa pagou pelo bilhete?
Há um pequeno “fee” que cobre as nossas despesas, mas a margem de lucro na venda de bilhetes é curta. Um só bilhete dá um lucro marginal, por isso, é preciso vender muitos bilhetes, para que a margem de lucro cresça. Felizmente, vendemos muitos. Portanto, esta é uma das fontes complementares. Podemos falar do jornal The Guardian, que felizmente tem conseguido que muitos dos seus leitores façam pequenas contribuições em dinheiro, e isso, numa escala global, torna-se lucrativo. As pessoas sentem que o trabalho deles é relevante e por isso apoiam-nos. O New York Times, por exemplo, também vive um bom momento. O estado de coisas no mundo faz com que as pessoas tenham um olhar positivo em relação à imprensa, porque sentem que este ou aquele jornal representa valores relevantes.

Esta terça-feira, 9 de julho, acontece mais uma das conferências Great Speaker

Como é que se cria uma boa relação com o público?
Confiança. É um tema complexo para o mercado editorial. Se a publicação existe apenas para dar lucro a curto-prazo, e se existir interferência comercial nos conteúdos, e se o público se aperceber disso, ninguém confia no que está lá escrito. E se as pessoas não confiam, não apoiam a publicação em termos de pagamentos ou doações. O Guardian e o New York Times têm uma abordagem às notícias que está na história e por isso, agora que precisam de dizer às pessoas “apoiem-nos, caso contrário deixaremos de existir”, o público sente proximidade e corresponde. Sem isso, é muito complicado. Para uma publicação jornalística, os leitores são o principal património. Se os leitores não confiam, quebra-se a relação.

Há muita pressão por parte de marcas que querem cobertura positiva?
Ao fim de quase duas décadas, acho que toda a gente já percebeu a nossa postura. A integridade do que publicamos tem sempre de ser avaliada. Também temos parcerias com festivais de todo o mundo, por exemplo, sobre os quais escreveríamos, independentemente de a parceria existir ou não. Precisamos de estar muito atentos a essa distinção, para que não haja conflito de interesses. Não podemos é fazer uma crítica musical sobre um festival em que um dos palcos é programado por nós. Essa foi uma alteração recente.

Até há pouco tempo não era assim?
Não, embora sempre tenhamos trabalhado com total imparcialidade. Penso que o público poderia ter dúvidas, por isso, decidimos deixar de o fazer. Neste momento, estamos em processo de revisão de todas as regras internas sobre conteúdos editoriais. Sempre tivemos regras internas, mas dentro de pouco tempo estarão revistas e serão publicadas pela primeira vez.

Quando?
Provavelmente, no início do próximo ano. Acreditamos na abordagem ética que utilizamos, mas sabemos que há uma enorme falta de confiança nos média, hoje mais do que nunca. Especialmente na indústria musical, a regra tem sido a de pagar para aparecer (“pay for play”). A maior parte das publicações sobre música é uma extensão de departamentos de marketing. E pode haver quem pense que nós estamos nesse patamar. Por isso, queremos apresentar as nossas regras publicamente e explicar a nossa abordagem, para que se entenda e para que possam chamar-nos a atenção se acharem que não estamos a cumprir. A transparência é muito importante para se ganhar a confiança do público. Temos de ter isto sempre presente: fazemos a cobertura de um tema que as pessoas adoram e que desperta paixões.

Disse que tem cinco milhões de acessos por mês. São visitantes únicos?
Correto.

Se lhe perguntar qual é a receita anual do Resident Advisor é capaz de dar um número?
Não. [Cerca de seis milhões de dólares, de acordo com a base de dados Crunchbase]

"Mas neste momento o projeto realiza-me muito mais do que ter uma conta bancária recheada. Nem eu nem o cofundador nos movemos por causa do dinheiro, o que nos move é a missão e o contributo que estamos a dar à sociedade. Tivemos a sorte de criar um projeto que tem grande influência sobre a área que nos apaixona."

Pensa um dia ter versões do Resident Advisor em português, francês ou espanhol?
É um debate que temos com frequência. A componente editorial foi o nosso ponto de arranque, a justificação para a nossa existência, e, como somos apaixonados por jornalismo, especialmente por artigos de fundo, sempre quisemos alcançar um determinado nível de qualidade. Trabalhamos com os melhores jornalistas do mundo de música eletrónica, fazemos as nossas próprias fotografias nas reportagens, criamos o nosso grafismo. Cada reportagem é, na verdade, uma obra de arte. É muito difícil garantir que a qualidade do jornalismo que fazemos na língua da nossa equipa seria igual se praticado noutras línguas. Não estamos dispostos a aceitar artigos com qualidade de 90 ou de 80% noutra língua, preferimos qualidade de 100% em inglês. Publicamos 500 artigos por mês. Traduzir tudo isso para outros idiomas, um dois, 10, seria muito complexo. Ter o site apenas em inglês limita o nosso crescimento, certo. Se estivesse em português, teríamos mais leitores em Portugal, certo. Mas o mais importante é o nível de qualidade. Há outro aspecto: essencialmente, o fazemos um negócio à antiga. Temos de ganhar um dólar a mais em relação ao que gastámos, caso contrário, não há sustentabilidade.

Recebe muitas propostas de compra da empresa?
Não muitas, mas recebemos muitos e-mails. Não estamos aberto a esse tipo de conversas.

Não quer vender o Resident Advisor?
Não quero, de certeza.

Quanto ganharia se vendesse hoje?
Não faço ideia. Nunca nos sentámos para falar sobre isso. Recebemos muitos e-mails de gente que quer investir nisto e naquilo, mas não queremos vender.

Porque não?
A partir daí deixaríamos de ser independentes.

Poderia retirar-se desta atividade e fazer outras coisas na vida.
Mas neste momento o projeto realiza-me muito mais do que ter uma conta bancária recheada. Nem eu nem o cofundador nos movemos por causa do dinheiro, o que nos move é a missão e o contributo que estamos a dar à sociedade. Tivemos a sorte de criar um projeto que tem grande influência sobre a área que nos apaixona. Uma influência positiva, pensamos nós. Isso é muito mais fascinante. Ninguém quereria investir milhões nesta empresa se depois não pudesse influenciar os conteúdos e a forma como a empresa funciona. Mesmo que nos garantissem que continuaríamos a trabalhar da mesma forma, as interferências acabariam por surgir. De momento, temos um modelo de negócio que nos dá crescimento sustentável e permite manter a independência e integridade.

A alemã Helena Hauff, que Nick Sabine diz ser a melhor DJ do momento

São essas as palavras-chave para quem está a começar uma empresa?
Integridade e a transparência, sim, já a independência não é fundamental para todos. Para nós, é, porque começámos noutra época. Se o Resident Advisor aparecesse amanhã, teríamos de encontrar dinheiro de alguma forma. O mundo mudou. Durante cinco anos, isto foi o nosso segundo emprego, meu e do cofundador. Acordávamos de manhã, escrevíamos algumas coisas, depois íamos trabalhar, à noite escrevíamos mais. Trabalhávamos de graça, era um passatempo. Gastávamos 50 dólares por mês com o alojamento do site e só tínhamos de nos preocupar com isso. Não interessava se seríamos lidos por 50 pessoas ou por 500, queríamos escrever sobre aquilo que nos interessava e partilhar com os amigos. Só ao fim de sete anos é que começámos a ser notados à escala global. Hoje, quando se lança um projeto, e se ele não obtiver sucesso nos seis meses seguintes, desiste-se ou então aparece alguém com dinheiro para investir e para mandar em tudo. Não sei se é bom ou mau, mas penso que quem cria uma startup hoje tem de se perguntar antes de tudo o resto que contributo está a dar ao mundo, isso é que importa, mais do que tentar criar um negócio apenas pelo dinheiro.

Ainda escreve no Resident Advisor?
Já não, deixei há muito tempo. Acho que a qualidade dos nossos conteúdos aumentou bastante desde que desisti. Não sou jornalista profissional, sei escrever umas coisas. Hoje o Resident Advisor faz artigos que podem chegar aos 60 mil caracteres. Somos uma plataforma para contar histórias e apresentar jornalismo de grande qualidade.

Ainda é DJ?
Nas horas vagas.

Sai muito à noite?
Bastante, faz parte do meu papel na empresa: sair e fazer contactos.

Qual é neste momento o seu DJ preferido e qual a melhor discoteca?
É difícil responder. O melhor clube pode ser De School, em Amesterdão, e a melhor DJ acho que é Helena Hauff.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

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