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epa12088869 (L-R) Germany's Chancellor Friedrich Merz, France's President Emmanuel Macron, Ukraine's President Volodymyr Zelensky, Britain's Prime Minister Keir Starmer, and Poland's Prime Minister Donald Tusk walk to attend a joint press conference following a meeting of the 'Coalition of the willing' at the Mariinskyi Palace, the official residence of the president of Ukraine, in Kyiv, Ukraine, 10 May 2025, amid the ongoing Russian invasion.  EPA/DAREK DELMANOWICZ POLAND OUT
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Aos líderes habituais nos encontros de alto nível também se juntou a Finlândia

DAREK DELMANOWICZ/EPA

Aos líderes habituais nos encontros de alto nível também se juntou a Finlândia

DAREK DELMANOWICZ/EPA

Um a um, o elenco europeu que falou com Donald Trump a "uma só voz" para "ajudar a definir a agenda" para o encontro com Vladimir Putin

Starmer, Macron e Merz consolidaram capacidades de liderança, Meloni mostrou-se próxima dos EUA. Polónia e Finlândia, críticos da Rússia, também marcaram presença. Juntos, tentaram influenciar Trump.

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Um encontro presencial, apenas entre Donald Trump e Vladimir Putin, em solo norte-americano, mais precisamente no Alasca, para discutir o fim da guerra na Ucrânia. O anúncio da reunião, na passada sexta-feira, incluía ainda uma data: 15 de agosto. Entre o anúncio e o encontro sobrava apenas uma semana para preparar todos os detalhes e definir uma estratégia. O prazo apertado, somado à exclusão de Volodymyr Zelensky da reunião, fizeram soar os alertas na Ucrânia e por toda a Europa.

Publicamente, os líderes europeus mostraram-se preocupados com a possibilidade de Trump ceder às exigências de Vladimir Putin para pôr fim à guerra — nomeadamente a anexação do Donbass —, depois de o Presidente norte-americano ter admitido que as negociações para a paz podiam incluir “algumas trocas de territórios”. Nas entrelinhas, a preocupação europeia tinha outra camada: o perigo de Trump poder ser “enganado” pelo homólogo russo. A preocupação não é infundada. Afinal, na passada quarta-feira, o próprio Presidente tinha admitido que ainda não sabia se estava a ser “enrolado” por Vladimir Putin.

Confrontados com estas preocupações, os líderes europeus foram rápidos a reagir. Esta quarta-feira, um grupo seleto de chefes de Estado e de governo desdobrou-se em reuniões virtuais, que contaram com a presença de Volodymyr Zelensky, Donald Trump, da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do secretário-geral da NATO, Mark Rutte. “Estamos a fazer todos os possíveis para ajudar a definir a agenda para esse encontro, esperamos que Trump seja bem-sucedido”, declarou o chanceler alemão, Friedrich Merz, numa conferência de imprensa entre dois dos três encontros multilaterais que preencheram o dia — aos quais se somou um encontro bilateral com Volodymyr Zelensky e a promessa de mais ajuda.

O Presidente Trump está ciente desta posição e concordou com ela em grande parte.
Friedrich Merz sobre a cronologia europeia para as negociações

A partir de Berlim, Merz falou ao lado de Zelensky, que convidou para participar no encontro ao seu lado de forma presencial e cujas declarações clarificaram as preocupações subentendendidas dos seus pares europeus: “Não podemos deixar que Putin nos engane”, afirmou. De forma a evitar isso, os líderes europeus procuraram influenciar a posição de Trump no encontro com Putin. A “agenda”, mencionada por Merz, é relativamente simples: a prioridade para o encontro no Alasca deve ser alcançar um cessar-fogo. Só depois se devem negociar questões territoriais, negociações que devem incluir a Ucrânia.

“O Presidente Trump está ciente desta posição e concordou com ela em grande parte“, relatou Merz à saída do encontro virtual com Trump, que classificou o encontro como positivo. Os líderes presentes na reunião falaram a só “uma voz, uma vontade, um princípio, uma visão”, declarou, por sua vez, Zelensky. A persuasão europeia não terá sido apenas fruto de uma posição unida, mas de um elenco de líderes escolhido para concretizar os objetivos definidos.

O líder: Friedrich Merz

O primeiro passo para definir uma posição europeia comum foi dado por Friedrich Merz. Foi o chanceler alemão que convocou as três reuniões desta quarta-feira e que convidou Volodymyr Zelensky a participar no encontro a partir de Berlim. Foi o líder alemão que definiu cinco princípios chave para guiar as negociações. Em primeiro lugar, vincou que é preciso “ter a certeza que a cronologia está correta: primeiro, cessar-fogo; depois, negociações”. Por outro lado, insistiu que a Ucrânia tem de fazer parte dessa segunda parte da cronologia.

epa12297944 German Chancellor Friedrich Merz (R) and Ukrainian President Volodymyr Zelensky attend a press conference following a video call with other heads of state ahead of a summit between the US and Russian leaders, in Berlin, Germany, 13 August 2025.  EPA/FILIP SINGER

Merz convocou os encontros virtuais desta quarta-feira

FILIP SINGER/EPA

Além disso, recusou o reconhecimento dos territórios ucranianos como russos, a desmilitarização da Ucrânia e defendeu uma abordagem que mantenha a Europa na mesa das negociações — uma “estratégia transatlântica”. Ao lado de Zelensky, Merz conseguiu equilibrar a defesa dos interesses ucranianos e da presença europeia na mesa das negociações e os elogios a Donald Trump, com quem mantém uma relação positiva. Tudo somado, Merz tentou provar a sua capacidade de liderança — e parece ter sido bem-sucedido.

Os líderes dos “disponíveis”: Keir Starmer e Emmanuel Macron

Na agenda para esta quarta-feira estavam três reuniões virtuais: uma primeira, entre seis chefes de Estado e governo europeus, o Presidente Zelensky, a líder da União Europeia e o líder da NATO. Depois, seguiu-se uma reunião com estes mesmos líderes, aos quais se juntaram o Presidente Donald Trump e o seu vice, JD Vance. O dia terminou com uma reunião da “Coligação dos Disponíveis“, o grupo de países dispostos a apoiar militarmente a Ucrânia, incluindo através da manutenção de um eventual cessar-fogo. Esta coligação é liderada pelo Reino Unido e por França, pelo que a presença de Keir Starmer e Emmanuel Macron na reunião era incontornável — ao lado de Macron, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, também participou nas reuniões.

Aliás, Starmer e Macron têm, de forma consistente desde a reeleição de Donald Trump, procurado guiar a política externa do continente europeu. Partilham com Friedrich Merz o facto de terem boas relações tanto com Trump como com Zelensky e de terem mediado em mais do que uma ocasião encontros entre os dois líderes: foram eles que organizaram a conversa à margem do funeral do Papa Francisco e, antes disso, terá sido Macron a convencer Trump a receber Zelensky na Casa Branca no final de fevereiro. Tal como Merz, estes dois líderes fizeram questão de vincar, à saída da reunião virtual com o Presidente dos EUA, o seu apoio “inabalável” a Kiev.

epa12056122 epa12056109 A handout photo made available by the Ukrainian Presidential Press Service shows (L-R) French President Emmanuel Macron, British Prime Minister Keir Starmer, US President Donald J. Trump, and Ukrainian President Volodymyr Zelensky speaking in Saint Peter's Cathedral prior to the funeral Mass of Pope Francis in Saint Peter's Square in Vatican City, 26 April 2025. Pope Francis passed away on Easter Monday, 21 April 2025, at the age of 88.  EPA/PRESIDENTIAL PRESS SERVICE HANDOUT HANDOUT  HANDOUT EDITORIAL USE ONLY/NO SALES  EPA-EFE/PRESIDENTIAL PRESS SERVICE HANDOUT HANDOUT  HANDOUT EDITORIAL USE ONLY/NO SALESHANDOUT EDITORIAL USE ONLY/NO SALES

Starmer e Macron organizaram o encontro de abril entre Zelensky e Trump

PRESIDENTIAL PRESS SERVICE HANDOUT HANDOUT/EPA

Macron fez ainda questão de notar que o Presidente norte-americano foi “muito claro” na sua concordância com o plano e a cronologia europeia para a paz. Depois da reunião com Trump, Starmer e Macron participaram na reunião da Coligação, em que reafirmaram a disponibilidade para enviar forças de paz para a Ucrânia — e consolidaram, assim, a sua liderança deste projeto e da política externa do bloco europeu.

[Um homem desobedece às ordens dos terroristas e da polícia e entra sozinho na embaixada. Momentos depois, ouve-se uma enorme explosão“1983: Portugal à Queima-Roupa” é a história do ano em que dois grupos terroristas internacionais atacaram em Portugal. Um comando paramilitar tomou de assalto a embaixada turca em Lisboa e uma execução sumária no Algarve abalou o Médio Oriente. É narrada pela atriz Victoria Guerra, com banda sonora original dos Linda Martini. Ouça o quarto episódio no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube MusicE ouça o primeiro episódio aqui, o segundo aqui e o terceiro aqui]

A possível anfitriã: Giorgia Meloni

A presença da primeira-ministra italiana na reunião completa o grupo das principais economias europeias. De fora, ficou Espanha, cuja relação do chefe do executivo Pedro Sanchéz com Trump está longe de ser calorosa, dado o braço de ferro entre os dois acerca do aumento dos gastos com Defesa no âmbito da NATO. Numa posição oposta, Giorgia Meloni pronunciou-se “profundamente satisfeita” com a reunião e a demonstração de união. A declaração faz eco das palavras de Merz, Macron e Starmer, mas a líder italiana mostrou-se muito mais elogiosa de Trump e dos seus “esforços”.

A posição não é surpreendente. Meloni foi a única líder da direita conservadora a marcar presença na primeira reunião do dia, posição no espectro político que a deixa mais próxima de Trump que outros pares europeus — mas sem se afastar do apoio a Kiev como outros líderes da extrema-direita na Europa. Neste contexto, a chefe do executivo italiano tem assumido mesmo um papel de “ponte” entre os dois blocos em questões económicas.

epa12110547 Italian Prime Minister Giorgia Meloni speaks at a joint press conference with German Chancellor Friedrich Merz following their meeting at Palazzo Chigi in Rome, Italy, 17 May 2025.  EPA/ANGELO CARCONI

Roma poderá ser palco de um futuro encontro a três

ANGELO CARCONI/EPA

O esforço de Meloni para se conectar com Trump foi recompensado: na passada quinta-feira, o Presidente norte-americano pediu-lhe que organizasse uma reunião com Zelensky e Putin em Roma, relatou a agência ANSA. Moscovo acabou por recusar esta hipótese, mas os líderes europeus não excluem que uma próxima reunião, a três, se realize na capital italiana. Desta forma, a presença de Meloni nos encontros desta quarta-feira ajudam-na a posicionar-se como protagonista.

O convidado especial que roubou o lugar a Tusk: Karol Nawrocki

A presença do primeiro-ministro polaco, Donald Tusk, é comum nos encontros de alto nível sobre a Ucrânia. A Polónia é o país da NATO que mais gasta com a área da Defesa, em percentagem do PIB — e, em 2025, o país prevê voltar a aumentar os gastos e chegar aos 30 mil milhões de euros, o que equivale a 4,7%, muito próximo dos 5% definidos como meta pela Aliança Atlântica. A proximidade geográfica com a Ucrânia ajuda a perceber o interesse com a segurança ucraniana. No entanto, esta quarta-feira, Tusk só marcou presença no primeiro e no terceiro encontro. No encontro com Donald Trump, o lugar da Polónia foi ocupado pelo Presidente recém-empossado, Karol Nawrocki.

Em conferência de imprensa após a reunião virtual, o porta-voz de Nawrocki revelou que a presença na reunião aconteceu por convite direto de Washington. Tal como Meloni, Nawrocki posiciona-se no espectro da direita conservadora, o que facilita uma relação com a administração de Donald Trump — algo que o porta-voz destacou, numa crítica à liderança de Tusk. Durante a tomada de posse, o novo Presidente polaco já tinha prometido assumir um papel mais ativo na definição da política externa e de defesa da Polónia.

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O novo Presidente polaco foi convidado por Washington para a reunião

AFP via Getty Images

No passado, Nawrocki defendeu que a Polónia e a Ucrânia deveriam “endereçar questões históricas”, que dividiram os dois povos no passado e opôs-se à adesão de Kiev à UE e à NATO, numa clara cisão com o governo liderado por Tusk. No entanto, esta quarta-feira, as duas fações foram prova que a Europa, em todos os espectros políticos, fala “a uma só voz” e ambos apelaram a uma postura mais dura com a Rússia. Na sua própria conferência de imprensa, Tusk declarou mesmo que executivo e Presidente devem apresentar uma “frente unida” e coordenar a presença em reuniões de alto nível como estas.

O amigo do golf que não confia na Rússia: Alexander Stubb

Entre os nomes habituais à volta da mesa quando o tema é a Ucrânia, estava também um nome mais surpreendente: Alexander Stubb, Presidente da Finlândia. No entanto, a soma de vários fatores facilmente explicam a relevância do chefe de Estado finlandês. Tal como todos os outros líderes que marcaram presença nos encontros desta quarta-feira, Stubb caiu nas “boas graças” do Presidente norte-americano, descreve o Politico, que aponta como ponto de viragem o jogo de golfe entre os dois chefes de Estado em março, durante uma visita não oficial do líder finlandês à Flórida.

A Finlândia também partilha com a Polónia o facto de ser um dos países mais vocais no apoio à Ucrânia, pelo que a sua presença para defender os interesses ucranianos é sempre bem-vinda entre os líderes europeus. “Estamos ao lado da Ucrânia em todas as fases do processo”, escreveu Stubb sobre o encontro nas suas redes sociais, numa publicação em que também salientou as “visões alinhadas e união”.

epa11472785 President of Finland Alexander Stubb (L) attends the North Atlantic Council meeting with Indo-Pacific partners during the NATO Summit at Walter E. Washington Convention Center in Washington, DC, USA, 11 July 2024. The 75th Anniversary NATO Summit is taking place in Washington, DC, from 09 to 11 July 2024.  EPA/MICHAEL REYNOLDS

A proximidade geográfica com a Rússia e o apoio a Kiev ajudam a explicar a presença finlandesa no encontro

MICHAEL REYNOLDS/EPA

No entanto, o convite para o encontro desta quarta-feira também poderá ter servido para Donald Trump ouvir um relato em primeiro mão sobre a experiência de partilhar vários quilómetros de fronteira com a Rússia, feito por uma voz que o líder norte-americano goste mais do que Volodymyr Zelensky. Neste sentido, o Presidente da Finlândia, com mais de 1300 quilómetros de fronteira partilhada, é a pessoa ideal para transmitir a Trump que “não se pode confiar na Rússia“, argumentou Matti Pesu, analista no Finnish Institute for Foreign Policy, aos media finlandeses.

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