Entre vários discos rígidos, material informático e telemóveis, as autoridades encontraram um misterioso papel na casa que o português Rui Pinto ocupava em Budapeste, na Hungria, e de onde terá atacado os computadores do Sporting, da Procuradoria Geral da República, da Federação Portuguesa de Futebol e uma sociedade de advogados. Nesse papel, escrito à mão e que está reproduzido na acusação agora proferida pelo Ministério Público, Rui Pinto escreve algumas frases enigmáticas que parecem prever que iria ser apanhado um dia. Na acusação, os procuradores não perdem muito tempo a interpretar o manuscrito, mas usam-no como prova para os quase 150 crimes de que é acusado, desde uma tentativa de extorsão à Doyen Sports, a 75 crimes de acesso ilegítimo, um de sabotagem informática e 70 de violação de correspondência.

“Poder de veto relativamente a todas as histórias sobre mim e o projeto.
Permissão para partilhar os documentos através da plataforma EIC durante de tempo limitado, mais tarde posso aceitar extensões dependendo da forma como os parceiros funcionarem.
Rendas de casa, despesas durante muito tempo.
Não quero coisas temporárias, quero uma salvaguarda para o futuro
A minha decisão irá definir o resto da minha vida.
A minha namorada acompanhar-me-á e precisa de estabilidade e de um emprego. Não quero que pague pelos meus erro
A partir do momento em que o publico souber de mim, estarei disponível ara entrevistas na televisão, participações em conferências, etc.
Preciso de uma equipa de relações públicas e de alguém ue conheça bem as especificidade do mercado português. A principal guerra será travada e Portugal.
Um país corrompido com níveis elevados de corrupção, falta de justiça e um dos países mais repressivos em relação a delatores.
É necessário processar a Cofina.
São os ponta-de-lança da policia e o ministério público e manipulam as pessoas.
Contrato de cinco anos.
Não estou apenas envolvido em FL, também os Ficheiros Malta e outros tema que podem expor corrupção relacionado com branqueamento de capitais.”

As procuradoras Vera Camacho e Patrícia Barão descrevem este documento encontrado na casa do hacker como uma prova daquilo que fazia. Mas lido, linha por linha, essa prova parece estar apenas no último parágrafo, onde o pirata informático de Vila Nova de Gaia assume que está envolvido no “FL”, que deverá ser um diminutivo de futebol, mas também noutros temas de corrupção.

O documento faz perceber, também, que o hacker previa vir a ser apanhado, procurado por jornalistas e, quem sabe, para conferências e que, poderia, eventualmente, chegar a um acordo com as autoridades que lhe permitisse receber alguma coisa. Para tal precisaria de uma equipa de relações públicas e até um contrato de cinco anos. Uma decisão a ser ponderada, pois disso dependeria o seu futuro. A namorada seria sempre salvaguardada. Rui Pinto não parece pôr a hipótese do que lhe veio a acontecer: ficar preso preventivamente em Portugal.

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