Foram precisos 16 emails para que o homem por detrás do Football Leaks respondesse a Rafael Buschmann e Michael Wulzinger, jornalistas da revista alemã Der Spiegel. Há alguns meses que a página publicava na internet documentos confidenciais relacionados com contratos e negócios do futebol, sem que ninguém soubesse quem estava, afinal, do outro lado do computador. Durante algum tempo foi apenas “FL”, depois passou a “John”, até a detenção de Rui Pinto, em janeiro, em Budapeste, ter dado nome e cara ao hacker — que recusa ser visto como um pirata informático e insiste que é apenas um delator dos podres do mundo do futebol.

A relação que acabaram por estabelecer permitiu à Der Spiegel ter acesso a milhares de documentos e dados — tantos que acabou por reunir, consigo, jornalistas de outros países, num consórcio para partilhar o trabalho.

No livro “Football Leaks: Revelando os negócios obscuros por trás do jogo”, da editora Planeta, os dois repórteres relatam os bastidores das reportagens e dos encontros com Rui Pinto, falam dos contratos suspeitos — com ligações também a Portugal — e dos esquemas de fuga ao fisco de clubes, empresas e jogadores, expõem os valores astronómicos que valem golos ou assistências e apontam o dedo aos alegados “inimigos do jogo”, como lhes chama o autor português.

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