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Fortalecido por terminar uma guerra no Médio Oriente. É com este estado de espírito que o Presidente norte-americano chega à cimeira da NATO, que se realiza entre esta terça e quarta-feira na cidade neerlandesa de Haia. Este é o primeiro encontro ao mais alto nível entre os chefes de Estado e de governo dos 32 Estados-membros da Aliança transatlântica desde que o líder dos Estados Unidos da América (EUA) regressou à Casa Branca. Donald Trump nunca escondeu a desconfiança que sente pela organização militar, tendo-se queixado várias vezes de que os países europeus (e o Canadá) gastam muito pouco em Defesa.
O contexto é agora diferente. Durante o primeiro mandato de Donald Trump, as reclamações foram muitas, mas havia pouco entusiasmo entre os Estados-membros para gastar mais em Defesa. Porém, em 2025, os europeus olham para Leste com muita desconfiança. Uma Rússia expansionista e imperialista que invadiu a Ucrânia fez soar os alarmes entre os 32 Estados-membros. A Europa está a rearmar-se e o assunto tomou conta do debate político do Velho Continente.
Estabelecida em 2014 — após a anexação ilegal russa da Crimeia — a meta dos gastos de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em Defesa está claramente desfasada. Numa estratégia maximalista tipicamente sua, Donald Trump elevou a fasquia e exige agora que os Estados-membros da NATO gastem 5% do PIB em Defesa. Cientes dos riscos geopolíticos, os países fronteiriços com a Rússia concordaram de imediato e estão a fazer esforços para a cumprir. Contudo, nem todos os aliados estão satisfeitos com esta estratégia e muito menos com o orçamento.
▲ Trump na cimeira da NATO em 2018
CHRISTIAN BRUNA/EPA
Entre os 32 Estados-membros, apenas Espanha e a Eslováquia se opuseram taxativamente à meta dos 5% em Defesa. Ainda que certamente haja mais vozes discordantes dentro da NATO, ninguém quer desagradar a Donald Trump. Na verdade, a atual presidência norte-americana não concede grande importância à Aliança Atlântica. Além disso, o chefe de Estado norte-americano tem evitado adotar uma postura hostil face ao regime de Vladimir Putin — considerada a maior ameaça para a esmagadora maioria dos Estados-membros e a razão pela qual aceitam aumentar os gastos em Defesa.
No seio da aliança transatlântica, existem vários receios sobre um eventual abandono dos Estados Unidos em relação à NATO, que continua a ser fundamental para a Defesa da Europa. Para Donald Trump e para muitos dos seus aliados políticos, a organização militar é algo pouco importante, principalmente agora em que as atenções estão centradas no Médio Oriente. Nesta cimeira, os europeus e os canadianos vão tentar contrariar essa ideia ao Presidente norte-americano — e mostrar como ainda podem ser úteis ao aliado do outro lado do Atlântico.
Uma cimeira da NATO importante. Líderes europeus não querem irritar Trump
A 76.ª cimeira da NATO em Haia será a primeira da segunda administração Trump. O estado de espírito é radicalmente diferente face ao do ano passado, que foi de celebração — a Aliança chegava aos 75 anos e retornou à base, em Washington D.C. (onde foi assinado em 1949 o Tratado que estabeleceu os princípios da organização internacional militar). Joe Biden ainda era o Presidente norte-americano e apostava numa política externa claramente de confronto à Rússia de Vladimir Putin, o que agradava aos membros europeus.
▲ Os presentes na 75.ª cimeira da NATO
AFP via Getty Images
As circunstâncias alteraram-se. O tom amistoso da administração Biden foi substituído pela intempestividade da presidência Trump, que se verificou recentemente na cimeira do G7. Durante o evento que juntou os líderes das sete maiores economias mundiais, que ocorreu há pouco tempo no Canadá, o Presidente norte-americano saiu mais cedo e apenas esteve no primeiro dia, justificando a ausência pela escalada de tensão entre Israel e o Irão.
De forma a evitar que Donald Trump saia mais cedo da cimeira, o que poderia ser interpretado como um sinal de fraqueza, a NATO concentrou os principais encontros esta quarta-feira. Em vez dos típicos três dias, o evento foi reduzido para dois, sendo que para esta terça-feira apenas está marcado um jantar de gala entre os chefes de Estado e de governo organizado pelos reis dos Países Baixos.
A estratégia minimalista foi pensada ao pormenor, como nota o Politico. Há apenas um comunicado previsto na sequência da cimeira, uma sessão de trabalho, poucas conferências de imprensa e um jantar para que os líderes possam ter uma abordagem menos formal na discussão dos temas em análise. O objetivo é não dar azo a surpresas e incidentes diplomáticos — que podiam passar uma mensagem de desunião, algo que os europeus e canadianos não querem que aconteça.
▲ Cimeira da NATO em Haia
dpa/picture alliance via Getty I
A BBC lembra que Donald Trump não tem paciência para reuniões longas e tende a dispersar-se com facilidade, o que explica esta configuração mais sucinta da cimeira da NATO. “Mais ação, menos conversa”, resumiu a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, ao Telegraph, que realçou também que o chefe de Estado dos EUA está “entusiasmado” por pernoitar no “palácio real” dos Países Baixos. Além disso, menos encontros dão menos oportunidades para entender as diferenças de prioridades entre os diferentes Estados-membros.
Não irritar Trump e realçar a importância da NATO: a missão da Europa nesta cimeira
Tudo está a ser feito para não irritar o Presidente norte-americano, em parte para os Estados Unidos continuarem a manter-se fiéis à aliança atlântica. “Ele não diz isto há muito tempo, mas ainda existem muitas preocupações que talvez os Estados Unidos saiam da NATO ou que não honrem o artigo 5.º [do Tratado de Washington, que estipula que um ataque a um Estado-membro é um ataque a todos]”, justifica Matthew Kroenig, analista do think tank Atlantic Council, ao Washington Post.
Bluff, dissuasão e poder militar. Ao atacar o Irão, querem os EUA voltar a ser o polícia do mundo?
Ainda esta terça-feira, Donald Trump recusou dar apoio explícito ao Artigo 5.º do Tratado do Atlântico Norte sobre a defesa coletiva, afirmando apenas que está “comprometido em salvar vidas” e remetendo uma declaração quando chegar à cimeira da NATO. “Há muitas definições do Artigo 5.º. Mas comprometo-me a ser amigo. Tornei-me amigo de muitos desses líderes e comprometo-me a ajudá-los”. Uma ideia que se opõe à forma como entrou na guerra de Israel contra o Irão e em que pareceu dar a entender que os EUA estavam a descolar da sua política isolacionista e queriam voltar a ser os polícias do mundo.
Tendo em conta estas declarações, Matthew Kroenig julga que há “um medo real dos europeus de que precisam de mostrar resultados a Trump, de forma a manter os Estados Unidos interessados na NATO”. A possibilidade de a Rússia avançar com um ataque contra um Estado-membro da Aliança transatlântica preocupa muitos líderes europeus. Ainda recentemente, o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, alertou que Moscovo teria capacidades para invadir outro país daqui a cinco anos — uma informação que também está a ser veiculada por vários serviços secretos europeus.
Sendo a primeira a que Donald Trump vai desde 2019, esta cimeira deve marcar o início de um clima favorável entre a NATO e os EUA — e quem sabe uma forma de o Presidente norte-americano se distanciar da Rússia (outra das frases de hoje foi a que terá dito ao presidente russo ao telefone, “eu não preciso de ajuda com o Irão, preciso de ajuda consigo”). Os aliados esperam ainda que o chefe de Estado norte-americano mantenha uma postura amistosa com a Ucrânia. Mark Rutte tem sido bastante claro sobre este assunto: a Aliança Atlântica vai continuar a apoiar Kiev. Aliás, o chefe de Estado da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, foi convidado para alguns eventos da cimeira — e vai encontrar-se com o seu homólogo norte-americano em privado, em príncipio mal esta termine.
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Depois da discussão na Sala Oval no final de fevereiro de 2025, as relações entre Donald Trump e Volodymyr Zelensky azedaram. Num esforço de reconciliação liderado pelo Reino Unido e por França, os dois Presidentes aproximaram-se, principalmente na sequência do encontro no Vaticano, pouco antes do funeral do Papa Francisco. Agora, vão voltar a estar juntos esta quarta-feira, numa reunião que, se correr bem, pode ser positiva para a NATO.
▲ Discussão de Trump e Zelensky na Casa Branca. Líderes vão voltar a encontrar-se esta quarta-feira depois de terem estado juntos também no funeral do Papa Francisco
JIM LO SCALZO / POOL/EPA
Para que a atmosfera do encontro seja positiva, o secretário-geral da NATO tem cortejado e tem sido particularmente elogioso com Donald Trump. Ainda esta terça-feira, o Presidente norte-americano divulgou na sua conta pessoal uma troca de mensagens com Mark Rutte, em que o ex-primeiro-ministro dos Países Baixos tece vários elogios à resposta dos EUA ao Irão, considerando que foi “verdadeiramente extraordinária”.
“Está a voar para outro grande sucesso em Haia. O Donald trouxe-nos a um momento muito importante na América, na Europa e no mundo. Vai alcançar o que nenhum outro Presidente conseguiu antes. A Europa vai pagar em grande, como deve, e será a sua vitória”, lê-se na mensagem de Mark Rutte, logo confirmada pela NATO e que Rutte não teve problemas em que fosse divulgada. As duras críticas ao violar do cessar fogo pelos dois países, Israel e Irão, sublinhando não ter gostado nada do ataque israelita — “eles não sabem o que raio estão a fazer” —, também ajudara, à imagem de Trump.
Trump publica mensagem enviada por secretário-geral da NATO: “A Europa vai pagar em grande”
O antigo embaixador norte-americano na NATO, Kurt Volker, explicou à CNN Internacional os motivos de todas as alterações e elogios, feitos recentemente pelos líderes europeus: “Eles querem que seja uma boa experiência para o Presidente Trump, dando-lhe uma palmada nas costas pela forma como lidou com Israel e o Irão. Eles esperam que ao ser pequena, doce e positiva, o Presidente Trump saia [da cimeira] com uma visão mais positiva da NATO.”
5% do PIB. A meta com que muitos parecem concordar
Na mensagem bajuladora dirigida ao líder norte-americano, Mark Rutte enfatizava a “grande vitória” de Donald Trump. “Não foi fácil”, mas todos os Estados-membros “concordaram em atingir” a meta dos 5% do PIB em gastos relacionados com a Defesa. A presidência dos Estados Unidos vai concretizar o desejo de ver os Aliados a pagarem mais e não serem só os norte-americanos a suportar a grande fatia dos gastos.
Ainda assim, a meta dos 5% está dividida em duas parcelas, de modo a não sobrecarregar os aliados. Em Defesa, os 32 Estados-membros vão investir pelo menos 3,5% do PIB. Os restantes 1,5% do PIB são mais flexíveis, estando relacionadas com despesas de segurança. Por exemplo, os gastos podem incluir a construção de pontes ou estradas, instalações médicas ou o investimento em campanhas de instrução à população para se prepararem para uma eventual guerra.
Reforço das despesas com Defesa para 2% sem retificativo? Cabe quase tudo nos dados enviados à NATO
Os Estados-membros vão precisar de algum tempo para se adaptar. À exceção da Polónia (que já gasta 4% do PIB em Defesa), os restantes países têm pedido tempo para atingir a meta estipulada pela administração Trump e pela NATO. O objetivo desta cimeira é, no entanto, que haja a ideia de que se formou um consenso em redor daquele objetivo, agradando o Presidente dos EUA e mostrando que a Aliança continua a ser uma aposta que vale a pena manter.
Depois de ter contribuído para um cessar-fogo entre Israel e o Irão, Donald Trump mostrou-se entusiasmado na Truth Social “para ver todos os bons amigos europeus” durante a 76.ª cimeira da NATO em Haia. “Felizmente, vamos alcançar muita coisa”, escreveu. Depois da garantia de Mark Rutte, o Presidente norte-americano sente que obteve uma vitória política ao fazer com que todos os países concordem, em teoria, com o aumento das despesas militares.
Vai demorar algum tempo. Ainda não há nenhum calendário oficial, estando previsto que seja elaborado um durante esta cimeira da NATO. Unilateralmente, a Alemanha estipula que chegará à meta dos 5% do PIB em Defesa em 2029, enquanto o Reino Unido apenas em 2035. O país que per capita já gasta mais entre todos os Estados-membros — a Polónia — prevê fazê-lo em 2026.
Espanha e Eslováquia. Os dois países que discordaram Trump
O consenso em redor dos 5% do PIB em Defesa pode até nem corresponder à realidade entre os Estados-membros. Países do sul da Europa — como Portugal ou Itália — ainda gastam muito pouco e vão precisar de muito tempo para chegar àquela meta. Ainda assim, mantêm uma postura de ambiguidade estratégica, não negando, mas também não confirmando que a vão alcançar.
Nem todos escolheram esta estratégia. À cabeça, o chefe do governo espanhol, Pedro Sánchez, discordou diretamente da meta dos 5%. “Atingir esse nível de despesa implicaria desaceleração económica, pressões inflacionistas e cortes em serviços públicos”, denunciou o secretário-geral socialista de Espanha, que liderada uma coligação com vários partidos regionalistas e de esquerda, que mantêm uma forte animosidade face à NATO.
“É incompatível com o estado de bem-estar”, disse o líder do governo espanhol, considerando a meta “irracional e contraproducente”. Pedro Sánchez sublinhou que gastaria apenas 2,1% do PIB em gastos relacionados com a Defesa para “não fazer sacrifícios”. Em negociações com Mark Rutte, o líder do governo espanhol obteve uma flexibilização da meta, que será avaliada em 2029.
Numa carta divulgada por Pedro Sánchez, o secretário-geral da NATO esclareceu que “dava a Espanha a flexibilidade para determinar o seu caminho soberano para atingir o objetivo anual e os recursos anuais necessários”. No entanto, isso não significa que Espanha não vá atingir a meta dos 5%; apenas implica que Madrid terá um calendário distinto e mais flexível, algo que também está a ser ponderado pela Bélgica.
Toma, Alberto.
Que alguien te la traduzca. A ver si eso aclara tus dudas. pic.twitter.com/Dg5D9nrl2t
— Pedro Sánchez (@sanchezcastejon) June 22, 2025
Mark Rutte esclareceu, numa conferência de imprensa esta segunda-feira, que a meta dos 2,1% do PIB não é suficiente para Espanha se colocar ao mesmo nível do que os Estados-membros. “A NATO está absolutamente convencida que Espanha vai ter de gastar 3,5%”, frisou o líder da NATO, que realçou que a aliança transatlântica “não tem exceções e não faz acordos paralelos”.
Para manter os parceiros governamentais à esquerda satisfeitos e desviar atenções dos processos de corrupção que assolam membros do PSOE e do seu governo (e que até já motivaram uma carta de mais de 30 antigos ministros e altos cargos socialistas para que Pedro Sánchez se demita), o chefe do governo espanhol estará a tentar usar a NATO como forma de tentar ganhar apoio político internamente.
Mas o chefe do governo espanhol está a ser pressionado por Donald Trump. O Presidente norte-americano disse que a NATO “estava a ter problemas com Espanha”: “Há um problema com Espanha. Espanha não está a concordar, o que é muito injusto para o resto das pessoas“. Salientando que Madrid é a capital que menos gasta em Defesa, o líder norte-americano vai insistir nesta cimeira para que Espanha — que considerou ser um “problema” — aumente os gastos militares dentro da Aliança.
▲ Mark Rutte e Pedro Sánchez chegaram a um acordo de flexibilização de gastos militares para Espanha
NurPhoto via Getty Images
Há outro país que destoou com a unidade: a Eslováquia. O governo liderado pelo primeiro-ministro Robert Fico, do partido de esquerda nacionalista Smer-SD (que foi expulso do grupo europeu dos socialistas europeus em 2023 após ter feito um acordo de governo com partidos de extrema-direita), até admitiu a saída de Bratislava da Aliança transatlântica, discordando com a meta dos 5% em Defesa.
“Nestes tempos sem sentido de rearmamento, quando as empresas de venda de armas estão a esfregar as mãos, tal como as empresas farmacêuticas fizeram durante a [pandemia de] Covid, a neutralidade seria uma opção muito boa para a Eslováquia”, afirmou Robert Fico durante a semana passada. O chefe do executivo voltou atrás com a palavra, mas insistiu que a meta de 5% é demasiado ambiciosa para ser cumprida a curto prazo.
Robert Fico deu, ainda assim, o exemplo espanhol para sublinhar que o mais importante é que os eslovacos “atinjam os padrões de vida” dos restantes países da União Europeia. “Num período de restauração das finanças públicas, a República Eslovaca tem outras prioridades nos próximos anos do que [comprar] armamento. A República Eslovaca é capaz de atingir as exigências da NATO sem um aumento substancial nos gastos da Defesa”, estipulou o primeiro-ministro, num comunicado publicado no X.
▲ Robert Fico também seguiu Espanha e considera que gastos militares não são uma prioridade
OLIVIER MATTHYS/EPA
O teste para a Ucrânia e as simpatias de Trump pela Rússia
Volodymyr Zelensky viajou até Haia. Vai encontrar-se bilateralmente com líderes europeus, estará presente no jantar de gala com os reis neerlandeses e até vai a alguns eventos da cimeira. No entanto, na reunião à porta fechada que ocorre esta quarta-feira, o Presidente da Ucrânia não vai marcar presença, o que não aconteceu nos últimos anos. Um sinal claro de que a Ucrânia não é um Estado-membro da NATO — nem parece estar a caminho de sê-lo.
A guerra na Ucrânia vai ocupar um grande espaço nas discussões dos chefes de governo e de Estado da NATO, ainda que possa perder protagonismo devido à guerra entre o Irão e Israel. Contudo, é o tópico que atualmente mais preocupa os líderes europeus — que vão tentar sensibilizar Donald Trump para o assunto, esperando que o Presidente norte-americano mantenha o apoio a Kiev e ignore as tentativas de sedução do Kremlin.
Em termos concretos, como sinalizou um dirigente alemão ao Politico, o que é mais importante é que “a declaração final inclua o apoio contínuo dos parceiros da NATO à Ucrânia”. Para os europeus, isso é o “mais importante”, assim como para Volodymyr Zelensky. O Presidente da Ucrânia pretende manter o apoio dos dois lados do Atlântico e a cimeira da NATO será uma oportunidade para que tal aconteça.
▲ Volodymyr Zelenksy em Haia com António Costa, Ursula von der Leyen e Mark Rutte
SEM VAN DER WAL/EPA
Michael R. Carpenter, antigo embaixador da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, sintetiza ao New York Times que pode acontecer à Ucrânia nesta cimeira da NATO: “Zelensky vai para casa depois desta cimeira a sentir que ainda tem o apoio da Aliança? Ou sente que a Aliança já não oferece um apoio substancial e explícito à Ucrânia?”
Para isso, os líderes da Aliança vão ter de convencer Donald Trump. O Presidente norte-americano mantém os canais de comunicação abertos com Moscovo e uma proximidade a Vladimir Putin que incomoda os europeus. Mas aqui reside um paradoxo: o chefe de Estado dos EUA não olha para Moscovo como uma ameaça, estatuto que está a motivar os investimentos em Defesa da Europa, mas antes como um eventual parceiro de negócios.
As perceções em Washington e nas capitais europeias sobre o regime de Vladimir Putin são diferentes e não deverão ser dissecadas em público. Mas isso não significa que não possa haver pontos em comum. Jamie Shea, antigo dirigente da NATO, assinala à Deutsche Welle que as vontades dos dois lados do Atlântico podem ser conciliáveis.
Para os europeus, “a meta dos 5% do PIB em Defesa é para dissuadir a Rússia, manter a Europa e os cidadãos da NATO seguros e para que durmam sãos e salvos na sua cama”, continua Jamie Shea. Para o Presidente norte-americano é uma vitória política, vendo as suas reivindicações (que já vêm do primeiro mandato) respondidas: “Trump deve voltar a Washington como um homem feliz”. Resta saber se haverá algum imprevisto.