Propinas, quarto e comida. As principais despesas dos alunos do ensino superior

Há mais de 15 anos que as propinas não estavam tão baixas, mas continuam a ser uma das principais despesas no ensino superior. Outra é o alojamento. Saiba com o que pode contar este ano letivo.

[Veja aqui se entrou no Ensino Superior]

As propinas e o alojamento são as maiores despesas a ter em conta para quem planeia candidatar-se ao ensino superior, mas os gastos com alimentação e saúde também pesam nas contas das famílias. Reunimos uma lista com as principais despesas e as variações entre as diferentes instituições do ensino superior.

Propinas

Não há forma de escapar às propinas — no limite, ter uma bolsa que ajude a pagá-las —, mas o valor estabelecido para este ano trouxe boas notícias às famílias: uma redução de 192 euros em relação à propina máxima do ano passado. 871,52 euros foi o valor máximo definido pelo Orçamento do Estado para 2019. Desde 2003/2004 que as propinas não estavam tão baixas. Nesse ano, ficaram um pouco acima dos 850 euros, um aumento de duas vezes e meia em relação ao ano anterior.

“A partir do ano letivo 2019/2020, com vista a reforçar o ingresso de jovens no ensino superior, o valor da propina a fixar pelas instituições de ensino superior públicas não pode ser superior a duas vezes o valor do indexante de apoios sociais fixado para o ano em que se inicia o ano letivo”, lê-se no artigo 198.º da Lei n.º 71/2018 que define o Orçamento do Estado para 2019. O valor do Indexante dos Apoios Sociais (IAS) — que também serve de cálculo às prestações sociais —, é de 435,76€, em 2019.

Nem todas as universidades e politécnicos atualizaram a propina para o próximo ano letivo, mas a maioria das instituições que o fizeram vão assumir a propina de 871,52 euros. Ainda assim, há institutos politécnicos que optam por uma propina ainda mais baixa como os de Beja (780 euros), de Castelo Branco (856 euros) e da Guarda e do Cávado e Ave (870 euros).

Mesmo com a redução prevista para este ano letivo, é, ainda assim, um custo grande para as famílias. Para facilitar o pagamento das propinas, as instituições têm sistemas de pagamento faseados que podem ir até 10 prestações — mas o melhor é consultar os serviços académicos da instituição em causa para ter a certeza de qual o modelo adotado. Por outro lado, é preciso não esquecer que às propinas acrescem as taxas de inscrição, o seguro escolar ou outras taxas definidas pelos serviços académicos.

Alojamento

Todas as universidades e institutos politécnicos têm residências com quartos a preços acessíveis. O problema é que o número de camas disponíveis fica muito aquém das necessidades, sejam para alunos bolseiros ou não bolseiros, alunos estrangeiros ou professores. Além disso, é dada prioridade aos alunos que tenham requerido apoio social (bolsas de estudo) e aos alunos dos anos anteriores que já demonstram que a situação económica do agregado familiar o justifica.

Os serviços de ação social abriram as candidaturas para o alojamento em residência universitária antes do verão e vão encerrá-las durante o mês de setembro — portanto o melhor é tratar dos documentos o quanto antes. A maior parte delas já tem a tabela de preços para o ano letivo 2019/2020 atualizada e assumiram como valor base para alunos bolseiros em quarto duplo ou triplo é de 76,26 euros. Se o quarto for individual, mesmo para alunos bolseiros, se se tratar de um aluno que não tenha esse apoio dos serviços de ação social, ou se em vez de um quarto numa residência for num apartamento, os valores variam muito mais.

Mais há mais motivos para as variações nos preços das residências, por exemplo, o valor de 76,26 euros pode ou não incluir despesas como eletricidade, limpeza do quarto ou muda dos lençóis. Há ainda alguns alojamentos que têm mensalidades com meia pensão (uma refeição incluída) ou pensão completa (alojamento, almoço e jantar) — com custos, naturalmente, superiores.

Para muitos alunos que ficam sem alojamento numa residência universitária, a opção passará por alugar um quarto ou partilhar um apartamento com outros estudantes. Mas onde procurar? Algumas universidades e politécnicos começaram já a integrar, nos seus próprios sites, motores de busca de alojamentos ou a oferecer alternativas às residências universitárias. Deixamos aqui alguns exemplos:

  • Universidade da Beira Interior: quartos e apartamentos (aqui e aqui);
  • Universidade de Aveiro: alojamento qualificado em Aveiro, Águeda e Oliveira de Azeméis, que não pode exceder os 250 euros por quarto sem WC;
  • Universidade de Coimbra: vagas em residências ou em alojamentos privados (aqui);
  • Instituto Politécnico de Leiria: descontos em hotéis e outros alojamentos;
  • Instituto Politécnico de Lisboa: acolhimento sénior para estudantes do ensino superior por 50 euros por mês

As associações académicas também podem dar uma ajuda na procura de alojamento. Muitas delas têm anúncios disponíveis, como o caso da Associação Académica da Universidade de Évora (aqui) ou da Associação Académica do Instituto Politécnico do Cávado e Ave (aqui).

Alimentação

Entre cantinas, restaurantes, snack-bares e bares, não faltam opções aos alunos para encontrarem uma refeição, mas os preços variam consoante o local. Normalmente, as cantinas têm um prato social a preço reduzido, que inclui sopa, prato principal, pão, fruta ou sobremesa e bebida.

O preço máximo para este prato social costuma ser definido todos os anos, em outubro: 0,63% do IAS. O valor do prato social deste ano letivo não pode ultrapassar os 2,75 euros por refeição completa. Mas algumas instituições optaram por valores mais baixos, como o Instituto Politécnico de Bragança (2,30€) ou a Universidade de Coimbra (2,40€).

E existem ainda outras variações: locais que oferecem o prato simples ainda mais barato que a refeição social ou descontos para quem compra packs de senhas. Atenção, que, em muitos locais, a venda de senhas no próprio dia podem significar 20 ou 30 cêntimos a mais.

Os Serviços de Ação Social de algumas instituições começaram também a criar outras opções: mensalidades das residências com meias pensões e pensões completas, espaços nas universidades para os alunos poderem aquecer as refeições que trazem de casa e serviços de take away a preços reduzidos para quem quer levar refeições para casa.

O prato social inclui sopa, prato principal, pão, fruta ou sobremesa e bebida — ESTELA SILVA/LUSA

ESTELA SILVA/LUSA

Saúde

Os gastos com a saúde não serão a principal despesa de quem entra no ensino superior, mas a preocupação com os custos não pode impedir os alunos de acederem a estes serviços, nomeadamente aos gabinetes de psicologia criados para apoiar os estudantes que estão deprimidos, com dificuldades de adaptação, a precisar de orientação profissional ou que têm outras questões do foro psicológico. Na generalidade, estas consultas são gratuitas.

Noutras instituições é possível encontrar consultas de medicina geral, planeamento familiar e nutrição ou ainda oftalmologia, medicina dentária e acompanhamento de comportamentos aditivos e dependências. Na generalidade, também estas consultas são gratuitas ou têm custos reduzidos para os alunos.

Algumas instituições estabeleceram protocolos com os centros de saúde locais, para que mesmo os alunos deslocados possam ter acesso às consultas ou cuidados de enfermagem, como os institutos politécnicos de Portalegre, do Porto e de Tomar.

Outras universidades e politécnicos têm acordos com prestadores de serviços de saúde privados, que fazem descontos aos estudantes:

  • Universidade de Aveiro (aqui);
  • Universidade do Algarve (aqui);
  • ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa (aqui);
  • Instituto Politécnico do Cávado e Ave (aqui);
  • Instituto Politécnico de Leiria (aqui);
  • Instituto Politécnico de Tomar (aqui).

[Artigo publicado originalmente a 17 de julho de 2019 e atualizado a 6 de setembro com as novas tabelas de preços disponibilizadas pelas universidades e institutos politécnicos.] 

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