As polémicas de um escritor em contracorrente

28 Janeiro 20161.139

Vergílio Ferreira nasceu há 100 anos. Nunca gerou consensos e esteve sempre contra o sistema. Nos seus diários foi implacável com todo o meio literário. Joana Emídio Marques lembra as controvérsias.

Passam 100 anos sobre o nascimento do escritor Vergílio Ferreira e, em março, passam 20 anos sobre a sua morte. Como diria Álvaro de Campos: só és lembrado “quando faz anos que nasceste, quando faz anos que morreste. Mais nada, mais nada, absolutamente mais nada. Duas vezes no ano pensam em ti”. Neste ano de datas redondas a Quetzal anuncia a publicação da obra completa incluindo os polémicos diários Conta-Corrente (estes apenas em formato digital). Mas, para além da Aparição, obra obrigatória no secundário, quem lê Vergílio Ferreira?

Dizia o escritor e ensaísta francês Maurice Blanchot que poucos são os escritores que sobrevivem à sua morte, pois a luz que lhes iluminava a obra vinha da sua vida e que, morto o corpo, morria inevitavelmente a obra. Ou, pelo menos, essa obra ficava num limbo onde era lida e celebrada por um grupo restrito de pessoas. Vergílio Ferreira parece ter ficado nesse limbo. Nem alegremente lembrado, nem totalmente esquecido

O poeta e tradutor João Moita, de 31 anos, é uma excepção. Descobriu o escritor no secundário e afirma: “Devo tudo ao Vergílio Ferreira”. Escreveu sobre ele a sua tese de Mestrado, abordando uma questão absolutamente nevrálgica na sua obra e na sua vida: o erotismo, as suas difíceis e intransigentes relações com o mundo.

Foi um homem sempre contra o sistema: viveu mal com o antigo regime, com os neo-realistas e com o comunismo, com o regabofe revolucionário, com as perversidades do capitalismo.

Ao longo de mais de 50 anos de vida literária — com dezenas de romances e ensaios — Vergílio Ferreira, precursor do existencialismo na literatura portuguesa, nunca foi homem de reunir consensos à sua volta e nunca gozou da admiração que o seu talento e a singularidade da sua obra poderiam indicar. Muito embora o seu isolamento fosse, em parte, alimentado por si mesmo: sentia-se sempre inseguro nos ambientes sociais, odiava eventos mundanos, procurava em cada amizade uma lealdade que poucos lhe souberam dar. Mas sobretudo foi um homem sempre posicionado contra o sistema: viveu mal com o antigo regime, viveu mal com os neo-realistas e com o comunismo, viveu mal com o regabofe revolucionário, viveu mal com as perversidades do capitalismo. O preço que pagou foi um isolamento e uma falta de reconhecimento público que ele estoicamente aguentou mas que o fazia sofrer duramente.

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Os cinco volumes da primeira série dos diários, publicados pela Bertrand, há muito que só se encontram em alfarrabistas. A Quetzal promete uma reedição ainda este ano em formato digital

Como lembra Eduardo Lourenço (um dos únicos a quem ele chamava amigo): “Vergílio Ferreira foi sempre um radical, e a obra que melhor expressa o seu radicalismo são os diários Conta-Corrente, injustamente pouco lidos e sobretudo pouco estudados.”

Nos anos 80,  António Lobo Antunes, jovem escritor à procura do seu espaço no meio literário que considerava anacrónico, chamava-lhe o “Sartre de Fontanelas”. No entanto, nunca Vergílio Ferreira beneficiou tanto do sistema literário português, dos seus meandros de amiguismos, cunhas, holofotes, viagens, festivais, quanto Lobo Antunes, a quem ele chamava o “bobo”Antunes.  Curiosamente, as ultimas aparições mediáticas antuninas, as suas boutades adolescentes, apenas vêm dar razão a Vergílio Ferreira. Mais: mostram que o verdadeiro radicalismo vem de dentro, está nas acções e não no facto de se dizerem uns palavrões nos jornais.

24 de Março de 1969. “Dizem-me às vezes que sou inacessível à emoção — não é curioso? E que não gosto, sou incapaz de gostar, de ninguém. Imagine-se (…). Mas, se é assim, a explicação não será difícil. Quando a vida nos habitua a desprendermo-nos dela, a firmarmos o pé em nada, vive-se obviamente no provisório. E se o que mais amamos nos falha sempre ou disso nos ameaça, o recurso é amar-se como que um ‘ideal’ que nunca falha (…). Por mim e por sobre tudo, amo a vida, que é onde acontece o que há-de amar-se ou não. Mas o que põe em causa as relações individuais não é de prender muito. Por desencanto prévio, pois. E por prudência. Pelo que for. Assim, as surpresas não surpreendem. Ou quase.” (Conta-corrente I)

Como explica João Moita, em entrevista ao Observador, o quase abandono dos pais que partiram para os Estados Unidos e o deixaram entregue a umas tias apenas com 3 anos, a pobreza e o isolamento dos anos que passou no seminário fizeram dele uma pessoa insegura. O sentimento de o mundo estar sempre em falta para com ele, o nunca se sentir suficientemente reconhecido, suficientemente amado são visíveis na sua obra e na sua vida. As suas inseguranças crónicas oscilam com momentos de megalomania em que se acha “o melhor escritor do mundo”, como escreve no diário (Conta-corrente III).

Apesar de se isolar frequentemente na vida familiar, Vergílio Ferreira envolveu-se em várias polémicas e tomou atitudes corajosas contra o que eram as tendências dominantes na vida politica e literária.

Apesar de se isolar frequentemente na vida familiar, na casa de Fontanelas (arredores de Sintra), Vergílio Ferreira envolveu-se em várias polémicas, tomou atitudes corajosas contra o que eram as tendências dominantes na vida politica e literária: discordava que Fernando Pessoa fosse assim tão bom, detestava o povo idealizado pelo neorealismo, detestava o comunismo. Repudiava as liberdades sexuais e o “erotismo artificial” da sociedade contemporânea. Tinha vários ódios de estimação, entre eles o historiador Óscar Lopes e o jornalista Mário Castrim, ou “Kastrim”, como ele o designa nos diários aludindo à filiação deste no PCP. Também implicava com Sophia de Mello Breyner, que denomina sempre sarcasticamente como  “a poet(isa)”.

Porém, era extremamente sensível e generoso para com os jovens autores e são muitos os que ele menciona com admiração e preocupação ao longo dos diários: Almeida Faria, que chegou a ser seu aluno no liceu de Évora e depois no Camões em Lisboa, Lídia Jorge, Vasco Graça Moura, Teolinda Gersão.

Um retrato impiedoso dos outros e de si mesmo

“Estes diários são uma coisa absolutamente única na literatura portuguesa”, diz Eduardo Lourenço enquanto segura um exemplar da 1ª edição saída na Bertrand em 1981. “Não temos a  tradição dos diários, como os ingleses, ou então publicamos uma coisa já lavadinha pelas mãos de deus como fez o Torga. Os portugueses têm relutância em mostrar a sua intimidade. Ao publicar isto assim, Vergílio mostrou toda a sua coragem, mostrou-se nu. Ora, como isso é para poucos, poucos foram os que o seguiram”.

Lourenço vai percorrendo as páginas dos diários e lê em vos alta os momentos em que o escritor fala dele, de Almeida Faria, de Fernando Namora. O filósofo dá gargalhadas ao ler algumas passagens e afirma: “Era terrível, era terrível, mas ele era isto. Ele escreve como falava, com o mesmo sarcasmo, a mesma capacidade de, com duas ou três palavras  fazer o retrato de uma pessoa e esmága-la. Agora imagine-se isto aparecer nos anos 80, no pântano que era e é o meio literário português. Foi o fim do mundo”, diz, rindo muito.

Apresentado a Vergílio Ferreira por Almeida Faria, Eduardo Lourenço seria uma das suas amizades mais importantes

Vergílio Ferreira começou a escrever Conta- Corrente em 1969, aos 53 anos. Não tanto como um desabafo, mas como um exercício e uma incapacidade de resistir à pulsão da escrita. “É como se ele levasse à letra aquela máxima de Picasso de que quando a inspiração chega é melhor que nos apanhe a trabalhar”, diz João Moita. Daí que estes diários (nove livros ao todo, divididos em duas séries) sejam não só preciosos para os historiadores, mas também para qualquer escritor, porque neles se encontra uma grande reflexão sobre o acto da escrita, a responsabilidade perante o impulso criativo, a luta para encontrar a palavra. “A palavra total, a que nos diga inteiros, a que nos diga a vida toda”, como ele escreve no início de Conta -Corrente III depois de ter sofrido um enfarte.

1 de Agosto de 1980. “Vi as provas do primeiro volume deste Conta- Corrente. Meu Deus, o que eu corei. E quanto creme refrescante eu pus no meu corar, ou seja, quanto emendei para atenuar a vergonha. Mas a melhor forma de atenuar a vergonha é assumi-la. E é isso já tão sabido que, quando anotamos a alguém as suas asneiras, a forma mais corrente de nos responder é que foi assim mesmo que quis fazer. ficai pois sabendo, ó críticos soezes [ignorantes]: foi assim mesmo que eu quis fazer. E ide chatear a vossa avó.”

Quando começaram a sair estes diários já Vergílio Ferreira vivia em Lisboa há vários anos. Mas, como ele mesmo dizia, nunca tinha saído da província. Trouxera a província para Lisboa e instalara-se nela. O facto de nunca ter feito vida nos salões e nunca ter sido aceite pelo meio literário de Lisboa acentuavam-lhe esse sentimento. Ao longo dos anos vai anotando todas as desfeitas que lhe fizeram, convites que foram desconvidados, encontros, viagens, colóquios para os quais não foi convidado. Porém, quando era convidado queixava-se imenso por ter de ir, detestava viajar, incompatibilizava-se com as pessoas à volta. Esperava, angustiado, o  regresso a casa.

Herberto Helder chocou-o quando deixou crescer as barbas. Vergílio Ferreira escreveu que o poeta tinha feito isso para ficar parecido com os militantes do PCP. 

Por outro lado, desencantava-se facilmente com as pessoas, sobretudo por razões políticas: Herberto Helder, que ele considerava o melhor poeta do seu tempo “logo a seguir ao Ramos Rosa”, chocou-o quando deixou crescer as barbas. Vergílio Ferreira escreveu que Herberto tinha feito isso para ficar parecido com os militantes do PCP. Ficou também furioso quando soube que Eduardo Prado Coelho se filiara no Partido Comunista. E mesmo o seu amigo Eduardo Lourenço não se livrava de umas chicotadas verbais de cada vez que se aproximava de alguma posição da esquerda.

8 de fevereiro de 1973. “O Lourenço está aí. Para arrumar a questão de ir para a universidade nova. Tímido (como eu?), duvidando de si (como eu?), orgulhoso de si nos intervalos ou quando há a ameaça de que lhe confirmem as dúvidas.”

10 de Maio de 1975. “Ontem chegou o Lourenço.Vem para o  Congresso dos Escritores, que se inicia hoje. Eu não vou (…). Dei-lhe o meu último livro. Gabou a capa até ver. Creio que os meus livros não lhe interessam muito.” (Conta-Corrente I)

No entanto, a famosa polémica com Fernando Namora, seu amigo durante mais de 40 anos, desencadeada pelo texto de Luiz Pacheco O Caso do Sonâmbulo Chupista, vai ser tratada nos diários de uma forma quase silenciosa. Nesse texto famoso, Luiz Pacheco acusava Namora de ter plagiado um livro de Vergílio Ferreira. Quando o caso se tornou público, Fernando Namora cortou relações com Vergílio Ferreira, o que causou neste uma grande tristeza. E nunca, em momento algum do diário, acusa Namora, preferindo reflectir sobre plágio, sobre a cópia e sobre a influência que os autores exercem uns nos outros. Ter ficado sem o amigo foi, para ele, pior do que a suposta existência de um plágio. Eduardo Lourenço lembra esse caso, dizendo que Luiz Pacheco “foi infame” porque “aquilo não tinha importância nenhuma”. “Que livro pode ser mais importante do que a amizade entre dois homens?, pergunta.

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Texto de Luiz Pacheco a provar o alegado plágio de Fernando Namora a Vergílio Ferreira

Em 1981, já depois da polémica, Vergílio Ferreira registou a mágoa: “O Namora publicou um livro novo. Não mo mandou. Pela primeira vez em muitos anos. Reflexos da malandrice que lhe pregou o Luiz Pacheco e de que agora me julga responsável…”

O amor é uma solidão inacabada

Da mesma forma que registava cada falta de um amigo, também registava cada mínimo reconhecimento, sempre sedento de afeto. Assim, ao longo deste Conta-Corrente (que lembra, não por acaso, a expressão contra a corrente, mas também as contas que se fazem no dia-a-dia), vemos desfilar pela vida de um homem a aproximação e o distanciamento dos amigos, dos filhos, a passagem do marcelismo, do 25 de Abril, do 25 de Novembro, a escrita dos livros, a angustiada espera pelas críticas, as zangas passageiras, os desencontros definitivos, as mortes, o envelhecimento, enfim, a impossibilidade de o homem sair dessa solidão constitutiva, a impossibilidade de o Eu chegar verdadeiramente ao Outro.

No fundo, o que obceca as obras ficcionais e ensaísticas deste autor é o mesmo que obceca estes diários: o amor é a nossa única possibilidade de redenção, mais ainda assim estamos irremediavelmente presos em nós mesmos. Ou, como perspicazmente nota João Moita na sua tese, a que chamou Solidão Inacabada“Se foi no amor que primeiro VF diagnosticou os sintomas da crise que assola a contemporaneidade, foi também no amor que ele viu uma possibilidade, senão de redenção, pelo menos de permanente reivindicação de redenção para o homem. Porque só o amor, e já não propriamente a fé, pode remeter o que há de baixo em nós, isto é, de transitório, para o que há de mais alto, isto é, a distância a que nos sentimos ainda ser em eternidade.”

Só depois da publicação dos primeiros volumes de "Conta-Corrente" é que o meio cultural parece ser obrigado a reconhecer-lhe a existência. É convidado por Marcelo Rebelo de Sousa para escrever uma crónica semanal no Expresso .

Só depois da publicação dos primeiros volumes de Conta-Corrente é que ele ganha alguma auto-estima e o meio cultural português parece ser obrigado a reconhecer-lhe a existência. É convidado por Marcelo Rebelo de Sousa para escrever uma crónica semanal no Expresso (nunca ter tido espaço para escrever em jornais era uma das suas mágoas). E só nesse mesmo ano ganha o primeiro prémio literário da sua carreira, o D.Dinis. Até aos anos 90 ganhará todos os prémios literários inclusive o Camões, em 1992.

Também a partir desse período, Vergílio Ferreira torna-se ainda mais frontal, mais assertivo.  O queixume e o sarcasmo das suas anotações transformam-se em ironia e auto-ironia. Finalmente consegue não estar sempre em carne viva. Passa a ser até capaz de gozar consigo mesmo: “De modo que o anúncio do Conta-Corrente I, já noticiada nos jornais  e nos cafés, está a despertar uma grande efervescência. Às pessoas a quem já dei o livro morderam nele com avidez. Leitura digestiva, relembrança de uma experiência colectiva, prazer comadreiro da maledicência. Há lá de tudo.” (Conta-Corrente III)

Estes diários, com tudo o que têm de crítica e de sarcasmo, de ironia e de desvelamento das máscaras sociais do meio cultural e político português, acabam por ser o momento de afirmação de Vergílio Ferreira. É o momento em que, depois de engolir tantos sapos, ele vem para a praça pública e é o que ladra mais alto. Não tem consigo “o povo”, nem “a revolução”, nem “a política”. Tem apenas o seu testemunho de homem livre. Sophia deixa de lhe falar. Chovem críticas e insultos, desde Arnaldo Matos, do MRPP, até Jorge Listopad. A cada um ele responde no diário com imenso sentido de humor.

A escrita destes diários ao longo de três décadas, e em paralelo com romances e ensaios, são o momento em que Vergílio Ferreira se parece encontrar verdadeiramente com os outros e com o mundo. É ao escrever a vida, na sua solidão, que ele a vive em quase plenitude. Só no reencontro com o mundo feito através da escrita o escritor vive, como escreve João Moita. “[Para Vergílio Ferreira] o máximo de solidão é o máximo de companhia. É quando estamos sós que mais viva se manifesta a presença do ‘outro’, porque é então que ela se constitui apelo e não mera constatação de facto. É então que ela se nos revela no sangue, no reduto da nossa emotividade, que é onde em última instância se decide de uma verdade antes de a razão a vir legitimar com argumentos para cultivar a boa consciência.”

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