1. Quantas equipas temos e quem são os pilotos?

  2. Este será à partida um campeonato sui generis porque o campeão, o finalmente campeão Nico Rosberg, abandonou a Fórmula 1 e deixou a coroa à mercê de quem a consiga apanhar (não acontecia desde Prost em 1994). Para o seu lugar, a super dominadora Mercedes decidiu recrutar o finlandês Valtteri Bottas, que estava na Williams. Que por sua vez ocupou o lugar vazio com um dois em um: conseguiu aguentar o brasileiro Felipe Massa mais um ano e encontrou espaço para o canadiano Lance Stroll.

    Com Red Bull e Ferrari, as principais ameaças ao domínio da Mercedes, a manterem as duplas de pilotos, a McLaren promoveu o piloto de testes Stoffel Vandoorne para fazer equipa com o espanhol Fernando Alonso, após a saída de Jenson Button para uma espécie de ano sabático. Como se viu nos treinos, a diferença entre ambos é grande.

    Todas as restantes trocas, e ainda foram algumas nas escuderias de meio da tabela para baixo, funcionaram como um efeito dominó: um sai, outro entra, aquele substituiu. No roda-bota-fora do mercado, caíram também da Fórmula 1 Esteban Gutiérrez e Felipe Nasr.

    Mercedes

    Em equipa que ganha teve de se mexer, mas as alterações tiveram tanto de forçadas (troca de Nico Rosberg, que saiu da Fórmula 1, por Valtteri Bottas) como de boas: o novo carro das Flechas de Prata provou nos primeiros testes de pré-temporada que tem todas as condições para continuar a dominar e Lewis Hamilton parte como claro favorito ao título.
    Sede: Brackley (Inglaterra)
    Ano de entrada: 1970
    Títulos de construtores: 3
    Vitórias: 55
    Pole Positions: 65
    Voltas mais rápidas: 38
    Chefe de equipa: Toto Wolff
    Chefe técnico: James Allison

    Lewis Hamilton #44

    Idade: 32 anos
    Nacionalidade: Inglaterra (Stevenage)
    Estreia: GP Austrália de 2007
    Títulos de campeão: 3 (2008, 2014 e 2015)
    Número de GP: 188
    Vitórias: 53
    Pódios: 104
    Pole positions: 61
    Voltas mais rápidas: 31
    Anteriores equipas: McLaren (2007-2012) e Mercedes (a partir de 2013)
    Em 2016: 2.º lugar pela Mercedes (380 pontos)

    https://twitter.com/LewisHamilton/status/845006362723717120

    Valtteri Bottas #77

    Idade: 27 anos
    Nacionalidade: Finlândia (Nastola)
    Estreia: GP Austrália de 2013
    Títulos de campeão: 0
    Número de GP: 78
    Vitórias: 0
    Pódios: 9
    Pole positions: 0
    Voltas mais rápidas: 1
    Anteriores equipas: Williams (2013-2016)
    Em 2016: 8.º lugar pela Williams (85 pontos)

    Red Bull

    A Red Bull tem tentado reduzir a diferença para a Mercedes aos poucos, com dois dos mais talentosos pilotos do circuito: Daniel Ricciardo e o polémico Max Verstappen. Em 2016, foi mesmo a única escuderia capaz de ganhar corridas (duas) ao campeão de construtores. Agora, tentará aumentar o nível até porque tem a Ferrari a ganhar terreno com os mais batidos Vettel e Raikkonen.
    Sede: Milton Keynes (Inglaterra)
    Ano de entrada: 1997
    Títulos de construtores: 4
    Vitórias: 52
    Pole Positions: 58
    Voltas mais rápidas: 52
    Chefe de equipa: Christian Horner
    Chefe técnico: Adrian Newey

    Daniel Ricciardo #3

    Idade: 27 anos
    Nacionalidade: Austrália (Perth)
    Estreia: GP Inglaterra de 2011
    Títulos de campeão: 0
    Número de GP: 109
    Vitórias: 4
    Pódios: 18
    Pole positions: 1
    Voltas mais rápidas: 8
    Anteriores equipas: HRT Formula 1 Team (2011), Toro Rosso (2012-2013), Infiniti Red Bull Racing (2014-2015) e Red Bull (a partir de 2016)
    Em 2016: 3.º lugar pela Red Bull (256 pontos)

    Max Verstappen #33

    Idade: 19 anos
    Nacionalidade: Holanda (Hasselt)
    Estreia: GP Austrália de 2015
    Títulos de campeão: 0
    Número de GP: 40
    Vitórias: 1
    Pódios: 7
    Pole positions: 0
    Voltas mais rápidas: 1
    Anteriores equipas: Toro Rosso (2015-2016) e Red Bull (a partir de 2016)
    Em 2016: 5.º lugar pela Red Bull (204 pontos)

    Ferrari

    É a única equipa com dois campeões do mundo (que por acaso até se dão bem, o que dá jeito a qualquer grupo), mas continua a tentar diminuir o fosso para quem está na frente (agora a Mercedes, depois da hegemonia da Red Bull). Raikkonen já não deve ir a tempo de lutar por mais um Mundial, mas Vettel, apesar de alguma inconstância, deixou algumas indicações que quer andar colado a Hamilton.
    Sede: Maranello (Itália)
    Ano de entrada: 1950
    Títulos de construtores: 16
    Vitórias: 225
    Pole positions: 201
    Voltas mais rápidas: 236
    Chefe de equipa: Maurizio Arrivabene
    Chefe técnico: Mattia Binotto

    Sebastian Vettel #5

    Idade: 29 anos
    Nacionalidade: Alemanha (Heppenheim)
    Estreia: GP Estados Unidos de 2007
    Títulos de campeão: 4
    Números de GP: 179
    Vitórias: 42
    Pódios: 86
    Pole positions: 46
    Voltas mais rápidas: 28
    Anteriores equipas: Sauber (2007), Toro Rosso (2007-2008), Red Bull (2009-2014) e Ferrari (a partir de 2015)
    Em 2016: 4.º lugar pela Ferrari (212 pontos)

    Kimi Raikkonen #7

    Idade: 37 anos
    Nacionalidade: Finlândia (Espoo)
    Estreia: GP Austrália de 2001
    Títulos de campeão: 1
    Números de GP: 253
    Vitórias: 20
    Pódios: 84
    Pole positions: 16
    Voltas mais rápidas: 43
    Anteriores equipas: Sauber (2001), McLaren Mercedes (2002-2006), Ferrari (2007-2009), Lotus (2012-2013) e Ferrari (a partir de 2014)
    Em 2016: 6.º lugar pela Ferrari (186 pontos)

    Force India

    Se no ano passado a Force India deu nas vistas pelos bons resultados, este ano começou a destacar-se… pela indumentária: será a primeira equipa da Fórmula 1 a apresentar um carro rosa. As últimas dez corridas de 2016 deixaram a ideia de que Sergio Pérez pode ir ainda um pouco mais longe em termos de classificação (foi sempre top-10), ficando ainda assim a dúvida de como vai reagir a equipa depois da saída de Nico Hulkenberg.
    Sede: Silverstone (Inglaterra)
    Ano de entrada: 1991
    Títulos de construtores: 0
    Vitórias: 0 (uma vez 2.º lugar)
    Pole positions: 1
    Voltas mais rápidas: 4
    Chefe de equipa: Vijay Mallya
    Chefe técnico: Andrew Green

    Sergio Pérez #11

    Idade: 27 anos
    Nacionalidade: México (Guadalajara)
    Estreia: GP Estados Unidos de 2011
    Títulos de campeão: 0
    Números de GP: 117
    Vitórias: 0
    Pódios: 7
    Pole positions: 0
    Voltas mais rápidas: 3
    Anteriores equipas: Sauber (2011-2012), McLaren Mercedes (2013) e Force India (a partir de 2014)
    Em 2016: 7.º lugar pela Force India (101 pontos)

    Esteban Ocon #31

    Idade: 20 anos
    Nacionalidade: França (Évreux)
    Estreia: GP Bélgica de 2016
    Títulos de campeão: 0
    Números de GP: 9
    Vitórias: 0
    Pódios: 0
    Pole positions: 0
    Voltas mais rápidas: 0
    Anteriores equipas: Manor (2016)
    Em 2016: 23.º lugar pela Manor (0 pontos)

    Williams

    Se assumirmos que a luta pelos primeiros três lugares dos construtores será sempre entre Mercedes, Red Bull e Ferrari, haverá um segundo grupo de equipas na luta para ser a melhor… a seguir às três do pódio. Valtteri Bottas, o herói finlandês que conseguiu o único pódio da William em 2016 (Canadá), saiu para a Mercedes mas Massa adiou a reforma e promete ser uma muleta importante para a grande aposta da época: o rookie Lance Stroll.
    Sede: Grove (Inglaterra)
    Ano de entrada: 1978
    Títulos de construtores: 9
    Vitórias: 114
    Pole positions: 128
    Voltas mais rápidas: 133
    Chefe de equipa: Frank Williams
    Chefe técnico: Paddy Lowe

    Felipe Massa #19

    Idade: 35 anos
    Nacionalidade: Brasil (São Paulo)
    Estreia: GP Estados Unidos de 2002
    Títulos de campeão: 0
    Números de GP: 252
    Vitórias: 11
    Pódios: 41
    Pole positions: 16
    Voltas mais rápidas: 15
    Anteriores equipas: Sauber (2002 e 2004-2005), Ferrari (2006-2013) e Williams (a partir de 2013)
    Em 2016: 11.º lugar pela Williams (53 pontos)

    Lance Stroll #18

    Idade: 18 anos
    Nacionalidade: Canadá (Quebec)
    Estreia:
    Títulos de campeão: 0
    Números de GP: 0
    Vitórias: 0
    Pódios: 0
    Pole positions: 0
    Voltas mais rápidas: 0
    Anteriores equipas:
    Em 2016:

    McLaren Honda

    A pré-temporada não deixou sinais muito positivos para uma das equipas com mais história no circo da Fórmula 1. E não se pode queixar dos pilotos: Fernando Alonso, bicampeão mundial, é dos pilotos mais fiáveis da atualidade e dos que melhor consegue gerir um carro; Stoffel Vandoorne, belga de 24 anos, é das maiores promessas da última geração, que peca apenas por chegar um pouco tarde a piloto principal de uma equipa. O problema é que os bólides continuam a falhar muito, havendo mesmo a ameaça de troca da Honda pela Mercedes…
    Sede: Woking (Inglaterra)
    Ano de entrada: 1966
    Títulos de construtores: 8
    Vitórias: 182
    Pole positions: 155
    Voltas mais rápidas: 154
    Chefe de equipa: Eric Boullier
    Chefe técnico: Tim Goss

    Fernando Alonso #14

    Idade: 35 anos
    Nacionalidade: Espanha (Oviedo)
    Estreia: GP Austrália de 2001
    Títulos de campeão: 2
    Números de GP: 274
    Vitórias: 32
    Pódios: 97
    Pole positions: 22
    Voltas mais rápidas: 22
    Anteriores equipas: Minardi (2001), Renault (2002-2006), McLaren (2007), Renault (2008-2009), Ferrari (2010-2014) e McLaren (a partir de 2014)
    Em 2016: 10.º lugar na McLaren (54 pontos)

    Stoffel Vandoorne #2

    Idade: 24 anos
    Nacionalidade: Bélgica (Kortrijk)
    Estreia: GP Bahrain de 2016
    Títulos de campeão: 0
    Números de GP: 1
    Vitórias: 0
    Pódios: 0
    Pole positions: 0
    Voltas mais rápidas: 0
    Anteriores equipas:
    Em 2016: 20.º lugar pela McLaren (1 ponto)

    Toro Rosso

    A equipa italiana é sempre um balão de ensaio para pilotos que mais tarde dão o salto para equipas maiores e a dupla Kvyat-Carlos Sainz Jr. não é exceção. E se no caso do russo a temporada de 2016 foi uma deceção, o espanhol continua a fazer o seu caminho na Fórmula 1, tendo conseguido por sete vezes terminar entre os oito primeiros, um bom registo para o carro que tinha nas mãos.
    Sede: Faenza (Itália)
    Ano de entrada: 1985
    Títulos de construtores: 0
    Vitórias: 1
    Pole positions: 1
    Voltas mais rápidas: 1
    Chefe de equipa: Franz Tost
    Chefe técnico: James Key

    Daniil Kvyat #26

    Idade: 22 anos
    Nacionalidade: Rússia (Ufa)
    Estreia: GP Austrália de 2014
    Títulos de campeão: 0
    Números de GP: 59
    Vitórias: 0
    Pódios: 2
    Pole positions: 0
    Voltas mais rápidas: 1
    Anteriores equipas: Toro Rosso (2014), Red Bull (2015-2016 e Toro Rosso (a partir de 2016)
    Em 2016: 14.º lugar na Red Bull/Toro Rosso (25 pontos)

    Carlos Sainz Jr. #55

    Idade: 22 anos
    Nacionalidade: Espanha (Madrid)
    Estreia: GP Austrália 2015
    Títulos de campeão: 0
    Números de GP: 40
    Vitórias: 0
    Pódios: 0
    Pole positions: 0
    Voltas mais rápidas: 0
    Anteriores equipas: Toro Rosso (a partir de 2015)
    Em 2016: 12.º lugar na Toro Rosso (46 pontos)

    Haas

    Após um ano de estreia com altos e baixos (se calhar com mais baixos, vá), a Haas manteve a aposta em Romain Grosjean, que ainda conseguiu um honroso 13.º lugar em 2016, e aposta agora também no dinamarquês Kevin Magnussen, que procura uma espécie de segunda vida após as passagens discretas por McLaren e Renault. Ainda assim, a escuderia terá de melhorar bastante a fiabilidade dos carros, que muitas vezes obrigaram os pilotos a desistências precoces.
    Sede: Kannapolis (Estados Unidos)
    Ano de entrada: 2016
    Títulos de construtores: 0
    Vitórias: 0 (uma vez no 5.º lugar)
    Pole positions: 0
    Voltas mais rápidas: 0
    Chefe de equipa: Guenther Steiner
    Chefe técnico: Rob Taylor

    Romain Grosjean #8

    Idade: 30 anos
    Nacionalidade: França (apesar de ter nascido em Genebra)
    Estreia: GP Europa de 2009
    Títulos de campeão: 0
    Números de GP: 104
    Vitórias: 0
    Pódios: 10
    Pole positions: 0
    Voltas mais rápidas: 1
    Anteriores equipas: Renault (2009), Lotus (2011-2015) e Haas (a partir de 2016)
    Em 2016: 13.º lugar na Haas (29 pontos)

    Kevin Magnussen #20

    Idade: 24 anos
    Nacionalidade: Dinamarca (Roskilde)
    Estreia: GP Austrália 2014
    Títulos de campeão: 0
    Números de GP: 41
    Vitórias: 0
    Pódios: 1
    Pole positions: 0
    Voltas mais rápidas: 0
    Anteriores equipas: McLaren (2014-2015), Renault (2016) e Haas (a partir de 2017)
    Em 2016: 16.º lugar na Renault (7 pontos)

    Renault

    Quem a viu e quem a vê: a Renault, que não há muito tempo conseguia andar lá na frente e até conquistar títulos, é hoje uma sombra desse passado de glória, ao ponto de ter somado um total de oito pontos entre os dois pilotos na última época. Para este ano, Jolyon Palmer mantém-se como aposta, mas a escuderia apresenta ainda o experiente Hulkenberg para tentar melhorar a imagem de 2016.
    Sede: Enstone (Inglaterra)
    Ano de entrada: 1986
    Títulos de construtores: 2
    Vitórias: 20
    Pole positions: 20
    Voltas mais rápidas: 13
    Chefe de equipa: Cyril Abiteboul
    Chefe técnico: Bob Bell

    Nico Hulkenberg #27

    Idade: 29 anos
    Nacionalidade: Alemanha (Emmerich am Rhein)
    Estreia: GP Bahrain de 2010
    Títulos de campeão: 0
    Números de GP: 117
    Vitórias: 0
    Pódios: 0
    Pole positions: 1
    Voltas mais rápidas: 2
    Anteriores equipas: Williams (2010), Force India (2012), Sauber (2013), Force India (2014-2016) e Renault (a partir de 2017)
    Em 2016: 9.º lugar na Force India (72 pontos)

    Jolyon Palmer #30

    Idade: 26 anos
    Nacionalidade: Inglês (Horsham)
    Estreia: GP Austrália 2016
    Títulos de campeão: 0
    Números de GP: 21
    Vitórias: 0
    Pódios: 0
    Pole positions: 0
    Voltas mais rápidas: 0
    Anteriores equipas: Renault (a partir de 2016)
    Em 2016: 18.º lugar na Renault (1 ponto)

    Sauber

    Dificilmente conseguirá sair dos últimos lugares em todas as provas. Fosse a Fórmula 1 um campeonato de futebol e diríamos que a Sauber era uma clara favorita à descida de divisão. Ainda assim, e como qualquer equipa que luta pela permanência, tem algumas coisas boas, como por exemplo a aposta em Pascal Wehrlein, que tem mostrado grande margem de progressão.
    Sede: Hinwil (Suíça)
    Ano de entrada: 1993
    Títulos de construtores: 0
    Vitórias: 1
    Pole positions: 1
    Voltas mais rápidas: 5
    Chefe de equipa: Monisha Kaltenborn
    Chefe técnico: Jorg Zander

    Marcus Ericsson #9

    Idade: 26 anos
    Nacionalidade: Suécia (Kumla)
    Estreia: GP Austrália de 2014
    Títulos de campeão: 0
    Números de GP: 56
    Vitórias: 0
    Pódios: 0
    Pole positions: 0
    Voltas mais rápidas: 0
    Anteriores equipas: Caterham (2014) e Sauber (a partir de 2015)
    Em 2016: 22.º lugar na Sauber (0 pontos)

    Pascal Wehrlein #94

    Idade: 22 anos
    Nacionalidade: Alemanha (Sigmaringen)
    Estreia: GP Austrália de 2016
    Títulos de campeão: 0
    Números de GP: 21
    Vitórias: 0
    Pódios: 0
    Pole positions: 0
    Voltas mais rápidas: 0
    Anteriores equipas: Manor (2016) e Sauber (a partir de 2017)
    Em 2016: 19.º lugar na Manor (1 ponto)

  3. O que mudou a nível de corridas e calendário?

  4. Não é propriamente uma novidade, mas este será o primeiro Grande Prémio do Azerbaijão. Confuso? Expliquemos: o circuito da cidade de Baku já recebeu no ano passado uma corrida, mas denominada de Grande Prémio da Europa. Por forma a evitar também as muitas críticas de 2016, por coincidir com as 24 Horas de Le Mans, será realizada a 25 de junho.

    Assim, o calendário contará com 20 corridas, menos uma do que no ano passado. Quem ficou a perder? A Alemanha, mesmo sem o campeão Nico Rosberg, continua a ser o único país que conta com três pilotos em prova (agora têm Sebastian Vettel, da Ferrari, Nico Hulkenberg, da Renault, e Pascal Wehrlein, da Sauber). Ainda assim, o Grande Prémio germânico caiu porque os donos dos circuitos de Hockenheimring e Nurburgring não chegaram a acordo com a organização da Fórmula 1 por causa dos direitos comerciais.

    Como é habitual, as emoções começam na Austrália, o segundo país que mais vezes recebeu pelo menos uma corrida de Fórmula 1 apenas atrás da Itália. Depois, o circo dá um saltinho à Ásia, passa pela Europa, vai num instante ao Canadá, regressa à Europa, volta para a Ásia, segue para a América do Norte e do Sul e termina em Abu Dhabi, em novembro.

    Para começar a preparar o calendário dos seus fins-de-semana nos próximos seis meses, aqui fica o resumo de todos os circuitos, corridas e datas da Fórmula 1 em 2017. E para que não lhe falte nada, recorde também quem venceu em cada país na última temporada.

    26 de março: GP Austrália, Circuito de Melbourne (Nico Rosberg, Mercedes)

    9 de abril: GP China, Circuito Internacional de Shanghai (Nico Rosberg, Mercedes)

    16 de abril: GP Bahrain, Circuito Internacional do Bahrain, em Sakhir (Nico Rosberg, Mercedes)

    30 de abril: GP Rússia, Autódromo de Sochi (Nico Rosberg, Mercedes)

    14 de maio: GP Espanha, Circuito de Barcelona-Catalunha (Max Verstappen, Red Bull)

    28 de maio: GP Mónaco, Circuito do Mónaco, em Monte Carlo (Lewis Hamilton, Mercedes)

    11 de junho: GP Canadá, Circuito Gilles Villeneuve, em Montreal (Lewis Hamilton, Mercedes)

    25 de junho: GP Azerbaijão, Circuito da Cidade de Baku

    9 de julho: GP Áustria, Red Bull Ring, em Spielberg (Lewis Hamilton, Mercedes)

    16 de julho: GP Inglaterra, Circuito de Silverstone (Lewis Hamilton, Mercedes)

    30 de julho: GP Hungria, Hungaroring, em Budapeste (Lewis Hamilton, Mercedes)

    27 de agosto: GP Bélgica, Circuito de Spa-Francorchamps, em Stavelot (Nico Rosberg, Mercedes)

    3 de setembro: GP Itália, Autódromo Nacional de Monza (Nico Rosberg, Mercedes)

    17 de setembro: GP Singapura, Circuito de Cidade Marina Bay (Nico Rosberg, Mercedes)

    1 de outubro: GP Malásia, Circuito Internacional de Sepang, em Kuala Lumpur (Daniel Ricciardo, Red Bull)

    8 de outubro: GP Japão, Circuito Internacional de Suzuka (Nico Rosberg, Mercedes)

    22 de outubro: GP Estados Unidos, Circuito das Américas, no Texas (Lewis Hamilton, Mercedes)

    29 de outubro: GP México, Autódromo Hermanos Rodríguez, na Cidade do México (Lewis Hamilton, Mercedes)

    12 de novembro: GP Brasil, Autódromo José Carlos Pace, em São Paulo (Lewis Hamilton, Mercedes)

    26 de novembro: GP Abu Dhabi, Circuito Yas Marina, em Abu Dhabi (Lewis Hamilton, Mercedes)

  5. Quem são as caras novas do paddock?

  6. Se formos responder da forma mais literal possível, só existe uma novidade: Lance Stroll, o canadiano que no ano passado ganhou o Campeonato Europeu de Fórmula 3 e que foi eleito pela Williams para ocupar o lugar deixado em aberto pelo sucessor de Rosberg, Valtteri Bottas.

    Curiosamente, ou nem por isso (cada vez mais falamos de dinheiro quando o tema é Fórmula 1, mas já explicamos isso depois), Lance é filho do investidor bilionário Lawrence Stroll, que fechou no 722.º lugar o ranking dos mais ricos do mundo em 2016. Entre várias extravagâncias, este homem que conseguiu fazer fortuna ao trazer marcas como a Pierre Cardin ou a Ralph Lauren para o Canadá, antes de investir na Asprey & Garrard, é dono de um circuito de corridas e tem uma vastíssima coleção de Ferraris, entre outros carros de luxo.

    Depois de vários títulos na infância (ganhar campeonatos de karts aos 10 anos não apaga o facto de ser apenas uma criança) e na juventude, saltou para a Fórmula 3 em 2015, tornando-se o segundo piloto mais novo de sempre a assinar por uma equipa da Fórmula 1. Após passar pela Academia de Pilotos da Ferrari, foi para piloto de testes da Williams e sobe agora à equipa principal, sendo o primeiro canadiano depois do campeão mundial Jacques Villeneuve.

    Mas voltemos ao início da resposta e esqueçamos a parte literal da coisa. Existem mais dois pilotos que, não fazendo a corrida de estreia na Fórmula 1, são praticamente rookies: o belga Stoffel Vandoorne, que ocupou o lugar de Fernando Alonso no Grande Prémio do Bahrain de 2016 em virtude da lesão do espanhol; e o francês Esteban Ocon, que fez as últimas nove corridas na Manor depois da saída do indonésio Rio Haryanto.

  7. Porque é que Hamilton parte como principal favorito?

  8. Com Nico Rosberg de fora, Lewis Hamilton nem precisou de acelerar muito para se chegar à frente: ele é o principal favorito à vitória na Fórmula 1 em 2017. Por inerência, é também o alvo a abater pelos restantes 19 pilotos (não será tanto assim, porque metade arrisca-se a levar uma volta de avanço em quase todas as provas, mas pelo menos de meia dúzia).

    Após a vitória em 2008 pela McLaren, já depois de um segundo lugar no ano de estreia, o inglês e a própria equipa ficaram abafados pela Brawn de Button (2009) e, sobretudo, pela Red Bull de Sebastian Vettel, que conseguiu o tetracampeonato entre 2010 e 2013. No entanto, a Mercedes conseguiu finalmente encontrar a fórmula mágica para abater o alemão, colocando nas mãos de Hamilton o melhor carro no binómio velocidade-fiabilidade. Assim, o britânico foi campeão em 2014 e 2015, perdendo o título por apenas cinco pontos no último ano para Rosberg.

    Agora, Hamilton parte com o objetivo de entrar no pódio dos pilotos com mais campeonatos mundiais conquistados: caso consiga o quarto título, ficará com os mesmos de Alain Prost e Sebastian Vettel, apenas atrás de Michael Schumacher (sete) e Juan Manuel Fangio (cinco). E há três grandes razões para considerar na antevisão que dá o inglês como favorito.

    Ter o melhor carro. É verdade que a Ferrari melhorou nesta pré-temporada em relação à última época, da mesma forma como a McLaren continua a atravessar um período de calvário e a Red Bull continua em busca de um carro ao nível daquele que fez de Vettel tetracampeão. Ainda assim, a Mercedes voltou a mostrar argumentos mais do que suficientes para manter a hegemonia, num bólide que terá as características ideais também para o próprio Lewis Hamilton. Seja pela qualidade do piloto ou pela capacidade do carro (ou ambos, como é o caso), o inglês parte na frente.

    Com Bottas não há pedras no sapato. Há uma grande diferença para Hamilton – competir com Rosberg ou competir com Bottas. Como um dia explicou Fernando Alonso, o finlandês “é aquele tipo de piloto que convém sempre ter atrás do que à frente”, destacando a rapidez e a capacidade de defender posições do novo companheiro de equipa do inglês. O cenário mudou. Já não é uma luta de dois galos, quanto muito um galo no poleiro com uma sombra por trás.

    Uma questão de regularidade. Vamos a factos: olhando para o que se passou em 2016, em 21 corridas, o cenário não deixou grandes margens de dúvidas à concorrência. 19 vitórias entre Rosberg e Hamilton (o último não foi campeão mas até ganhou mais vezes, dez), 13 corridas em que ambos terminaram no pódio, oito vezes em que ficaram nos dois primeiros lugares. O problema do inglês foi ter falhado de forma rotunda na China, no Azerbaijão e sobretudo na Malásia, onde não terminou e “deu” 15 pontos ao terceiro classificado Rosberg. Agora, a margem do tricampeão mundial é maior, podendo arriscar mais ou menos consoante desejar, até porque os Ferrari costumam ter sempre problemas em algumas provas durante o ano.

  9. Quem são os outsiders que podem surpreender?

  10. A apresentação das equipas denuncia já quem poderá fazer sombra a Lewis Hamilton ao longo da temporada. Mas vamos tentar escolher apenas um. É um risco, mas vamos a isto: Vettel.

    O alemão terminou a última época no quarto lugar, atrás dos Mercedes e de Ricciardo. Ainda assim, notam-se algumas melhorias na Ferrari, o que diminuirá o fosso para os atuais campeões e permitirá um cenário mais próximo de 2015, quando o tetracampeão ainda conseguiu andar na luta algum tempo. “Gina” é o nome deste modelo para tentar fazer a diferença em 2017.

    Mas confessemos: se existe alguém capaz de travar Hamilton é mesmo Bottas, o melhor de 2016 a par de Sérgio Pérez entre os “não grandes”. Se com um Williams nas mãos o finlandês conseguiu ficar nove vezes entre os oito primeiros, como será com um Mercedes?

    Depois, convém não esquecer a Red Bull. Seja pela qualidade dos jovens pilotos ou pela maior fiabilidade dos carros, a única equipa que ainda conseguiu rivalizar com a Mercedes em 2016. Ricciardo ganhou uma corrida e foi oito vezes ao pódio, Verstappen repetiu a performance com apenas menos um pódio. Confirmando-se a evolução, podem chegar mais perto.

    Além da curiosidade pelas prestações do estreante Lance Stroll e da surpresa de 2016, Sergio Pérez, nota ainda para Fernando Alonso. Que tem aguentado uma pré-temporada muito abaixo das expectativas, cenário que não melhorou muito nos treinos na Austrália. Mas atenção: o espanhol é sempre um potencial candidato ao título… caso tenha carro para isso.

  11. Quais foram as principais mexidas nos carros?

  12. Sabe aquela expressão de quando vai numa autoestrada e vê um daqueles carros de altíssima cilindrada a acelerar? E não, não é aquela de inveja por andar mais depressa do que nós, é a outra. “Tem uns pneus que parece um Fórmula 1”. Com o passar dos anos, o sentido dessa frase foi-se perdendo, mas 2017 vai recuperar a ideia – os pneus serão 25% maiores, além de terem um ligeiro acréscimo a nível de diâmetro.

    Esta é apenas uma das alterações promovidas pela Fórmula 1 nos carros em 2017, sempre numa ótica de aumentar a velocidade, a emoção e a imprevisibilidade (segura) das corridas.

    O nariz aumentará de 1,650 para 1,80 metros, o que permite os pneus mais volumosos e tornará os carros mais largos. Tudo isso não fará o carro mais alto, pelo contrário, o que trará reflexos na parte física dos pilotos (um capítulo para ler e perceber um pouco mais à frente).

    Os carros sofrerão também um ligeiro aumento a nível de peso, passando de 702 quilos para 722 quilos mais pneus. Mas o aileron traseiro fica maior e mais baixo e os deflectores com formas sinuosas têm como grande objetivo aumentar a velocidade dos bólides, que em curvas ditas impossíveis poderão começar a rodar 40 km/hora mais rápido.

    Outros pormenores: haverá um maior fluxo de ar por baixo, o que aumenta a aderência aerodinâmica; o difusor será mais potente; e há a possibilidade de ter mais combustível. Prevê-se também que, em termos médios, se consigam os carros mais rápidos das últimas décadas, mesmo com uma parte estética e agressiva muito mexida, mas que tem agradado a pilotos e fãs.

  13. O que foi alterado a nível de regras?

  14. Comecemos a parte das alterações com uma curiosidade: a maior mudança de todas, a que ia mesmo ser falada por toda a gente, ficou adiada. Ainda se lembra do Halo, aquela proteção que ficará no carro à frente e por cima da cabeça do piloto? Não vai passar à prática em 2017, porque o Grupo Estratégico da Fórmula 1 considera ser necessário um maior período de testes para conferir a real diferença para o corredor e a sua eficácia de extração em caso de acidente.

    Ainda assim, existem algumas novidades a ter em conta para a nova temporada. Sempre, e por mais repetitivo que possa parecer, na tentativa de melhorar a veia de entretenimento da prova.

    Comecemos pelo início: o arranque. Esta época, caso a pista esteja muito molhada, a corrida deixa de começar com os carros em andamento atrás do “safety car” – que terá um papel mais secundário – e terá apenas uma primeira volta para reagrupar de novo os bólides na grelha. Se as condições se mantiverem adversas, os carros poderão mesmo ir para a “pit lane” enquanto aguardam. Se não melhorar mesmo… volta-se ao sistema antigo.

    Também o número de motores vai diminuir, de cinco para quatro. E deixará de haver novelas como aquela que teve Lewis Hamilton como protagonista no ano passado: depois de ter ficado sem motores, a Mercedes usou duas unidades extras na Bélgica e criou um stock de peças, sendo castigada em 75 lugares. No entanto, e como só existiam 22 corredores, ainda foi a tempo de chegar ao pódio. Agora, a punição passará a ser cumprida em corridas distintas e por peça.

    Outro pormenor interessante é a obrigatoriedade de todos os pilotos terem sempre as mesmas pinturas no capacete, para serem mais facilmente identificáveis em corrida pelos fãs, com uma pequena exceção considerada de “corrida especial”: a prova no país de nascimento, que assinale alguma data especial, que seja um marco na carreira. Aí, e só aí, pode haver mudanças.

    A própria partida das corridas deverá ter mais emoção, porque passa a depender mais dos pilotos e menos dos engenheiros o ponto ideal para soltar o carro.

  15. Porque é que a preparação física é agora mais importante?

  16. As alterações nos carros, nomeadamente a maior rapidez da corrida e um maior apoio aerodinâmico, terão um efeito direto nos pilotos. Que não se queixam, é certo, mas terão literalmente de puxar pelo cabedal para obterem o máximo rendimento nas provas.

    Em resumo, a explicação é simples: quanto mais bem preparado fisicamente esteja um piloto, menor será o risco de fadiga e, por arrastamento, de ter períodos de menor concentração. E foi por isso que os 20 eleitos deste ano ganharam a alcunha de “Gladiadores” – a preparação antes do arranque da temporada foi bem mais dura e completa do que é habitual.

    “A Fórmula 1 está num período de mudança e os pilotos têm de fazer uma preparação muito melhor do que antigamente”, explicou Carlos Sainz Jr., da Toro Rosso, num pequeno filme de 90 segundos onde revelou grande parte do trabalho realizado durante a pré-época: corrida, natação e muito ginásio, com trabalho de alteres até “invulgares”, como atar elásticos à cabeça para levantar peso no intuito de reforçar os músculos do pescoço, uma das partes do corpo que mais desgaste sofre numa corrida (fez também corridas de karts com um capacete mais pesado).

    Fórmula 1. A dieta dos pilotos da McLaren: 2.785 calorias/dia

    Por inerência, também os cuidados com a alimentação foram definidos ao pormenor. Exemplo: a dieta de quase 3.000 calorias dos pilotos da McLaren, com refeições standard com diferentes compostos que se iam adequando ao tipo de trabalho e esforço que era previamente feito.

  17. Como será o primeiro ano sem Bernie Ecclestone?

  18. Foi o grande negócio do ano. E deste século. Não, não falamos de Pogba para o Manchester United, nem de Cristiano Ronaldo para o Real Madrid, nem de Kevin Garnett para os Golden State Warriors. A Liberty Media, propriedade do multimilionário americano John Malone, fez o impossível e pagou 8.000.000.000 de dólares (oito mil milhões, mas com números percebe-se melhor o tamanho gigantesco da operação) pelos direitos da Fórmula 1.

    Na altura desse anúncio, a posição de Bernie Ecclestone, diretor executivo do circo durante décadas a fio, apesar de todos os anos conseguir criar inúmeras polémicas, ficou salvaguardada – nada iria mudar. Mas mudou. E Chase Carey, vice-presidente da 21st Century Fox, passou a ser o principal senhor da Fórmula 1 por troca com o inglês de 86 anos de língua afiada. Como braços direitos nesta adaptação ao século XXI estarão Sean Bratches e Ross Brawn.

    É oficial, já não estou na direção da Fórmula 1. Agora a minha posição será uma espécie de presidente honorário. Aceito, mas nem sei o que isso significa a não ser que os meus dias serão mais calmos. Talvez vá a algum Grande Prémio porque tenho ainda alguns amigos na Fórmula 1 e o dinheiro suficiente para ir ver uma corrida”, lamentou Ecclestone.

    Como vai ser a Fórmula 1 sem o pai Bernie Ecclestone?

    Sentimos que nos últimos anos a Fórmula 1 não cresceu como deveria, tendo em conta o seu potencial. Precisamos agora de colocar tudo em dia para que cresça como pode e deve. Temos de trabalhar com os nossos parceiros para que seja feita virado para os adeptos. Queremos garantir que a Fórmula 1 se torna mais entusiasmante”, resumiu Chase Carey, que aponta a objetivos como reavivar a modalidade na Europa, propagá-la nos Estados Unidos, dar mais espetáculo e emoção às corridas e projetar o trabalho integrado nas redes sociais.

    “A chave e o objetivo em termos futuros é simplificar. É um grande desporto, com uma fantástica combinação de pilotos e respetivas personalidades, a sua competição, os carros e tudo o que envolve. Assim, a meta passa por melhorar o espetáculo em si. A culpa não é da Mercedes, que fez um fantástico trabalho, mas os fãs não têm visto corridas, têm visto uma luta entre dois corredores da mesma equipa. Os fins-de-semana de corrida devem ter espetáculo mas um entretenimento lógico. Por norma, a Fórmula 1 costuma apenas ser reativa e aquilo que queremos é um plano certo para uma visão futura de cinco anos”, acrescentou Ross Brawn, antigo diretor da Mercedes e chefe técnico da Ferrari.

  19. Quando voltaremos a ter um português no circo?

  20. Casimiro de Oliveira (que em 1958 ainda testou o Maserati 250F no Circuito da Boavista mas não chegou a participar na corrida), Nicha Cabral, Pedro Chaves, Pedro Lamy e Tiago Monteiro foram os únicos representantes nacionais na Fórmula 1. E assim vai continuar.

    António Félix da Costa ainda foi quatro anos piloto de testes e reserva da Red Bull, mas não conseguiu a oportunidade necessária para poder mostrar-se no principal escalão do desporto motorizado. Este ano, verdade seja dita, também não houve grande espaço para novidades – a única exceção foi mesmo a cara nova da Williams, o canadiano Lance Stroll.

    Mas porque razão não temos um piloto português entre os melhores? Podemos pensar que é por não haver qualidade suficiente, o que até podia ser legítimo, mas a verdade é que o maior problema mantém-se: ou há dinheiro, muito dinheiro em cima da mesa, ou nada feito.

    Atente-se no Brasil por exemplo, para não parecer apenas um mero choradinho nacional: não fosse o adiar da reforma de Felipe Massa, em virtude também da passagem de Bottas para a Mercedes, e o país que produziu campeões como Fittipaldi, Nelson Piquet ou Ayrton Senna ficaria também sem qualquer representante na Fórmula 1. Isto porque, no ano passado, Felipe Nasr foi descartado da Sauber depois de ter perdido os seus principais apoios financeiros.

    Nos dias que correm, existem duas formas de entrar na Fórmula 1: ou se tem um talento que é indiscutivelmente especial, e por norma esses pilotos já fazem parte das escuderias mesmo que estejam como reservas, ou se tem o poder do dinheiro por trás. E Rio Haryanto é outro bom exemplo: o indonésio fez as 12 primeiras provas de 2016 pela Manor, perdeu os seus apoios e foi automaticamente despromovido para as reservas por troca com Esteban Ocon.

    Em paralelo, o facto de haver apenas dez equipas reduz o lote de corredores e de opções. Também por isso, parece complicado ter um português na Fórmula 1 a breve prazo.