No passado dia 1 de setembro surgiu uma publicação no Facebook sobre a Festa do Avante!, que terminou no dia 6 de setembro, que dava a entender que a Câmara Municipal do Seixal (CMS) tinha comprado casas de banho portáteis que seriam colocadas na Quinta da Atalaia. A legenda dizia o seguinte: “Quando os esquerdalhos na Festa Do Avante forem à casa de banho quem é que vai pagar?…”. Trata-se, no entanto, de uma publicação falsa.

Ainda que a publicação contenha informação verdadeira, como o link para o contrato de adjudicação de “módulos pré-fabricados”, disponível no portal público BASE, ou o pedido de esclarecimento por parte do núcleo da Iniciativa Liberal daquela região, acaba por manipular a informação veiculada. A câmara adquiriu, de facto, módulos pré-fabricados de WC, mas não para os instalar na Festa do Avante!.

“É mais uma mentira sobre a Câmara Municipal do Seixal.” É assim que o presidente da autarquia, Joaquim Santos, reage ao Observador, quando confrontado com esta publicação. Sem dar mais explicações, remeteu depois para o gabinete de Protocolo e de Relações Públicas, que esclareceu o verdadeiro motivo da aquisição daqueles equipamentos por parte da autarquia. A instalação dos “balneários em módulos pré-fabricados” tem o objetivo de “permitir um maior distanciamento dos funcionários aquando da sua higiene oral. Ou seja, não se trata de casas de banho portáteis, tal como as que vemos em diferentes festivais, mas sim de um espaço de higienização privado para trabalhadores”.

A CMS prevê que a entrega dos equipamentos aconteça esta semana e que a fase de instalação dos mesmos “decorra até ao final da terceira semana de setembro”, esclarece o gabinete. Ou seja, os módulos não podiam estar instalados durante o evento, que decorreu de 4 a 6 de setembro. O contrato foi publicado dia 28 de agosto no portal BASE, com um preço contratual de 25440 euros, mas o “procedimento da aquisição começou em junho”, sendo que o prazo de execução seria de 20 dias, tal como se lê no contrato.

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Além disso, estes balneários surgem no âmbito da resposta da autarquia à pandemia, tendo sido definido um plano interno de contingência, “com medidas a implementar gradualmente”. “Tendo em conta que foi decidido que, durante a pandemia, os trabalhadores iriam laborar alternadamente à quinzena, a necessidade de instalação destes equipamentos não se fez sentir no imediato. Com o regresso progressivo dos trabalhadores a laborar em horário normal, essa necessidade acentuou-se, pelo que a autarquia decidiu adquirir e instalar estes balneários em módulos pré-fabricados”, acrescentou o gabinete. Portanto, estes contentores não seriam para uso de quem se deslocasse até ao evento organizado pelo PCP, mas sim para os trabalhadores da CMS.

Quanto ao local onde vão ser instalados os balneários, também não é verdade que este fique junto à Quinta da Atalaia ou no interior do recinto onde decorre a Festa do Avante!. “Serão instalados no espaço contíguo aos balneários dos Serviços Operacionais da CMS, na rua Lino de Carvalho nº1, Cucena”, esclarece a autarquia. Olhando para o Google Maps, esses serviços distam, aproximadamente, nove quilómetros do recinto do Avante!.

Conclusão

Não é verdade que a Câmara Municipal do Seixal tenha feito uma aquisição de casas de banho portáteis para serem instaladas na Festa do Avante!. Tal como foi esclarecido ao Observador por parte do gabinete de Protocolo e Relações Públicas daquela autarquia, a finalidade é outra: os balneários destinam-se a trabalhadores da CMS e não serão instalados no recinto da festa. Na verdade, ainda nem foram instalados, o que acontecerá até final da terceira semana de setembro. Quanto à localização dos contentores, também não será na Quinta da Atalaia, mas sim a nove quilómetros de distãncia, no mesmo espaço dos balneários dos Serviços Operacionais da autarquia, na rua Lino de Carvalho nº1.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

De acordo com o sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook.

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