Uma alegada notícia que dá conta da legalização do casamento entre humanos e animais na Noruega tem vindo a ser partilhada nas redes sociais. A peça, publicada a 5 de novembro de 2019 num site chamado Kongo Lisolo, conta a história daquele que terá sido o primeiro matrimónio ao abrigo desta nova lei, o de Barbara, uma norueguesa de 23 anos, e de Rudolf, o seu dobermann. Citada pela suposta notícia, Barbara revela que têm a “intimidade” de qualquer outro casal e que o seu marido “está muito confortável com isso”.

A alegada notícia publicada no site Kongo Lisolo

A peça cita como fontes o jornal norueguês Dagens Næringsliv, especializado em notícias de economia, e o site francês Secret News. Uma pesquisa no primeiro não revelou qualquer notícia sobre uma mulher chamada Babara, o seu cão Rudolf e um eventual casamento entre os dois; já quanto ao segundo, trata-se de um site de conteúdos satíricos que, de facto, publicou a 30 de novembro 2016 um texto com a mesma história, que será a fonte desta e de outras versões que têm desde então circulado nas redes sociais.

O texto publicado no site francês Secret News sobre a suposta legalização do casamento entre humanos e animais na Noruega

Em resumo, a alegada notícia publicada no Kongo Lisolo é uma adaptação de um conteúdo satírico publicado no Secret News, que poderá ter sido interpretado como verdadeiro, porque o site não está visivelmente identificado como uma página de paródia. Mais: além de não ser legal na Noruega o casamento entre humanos e animais, a bestialidade, isto é, a prática de sexo entre humanos e animais, é ilegal desde 2008. A Noruega foi um dos primeiros países nórdicos a tornar ilegal a bestialidade, que se mantém legal, por exemplo, na Islândia e na Finlândia.

Conclusão

O casamento entre humanos e animais não foi legalizado na Noruega. A alegada notícia, publicada num site chamado Kongo Lisolo, é uma adaptação de um conteúdo satírico, que talvez não tenha sido interpretado como tal.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

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ERRADO

De acordo com o sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

Nota 1: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact-checking com o Facebook.

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