“Cunhada do primeiro-ministro. Estes têm sempre empregos garantidos.” Não é a primeira vez nem será a última que surgem publicações nas redes sociais que destacam a relação de irmãos entre o primeiro-ministro António Costa e o diretor-geral de informação do grupo Impresa, Ricardo Costa. Desta vez, surgiu uma publicação, do passado dia 28 de abril, com uma capa de um jornal (por identificar) onde se lia a seguinte manchete: “Mulher de diretor da SIC arranja emprego no governo”. Atingiu as 167 partilhas. Dá-se então a entender que existe um favorecimento mútuo entre os dois familiares. Trata-se, no entanto, de uma publicação enganadora.

A notícia é, de facto, verdadeira, mas não é atual, podendo ser encontrada em blogues antigos. Após uma pesquisa através da ferramenta TinEye, é possível identificar o jornal que a escreveu: o 24 horas publicou esta notícia em fevereiro de 2008. Este órgão comunicação social fecharia portas em outubro de 2009.

Mas, após nova consulta na internet, é possível identificar uma notícia do Diário de Notícias, onde se lê o seguinte: Cláudia Borges (mulher de Ricardo Costa naquela altura) vai ser consultora de Ana Jorges. No texto, fica-se a saber que Cláudia Borges, apresentadora do programa Centro de Saúde da RTP1, passaria a ter funções de consultoria no gabinete de comunicação do Ministério da Saúde.

Depois, basta olhar para o texto da publicação original do lado inferior direito, para se perceber que estas informações não são atuais: “Na mesma semana em que Ricardo Costa entrevistou o primeiro-ministro José Sócrates na televisão ficou a saber-se que a sua mulher, jornalista especialista na área da saúde, vai ser assessora de Ana Jorge.”

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Ora, José Sócrates já não é primeiro-ministro, e Ana Jorge, que foi ministra da Saúde entre 2008 e 2011, precisamente no executivo do principal arguido da Operação Marquês, também já não tem qualquer cargo governamental nos dias de hoje. Até porque essa pasta está hoje entregue a Marta Temido, um dos rostos mais visíveis da pandemia de Covid-19 em Portugal. António Costa, atualmente a exercer as funções de primeiro-ministro, também tinha feito parte desse Executivo como ministro de Estado e da Administração Interna. Mas acabaria por sair em 2007 para se candidatar à Câmara Municipal de Lisboa, onde permaneceria até 2015.

Quanto a Ricardo Costa, também há outra nota importante: passou a ser diretor-geral de informação da Impresa a partir de 2016, deixando o cargo de diretor do jornal Expresso (que tinha posto à disposição da Administração quando António Costa se lançou na corrida à liderança do PS — sendo essa saída recusada). Antes, já tinha sido diretor-adjunto da SIC e diretor da SIC Notícias.

É também importante referir que, ainda que a publicação original pareça querer passar a ideia de que a notícia é atual, existe ainda outro dado que desmente esta pretensão: Cláudia Borges já não é casada com Ricardo Costa, logo, já não é “cunhada” de António Costa. Basta consultar notícias de anos mais recentes para se perceber que o jornalista é, atualmente, casado com  Barbra Avelar desde março de 2017. Ricardo Costa separou-se de Cláudia Borges em 2008 — altura em que o irmão, António Costa, não era sequer primeiro-ministro.

Conclusão

Não é verdade que a mulher de Ricardo Costa esteja a trabalhar no governo de António Costa. A notícia espalhada nas redes sociais é verdadeira, mas é de 2008, tendo sido publicada pelo extinto Jornal 24 horas. Depois, Cláudia Borges já não está casada com o atual diretor-geral de informação da Impresa. No entanto, trabalhou, como consultora, no Ministério da Saúde que, na altura, era liderado por Ana Jorge, que esteve no cargo entre 2008 e 2011, durante a liderança de José Sócrates.

Segundo a classificação do Observador, este conteúdo é:

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

PARCIALMENTE FALSO: as alegações dos conteúdos são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou está incompleta.

Nota: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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