O rover Perseverance conseguiu chegar a Marte no passado dia 19 de fevereiro, em mais um momento histórico na exploração do planeta vermelho por parte do ser humano. As primeiras imagens começaram a ser partilhadas pela NASA no seu site, nas suas redes sociais e também por vários órgãos de comunicação social. No entanto, também surgiu uma publicação com um vídeo sonorizado, que recolheu milhões de visualizações um pouco por todo o mundo, no passado sábado, com uma panorâmica sobre Marte. Trata-se, no entanto, de uma publicação enganadora.

Suposto vídeo do rover da NASA que chegou a Marte a semana passada.

O vídeo em questão tem uma imagem panorâmica onde é percetível uma extensa área rochosa que, ao que tudo indica, pertence a Marte. O problema é que não foi o Perseverance quem recolheu estas imagens, mas sim o Curiosity, que aterrou em 2012 no planeta e que percorreu, até ao momento, 15 quilómetros do terreno rochoso — percurso que pode ser acompanhado em direto no site da missão. São aproximadamente 1,8 mil milhões de pixels capturados, que também podem ser consultados. Aliás, como prova disso, basta olhar para o fim do vídeo, onde se lê as palavras “Curiosity”, tal como descrito pelo site Mashable.

O mesmo site, que considerou o vídeo como falso no domingo passado, refere que a NASA, até ao momento, ainda não tinha dado indicações ao seu mais recente rover para começar a sua viagem ou para começar sequer o registo de imagens através das câmaras de alta definição.

Depois, também é importante referir que o rover que fez estas imagens não possui microfones, ainda que a empresa espacial tenha descoberto uma forma de capturar o som marciano. Ou seja, o ruído que se ouve naqueles 26 segundos não pertence, de todo, nem ao Perseverance nem ao Curiosity. Mas a sua verdadeira origem também é difícil de identificar, segundo vários órgãos de comunicação social e fact-checkers internacionais.

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Também é importante referir, tal como descrito pelo fact-checker norte-americano Snopes, que a NASA disponibilizou aqueles 1,8 mil milhões de pixels para que as pessoas pudessem vê-lo de forma panorâmica. Ou seja, qualquer um pode percorrer as imagens, mas não se trata, de facto, de um vídeo. Quanto ao som, é possível que pertença a uma tecnologia, Insight Lander, que em 2019 conseguiu registar sinais sísmicos no planeta, que podem muito bem significar um terramoto marciano (“Marsquake”). Mas certezas não há, por isso, não é possível confirmar que esse som seja autêntico.

Por outro lado, o Perseverance será o primeiro rover a conseguir captar som  — com recurso a dois microfones — em Marte, como explicou o site Space. Além disso, esta missão histórica tem como objetivo recolher amostras que possam regressar à Terra para ser estudadas, procurando também por sinais de vida.

Por fim, convém dizer que, consultando as redes sociais da NASA e o seu site oficial, não encontramos publicações recentes sobre o vídeo original. Esta segunda-feira, a empresa espacial vai lançar, pela primeira vez, um vídeo do Perseverance. Portanto, seria difícil que algum utilizador de Facebook tivesse tido acesso a estas imagens antes sequer de serem divulgadas pela empresa responsável pelo rover.

Conclusão

As imagens que se tornaram virais no final da semana passada não foram captadas pelo Perseverance. São registos captados pelo Curiosity, que chegou a Marte em 2012 e que tem percorrido alguns quilómetros da superfície daquele planeta deste então.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

No sistema de classificação do Facebook este conteúdo é:

PARCIALMENTE FALSO: as alegações dos conteúdos são uma mistura de factos precisos e imprecisos ou a principal alegação é enganadora ou está incompleta.

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