Os filhos do antigo presidente norte-americano, Barack Obama, e do seu vice-presidente, Joe Biden, protagonizam a mesma história viral. Circula no Facebook a imagem de um cartão de crédito que pertenceria a Malia Obama e que teria sido usado por Hunter Biden para consumir cocaína — numa entrevista dada à revista “The New Yorker” a 1 de julho de 2019, o próprio reconheceu ter recorrido “ocasionalmente” a essa droga. No entanto, não há nada que prove que o cartão bancário em causa fosse da filha mais velha do ex-presidente e também não existe nada que indique que a imagem estivesse no computador do filho de Biden, como sugerem os posts.

Montagem de fotos que não têm ligação entre si o texto com as informações falsas

Comecemos pela foto (em baixo), na qual se vê um cartão preto com a inscrição “Malia A. Obama” (a filha do antigo presidente chama-se Malia Ann Obama). Algumas versões mostram o canto superior direito, onde se lê “J.P Morgan”, um banco do qual o próprio Barack Obama já exibiu um cartão. Ao lado estão algumas linhas de pó branco, que poderão ser cocaína.

A fotografia específica do alegado cartão de Malia Obama

A fotografia circula na Internet desde o final de dezembro de 2019 — ou seja, pelo menos dez meses antes de ter sido publicada a polémica reportagem sobre o conteúdo do computador de Hunter Biden. Nessa época, o site “MTO News” noticiava que o cartão da filha mais velha de Barack Obama tinha sido roubado por hackers. A história foi reproduzida por dezenas de outros meios mas sem mais detalhes.

A plataforma de fact check “Snopes” sugere a possibilidade de o cartão em causa pertencer a outra pessoa qualquer chamada Malia Obama. Isto porque a detentora do cartão seria “membro desde 2011”, altura em que a filha do presidente teria 13 anos. Para ter um cartão de crédito é preciso, normalmente, ter, no mínimo, 18 anos — porém, há bancos que concedem uma autorização especial a menores.

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Quanto à teoria de que esta imagem faria parte do material encontrado no portátil de Hunter Biden, ela parece ter surgido na Internet sem qualquer fundo de verdade. Não há como perceber exatamente onde nasceu, mas também não há indícios que comprovem estas afirmações.

O filho de Joe Biden tem sido alvo de várias fake news nas últimas semanas, desde que o “The New York Post” publicou um artigo que citava e-mails alegadamente encontrados num disco rígido de Hunter Biden que expunham uma ligação e troca de influências entre o candidato a presidente dos EUA e um empresário ucraniano. A história já foi acusada por vários analistas de ser uma campanha de desinformação, terá havido diversos jornalistas que se recusaram a assinar a reportagem e seria impossível confirmar as afirmações de algumas fontes citadas. Além das questões políticas, começaram a circular publicações nas redes sociais que garantiam que no suposto computador teriam sido encontrados vídeos de tortura a crianças chinesas ou fotos de menores.

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Não há nada que prove a veracidade destes relatos e o mesmo acontece com a imagem do cartão de crédito que pertenceria à filha de Barack e Michelle Obama. Na história do “The New York Post”, que inclui alguns documentos, nenhuma das fotos mencionadas surgiu.

Conclusão

Hunter Biden teria usado o cartão de crédito de Malia Obama para consumir cocaína mas não há uma única prova que dê força a esta teoria que se espalhou nas redes sociais. Em dezembro, dez meses antes desta história, foi noticiado o roubo do cartão da filha de Barack Obama e, mesmo que isso não seja verdade, o objeto que surge na imagem pode pertencer a outra pessoa com o mesmo nome. Entretanto, depois de uma reportagem do “The New York Post”, surgiram várias notícias falsas sobre o conteúdo do computador portátil de Hunter Biden. Nesse artigo não foi referida esta foto viral e não há nada que demonstre a sua ligação ao filho do atual adversário de Donald Trump.

Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:

ERRADO

No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:

FALSO: as principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.

NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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