A propósito de Elon Musk e fascismo, desta vez foi o líder do Livre, Rui Tavares, a ser apanhado a fazer uma saudação nazi. Mentira. De facto, circulou uma imagem de Rui Tavares a fazer a saudação nazi, mas era falsa, como é óbvio. Por que raio faria Rui Tavares o gesto alusivo a tão repugnante ideologia? Não, tratou-se de marosca. Alguém criou a imagem de Rui Tavares a fazer a saudação nazi, a partir de uma imagem inócua em que Rui Tavares erguia, isso sim, o punho cerrado. Numa inocente alusão a outra repugnante ideologia, mas que se pode repugnantemente publicitar, a comunista. Tudo certo, portanto.
Certíssimo, aliás, no país que em 2024 bateu o recorde de número de funcionários públicos. Hoje já temos 753.850, amanhã seremos todos! E aí, sim, Rui Tavares erguerá o punho cerrado com ganas, enquanto nós andaremos de punhos cerrados, também com ganas, mas a disputar com os restantes famélicos o último papo seco do supermercado. Excelente, o contributo deste governo da AD para se continuar a despejar dinheiro dos nossos impostos naqueles serviços que à medida que consomem mais e mais recursos, pior e mais porcamente funcionam.
Nestas circunstâncias, o que é que nos dava um certo jeito? Termos um Presidente da República que demonstrasse o mínimo de bom senso. Um Presidente da República que, se não fosse pedir de mais, conhecesse os princípios básicos de economia. Enfim, já me contentava com um Presidente da República que estivesse ligado àquela coisa, como é que se chama?, realidade. Infelizmente, temos Marcelo Rebelo de Sousa, autor da recente frase: “Eu comecei por dizer que o capitalismo era uma raiz das desigualdades da pobreza.” É este tipo de “bater de asas” de um Presidente da República em Portugal que provoca uma classificação junto ao Ruanda no índice de percepção da corrupção de 2024.
“Imagina o que seria, então, se não estivéssemos na União Europeia”, foi frase que nos habituámos a escutar nas últimas décadas, em circunstâncias deste tipo. E que pode envelhecer mal, a ver pelo caminho que segue o Esclerosado Continente, agora que Trump está a “secar o pântano” de Washington que, por sua vez, alaga o pântano de Bruxelas, terreno onde prosperaram criaturas como o nosso muito querido Sr. Now Can I Go to the Bank?
É óbvio que a decrépita Europa deixou de se sentar à mesa dos crescidos da política internacional, porque a Europa esteve para os Estados Unidos da América, pelo menos desde a Segunda guerra mundial, como Portugal está para a Europa desde 1986: a sugar na tetinha de contribuintes alheios. É uma matriosca de pedinchice: Portugal pedincha à Europa e a Europa conta com os Estados Unidos da América para pagar as contas mais chatas, como a defesa e tal. Ou seja, Portugal é a última boneca desta matriosca, aquela que já nem faz exactamente parte do jogo, porque não se abre. Somos já mais uma espécie de caroço do que outra coisa. Não será de estranhar que sejamos, mais cedo, ou mais tarde, cuspidos.
A propósito de salivas, um dos factos mais surpreendentes do novo elenco governativo norte-americano é o facto de Pedro Nuno Santos ser tão fã do vice-presidente JD Vance. É surpreendente, numa primeira análise. Já se nos detivermos no assunto, torna-se evidente que o líder que queria deixar as perninhas dos alemães a tremer não pagando a dívida, tem de ser um verdadeiro groupie do líder que deixou o alemão presidente da Conferência de Segurança de Munique a chorar não poupando na saliva num discurso repleto de verdades.
Não ouviram falar disto? Estranho. Uma coisa é garantida. Não terá sido, de certeza, por causa do apoio de 55 milhões de euros do governo à comunicação social.
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