O crescimento económico do século XX dependeu de maneira crucial do baixo custo de extração do petróleo. No entanto temos vindo a assistir a um aumento desse custo, mais precisamente, do rácio entre energia necessária para a extração e a energia extraída, em inglês, “Energy return on energy invested” ou EROI. Para termos uma ideia nos anos vinte com apenas um barril de petróleo conseguíamos extrair 100. Em 1970, estávamos a 1:30 e hoje estamos a 1:12 a tendência é que baixe ainda mais. Pior que isso, com a necessidade de descarbonização da energia, convergimos para fontes energéticas com EROIs ainda mais baixos que os actuais do petróleo. Mais custo energético, implica menos lucros e portanto menos margem de investimento e como consequˆencia menos crescimento económico.

Em simultâneo, começamos a enfrentar aos poucos as consequências das alterações climáticas, sobretudo sobre a forma de catástrofes ambientais, como cheias, ou no caso português, através da desertificação, fogos, e eventual subida das águas do mar na região do Tejo. Tudo isso trará um custo acrescido `a economia e portanto, menos lucros e no final menos crescimento.

Os dois efeitos somados e em progressão, de energia cada vez mais cara por um lado, e custos adicionais de prevenção e mitigação dos efeitos climáticos por outro, restará cada vez menos margem para crescimento económico. O paradoxo aqui é que, ao mesmo tempo, o modelo económico ocidental necessita de crescimento constante para assegurar a sua estabilidade.

Ouvimos muitas vezes falar na esperança em tecnologias, mas o debate tende a fugir à realidade dos joules e do EROI e a concentrar-se em ideias de ficção científica. No passado, os ciclos do Malthus foram quebradas não por uma tecnologia milagrosa mas pela descoberta de uma fonte de energia mais barata — o carvão e o petróleo. Hoje em dia, com as necessidades de consumo instaladas, e olhando exclusivamente para o EROI, só uma aposta em massa no nuclear permitiria o mesmo milagre, que ninguém parece está disposto a aceitar.

Neste contexto, enquanto cidadão, interessa-me saber como é que os partidos políticos pensam gerir este paradoxo.

Institut de Mathematiques de Jussieu, Sorbonne Université, Paris, France